Marco Tulio Kalil Ferreyro, Instituto Millenium
Recentemente, um artigo publicado na revista britânica “The Economist” traçou um panorama da situação da educação no Brasil, afirmando que a má qualidade das escolas, “talvez mais do que qualquer outra coisa”, é o que “freia” o desenvolvimento do país.
Citando os maus resultados do Brasil no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), realizado a cada três anos pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), tal revista constata que, apesar dos avanços que houve na política e na economia, no tocante à educação, o Brasil encontra-se bastante abaixo de diversos outros países em desenvolvimento, os quais concorrem conosco no mercado internacional.
Entre os fatores condicionantes da falta de qualidade da educação no país está o fato de muitos professores faltarem por diversas vezes às aulas e os altos índices de repetência, que estimulam a evasão escolar.
Na opinião da “Economist”, o governo brasileiro precisa investir mais na educação básica. “Assim como a Índia, o Brasil gasta muito com suas universidades ao invés de (gastar) com a alfabetização de crianças.”, diz a revista.
A publicação afirma também, que o Brasil precisa de professores mais qualificados, enfatizando que, “…Muitos têm três ou quatro empregos diferentes e reclamam que as condições de trabalho são intimidadoras e os pagamentos baixos.”
Apesar de todos nós brasileiros conhecermos “de cor e salteado” tais problemas na área educacional, a revista faz uma importante revelação: os sindicatos de professores “representam um grande obstáculo para melhorias”. “Quase qualquer coisa que atrapalhe sua paz causa greves”, afirma a publicação britânica, dizendo que o sindicato dos professores do Estado de São Paulo, por exemplo, se opôs “a uma proposta que obrigava os novos professores a fazerem testes para assegurar que são qualificados.”
A “Economist” defende ainda, que a receita para melhorar a educação no país seria “continuar reformando o sistema escolar, enfrentar os sindicatos dos professores e gastar mais em educação básica.” Finalmente, a revista conclui, “A conquista do mundo –mesmo a amigável e sem confrontos que o Brasil busca– não virá para um país onde 45% dos chefes de famílias pobres têm menos de um ano de escolaridade”.
Num exercício de reflexão, que lições devemos tirar destas verdadeiras constatações feitas pela publicação britânica? Sobretudo, creio que a política educacional brasileira deveria adotar a meritocracia como principal instrumento de avanço. Deveria por exemplo, ser implementado um sistema de avaliação de professores e escolas do ensino básico e não somente de alunos como é feito atualmente. Principalmente, é de salutar importância que tal avaliação seja utilizada como fator condicionante ao repasse de recursos a professores e escolas públicas. No tocante ao professor, pode ser instituída uma remuneração salarial condicionada a sua performance, que pode ser medida em diversas dimensões, como por exemplo, número de horas lecionadas, desempenho em sala de aula, pontualidade e rendimento escolar dos alunos. Já no que concerne ao diretor de escola, pode-se criar um sistema de premiação das escolas que apresentarem melhores resultados, com mais progressos na qualidade, direcionando as mesmas, mais recursos públicos capazes e produzirem ainda mais avanços, enfim, melhoria contínua. Difícil vai ser convencer os sindicatos de professores, tipo o CPERS aqui no estado, a quem podemos chamar de corporações do atraso, do subdesenvolvimento. Parodiando a afirmação da revista, diria até mesmo, que entidades como o CPERS são um freio ao desenvolvimento. Infelizmente. Alguém pode citar uma ação feita pelo CPERS em prol da qualidade da educação no estado do Rio Grande do Sul?
Urge a necessidade da adoção de novos modelos organizacionais, a partir da introdução de um sistema de avaliação de desempenho, tal como aqueles que foram introduzidos há várias décadas em países da Europa e nos EUA, onde foram criados novos sistemas gerenciais na administração pública, focados em resultados. Nesse aspecto, sabe-se que o atual governo do estado considera a modernização da gestão pública, como um dos seus principais eixos de atuação. Sobretudo, devemos produzir um novo modelo para a administração pública, de forma mais célere. Neste aspecto, vale lembrar aqui os três conselhos dados pelo consagrado economista Milton Friedman e válidos para qualquer governo: Gaste menos, regule menos e cobre menos impostos.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Tanto o diagnóstico da The Economist, quanto os comentários feitos pelo Marco Túlio seguem na mesma direção das inúmeras críticas que temos feito aqui sobre a forma como o ensino é visto e maltratado no País. Como também a influência perniciosa dos sindicatos sobre as reformas tão necessárias para elevar a qualidade e que ele sabotam sem mais nem porquê. Por isso, e sei que muita gente pensa igual, a primeira reforma para qualificar o ensino no Brasil deveria a partir dos professores. Um sindicato deve lutar não apenas por melhores condições para o exercício profissional, mas deve atentar para que seus filiados tenham uma performance condiz\ente para o engrandecimento da própria profissão que representa. No Brasil, e particularmente nos sindicatos dos professores,o que vemos é uma politização de tal forma atrasada, e até violenta muitas vezes que nos leva a sugerir que, se é política que se pretende fazer, então que se feche o sindicato e se funde um partido político.
A questão aberta pelo Marco Túlio é muito pertinente: Alguém pode citar uma ação feita pelo CPERS em prol da qualidade da educação no estado do Rio Grande do Sul?
Eu, que praticamente vivenciei grande parte da minha vida em Porto alegre, digo sem medo de errar: foi a partir da politização da atividade do CPERS, como entidade de classe que os professores foram perdendo prestígio e qualificação, ganhando em troca um achatamento salarial gigantesco.
Na medida em que o CPERS foi abraçando ideologia política (a esquerda, devo acrescentar) o ensino público no Rio Grande do Sul entrou em declínio. E o mesmo fenômeno se repete em São Paulo e em outros estados. Ou bem os sindicatos dos professores representam a ATIVIDADE FIM que dizem representar para a sua categoria, ou se filiem a um partido político e lá vão exercer a defesa da suas ideologias. Mas poupem os sindicatos deste desvio de finalidade, devolvendo a ele a razão para a sua existência, que é dignificar e buscar qualificar e valorizar, em conseqüência os profissionais do ensino.