Adelson Elias Vasconcellos
Sempre que uma pesquisa for favorável à Lula, acreditem, seus resultados ganharão proporções gigantescas em termos de divulgação. Claro,tudo será medido, avaliado e efusivamente entregue, pela máquina de propaganda comuno – nazi-fascista comandada por Franklin Martins, o terrorista que não se arrependeu.
Mas, para mim, ao menos, muito embora revelem muito, elas ainda revelam muito mais no seu resultado, do que as causas deste mesmo resultado. Afinal, a pesquisa, pelo menos aqui no Brasil, revela mito mais um quadro de um sentimento de momento, e não com que tintas este mesmo quadro foi produzido.
Na recente pesquisa CNT/Sensus que está nas ruas e bocas do país, não foge ao figurino.Aliás, ela se dedica muito mais a engrandecer aquilo que a máquina de Franklin Martins tem se dedicado há muito tempo: a mistificação de Lula.
Mesmo assim, ela, a pesquisa, nos fornece excelentes elementos de análise, e como que corrobora boa parte de muitas teses que temos defendido neste espaço.
Começa pela revelação de que, hoje, pouco mais de 20% do eleitorado, votariam em quem Lula indicasse. Cume qui é? Uauuu. Senão vejamos: sabe-se que o eleitorado cativo do Pete, em todo o país, é de um terço do eleitorado, coisa de 30 a 35%. Sabe-se que Lula tem uma popularidade recorde de 82%. E, mesmo assim, ele conseguiria transferir apenas 20%, apesar de todo o assistencialismo distribuído ao longo do tempo em que está no poder? Eis aí um número bem curioso, senão revelador não é mesmo?
Acontece que, dos 82% que reverenciam Lula, grande parte já sabe que ele não concorrerá em 2010. Sendo assim, o cenário passa a ser outro e, neste caso, um percentual mínimo apenas aceita seu “projeto de poder”, até por desconhecê-lo, mas são assistidos e beneficiários dos programas que asfixiam a consciência individual dos cidadãos. Deste modo, eles se tornam mais vítimas do que beneficiários do crime.
Dentre o restante, sabem alguns que Lula indicou Dilma para sucedê-lo e dela, grande parte do eleitorado, tem mais dúvidas do que certezas. Afinal, ela nunca na sua vida concorreu a coisa alguma ! Portanto, para os horizontes da campanha de 2010, e mais ainda, para os futuros quatro anos que se seguirão pós Lula, ela é mais um ponto de interrogação do que qualquer coisa. Isto visto pela ótica do eleitorado. Claro, quando a campanha legal começar para valer, é bem provável que aquele número de 20,0% tende a crescer. Mas, como já disse, ele se limita a um terço, por enquanto, caso o PSDB não incida nos mesmos erros cometidos em 2005.
A briga se centrará justamente na média do eleitorado, porque outro um terço JAMAIS votará em quem Lula indicar. Isto é certo. Assim, resta o meio de campo de um terço que pode se inclinar de um lado para outro, e nisto dependerá que candidatos vão concorrer de fato e,mais propriamente, do que eles tem a dizer. Esta parte também é sensível,pelo menos uma parte dela, aqueles “acontecimentos” tão comuns em campanhas de baixo nível tais como dossiês, escândalos, acusações, e até a discursos e comportamento durante a campanha dos candidatos.
É bom saber que, em relação a 2010,o jogo só está esquentando. Ele mal começou. E tudo quanto a pesquisas de agora indicam, poderá sofrer enorme mudança. Mas é bom a oposição se precaver: os petistas farão de tudo para impor as “regras” do debate. Comento isto de forma bem clara e simples no artigo final desta edição.
Como também tenho feito a advertência para os virtuais candidatos da oposição, Aécio Neves e José Serra, deitem por terra ressentimentos, vaidades pessoais, afora querelas de disputas regionais, porque este clima só divide e fornece armas e munição aos governistas. Se há, de fato, o desejo de retornarem ao poder, e para o bem do país, é preciso que voltem, em momento algum devem oferecer campo para os mensageiros do Planalto se infiltrarem e espalharem suas intrigas, como o Ciro Gomes tem feito. Como o José Dirceu tem espalhado. Porque o governo sabe, e teme, que uma chapa puro sangue, e com uma campanha competente, com um discurso e debates honestos, seria praticamente imbatível.
Há um outro fato (parece que encomendado sob medida) que a pesquisa revela e que, aparentemente, tende a mostrar que, para os brasileiros, Lula é melhor do que FHC. E digo sob medida, além de tendencioso, porque este é dado que procura intimidar o adversário. Vimos acima que o PT está tentando impor seu discurso no debate mas, prá variar, de forma falseada, vigarista. Eles querem uma comparação pura e simples de feitos, desconsiderando completamente as condições de país e de mundo em que os feitos foram realizados.
Por que afirma que o dado da pesquisa é tendencioso? Porque a intenção é meter medo. Se o governo de Lula é mais querido pelos brasileiros do que o de FHC, então, se o PSDB cair no truque, evitará o debate, e os petistas poderão cantar as glórias de sua impostura. E, sem contraditório, evidente que o caminho fica livre. Pode ser asqueroso e pode ser imoral, mas faz parte da estratégia do jogo, e cada qual deve jogar com o que tiver de melhor. Se ao petê o que lhes sobra é a impostura, a mentira, a mistificação e a manipulação da verdade, então deixem eles mostrarem sua verdadeira face. Às oposições cabe buscar o discurso oposto, não terem vergonha do governo de FHC, até pelo contrário, devem se orgulhar e agradecer a ele ter comprometido seu próprio cacife político (preço caro, hein!) em favor de um projeto de governo que encaminhou o país para um futuro venturoso. Este ônus político é que deve ser exibido, e não a covardia de se refugiarem em si mesmos e aceitarem passivos que o outro lado dite as regras do debate.
O dado da pesquisa, acreditem, apesar de ter sido encomendado sob medida, e seu resultado, ser claro, tendencioso, revela por outro lado, uma realidade que não pode nem deve ser ignorado, porque, ainda assim, ele revela uma verdade: a de que tanto tucanos, estes principalmente, quanto democratas, tem sido preguiçosos, acovardados e, acima de tudo, incompetentes, seja no discurso do que pretendem para o Brasil a partir de 2011, caso se elejam, ou na defesa de suas conquistas e realizações e que, conforme afirmei e demonstrei, e que o mundo civilizado , por isso mesmo bem informado, saber e reconhece que, não foram poucas. Porque elas estão na base e na essência do país melhor que hoje podemos viver.
Inconcebível é as oposições esperarem, como tem acontecido, que a imprensa faça o papel que às oposições cabe cumprir. Além da oposição, propriamente, dita , ao governo atual, e o reconhecimento e divulgação dos feitos realizados enquanto permaneceram no poder. Até que, vez por outra, surge na imprensa, artigos e reportagens como que a relembrar estes feitos, até por dever de ofício de informar a verdade, mas não por lhes competir “praticar marketing” em favor de um partido ou por serem simpáticos a uma determinada corrente ideológica.
Portanto, ao PSDB e DEM compete saírem de seus casulos, e porem a preguiça e a covardia de lado, e partirem para o trabalho árduo que tem à frente, sem nada temer tampouco a esconder. Vencer ou perder eleições faz parte do jogo. Lula disputou e perdeu três eleições consecutivas até conseguir o tom certo para vencer. Mas é preciso marcar e firmar presença, ocupar espaços, impor debates e transparecer sinceridade de propósitos. Precisam ter projetos alternativos além da porcaria que vige entre nós. Cedo ou tarde, a semente lançada ao solo há de vingar, porque estejam certos de uma coisa: a verdade cristalina, sem subterfúgios, sem hipocrisia, mais dia menos dia acaba prevalecendo.
Sendo assim, antes de saírem a campo para acusar que as pesquisas são manipuladas, e elas até podem ser, mas não todas, devem extrair dela o que de bom elas revelam. Aceitar os cenários que elas desenham e, dentro de suas pretensões, buscarem caminhos, soluções, alternativas para enfrentar, contornar e superar as dificuldades, trabalhando sempre em conjunto e com olhos postos num Brasil melhor, reverterem prováveis cenários adversos. Ou seja, a palavra-chave, como em qualquer campo da atividade humana, é TRABALHO. Não há outro jeito.