terça-feira, novembro 24, 2009

Para ganhar em 2010, PT propõe um debate vigarista

Adelson Elias Vasconcellos

Dois fatos do dia, e ambos em relação ao Pete, merecem ser comentados. O primeiro dis respeito a uma entrevista concedida pelo provável comandante das ações do partido, durante a campanha em 2010 As primeiras apurações do eleição direta do PT confirmam o favoritismo do ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra (SE) para comandar a próxima direção PT. Dutra tem o apoio do presidente Lula e da presidenciável Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil.

Dentre tantas tolices que Dutra despejou nas entrevistas, uma delas merece destaque, por revelar qual a estratégia será empregada para que os petistas elejam Dilma como sucessora de Lula. Pergunttado sobre o mote da campnha de 2010, ele disse: . (...) Vamos mostrar como se comportou a economia brasileira numa crise de alguns poucos bilhões de dólares, que foi a crise da Rússia em 1999; e como se comportou numa crise que envolveu trilhões de dólares, atingindo o centro do capitalismo internacional - explica Dutra. “(...).

Se o PSDB, ou parte dele, quiser cair no truque, paciência. Sempre defendi que o PSDB foi incompetente para defender suas conquistas e realizações durante o governo de FHC. E não foram poucas.

Porém se Dutra, tanto quanto a dupla Lula – Dilma insistir na pilantragem, a comparação não deveria ser forma proposta por eles, por ser simples vigarice. A ordem certa dos fatos, a comparação realmente DECENTE E HONESTA deveria ser:

a) Apresentar e exibir a situação do Brasil que FHC encontrou e a que Lula recebeu de FHC;
b) A situação da economia mundial durante o governo de FHC e durante a temporada de Lula no poder.

Somente com tais premissas é que, as “comparações” que se quer fazer, serão possíveis. Enquanto um recebeu o país falido, sem crédito, com a economia em frangalhos e as contas públicas deterioradas e em estado deprimente, com a inflação galopante e sem controle, e sem um guarda chuva protetor para os pobres através de programas sociais, os indicadores de desenvolvimento humano em queda livre e com a economia mundial em constante instabilidade, o outro, recebeu tanto o país, quanto a situação mundial, em condições completamente contrárias: economia estável, contas públicas equilibradas, programas sociais implantados, crédito internacional recuperado com a dívida externa equacionada, programas de investimentos públicos em infra-estrutura montado e em andamento pleno, e poderíamos desfilar um rosário imenso de conquistas e realizações que serviram para colocar o país nos trilhos do progresso econômico e desenvolvimento social. E enfrentou este quadro nebuloso encontrando pela frente a economia mundial crescendo abaixo de 2% ao ano e com algumas economias em situação agravante, que acabaram provocando, pelo menos, cinco graves crises internacionais. E, mesmo com tudo isso, fez o país crescer em média superior à do crescimento mundial.

Dizer-se que, na crise de 2008, o Brasil se saiu melhor do que as que FHC teve de enfrentar, é mais do que ingenuidade, é uma vigarice deslavada. O primeiro ponto, por exemplo, é que tínhamos, em 2008, um sistema financeiro mais estável, robusto e regulado do que antes. E graças ao quê? Ao PROER e a todas as medidas adotadas naquele período. Programa e medidas, vejam bem que Lula e petê foram contrários ao extremo. O Brasil que FHC recebeu sequer moeda decente tinha... E isto, senhores, é apenas um dos muitos exemplos com os quais . se vê, se tenta mistificar um governo que, rigorosamente, em seus muitos pontos positivos, é apenas continuidade, não mais do que isso, de quem o antecedeu, e contra quem e em todas medidas que tomou, foi criticado, verbalmente agredido. E apesar daquela oposição imbecil, vejam só, depois os tais “críticos” mantiveram a mesma receita de eficiência e solidez . E eu até diria que, em alguns erros e defeitos, também...

Ora, é diante deste quadro que a comparação, qualquer comparação, pode e deve se dar. Não simplesmente pegar como o PT deseja e comparar realizações feitas sem analisar a conjuntura do mundo, sem considerar as situações totalmente diversas em que cada um encontrou o país. Entrar neste jogo, sem propor tal análise é vigarice suprema, é querer confundir para plantar uma falsa mistificação de que um é melhor governante do que o outro, quanto a realidade é o oposto.

Além do mais, o PSDB deve saber que, se aqui dentro, movido por uma máquina de propaganda maravilhosa ao melhor estilo comuno-nazi-fascista, que diante de um país em que 60% de seu povo não lê absolutamente nada, e do que resta, apenas pouco mais de 7% consegue manter-se informado, lá fora, contudo, onde os apelos canalhas da propaganda não vingam a mistificação, há o reconhecimento pleno de que Lula tem sucesso por aquilo em que deu continuidade do governo anterior, e não por aquilo que tentou fazer diferente. O artigo da revista britânica “The Economist”, da qual reproduzimos aqui alguns de seus trechos não deixa dúvidas sobre quem fez o quê.

Sendo assim, o PSDB poderia aceitar este debate, mas desde que as regras fossem a de analisar-se as condições do país e do mundo que cada governante, FHC e Lula, recebeu para governar. E, neste aspecto, com o jogo equilibrado, e com regras justas, a vantagem do PSDB é infinita. O que não se pode é querer comparar, pura e simplesmente, dois governos que viveram momentos completamente diversos porque, neste caso, é claro que aquele que encontrou momentos favoráveis, interna e externamente, sai em vantagem. E, desta forma, o debate já desanda, como disse e afirmo, para uma vigarice completa.

Na campanha de 2006, inclusive, o PSDB fez distribuir um livreto contando a passagem de FHC em oito anos de governo. Eu recebi o livreto e guardei. Mas se o tenho, é porque dele tomei conhecimento pela internet, e fiz o pedido. Mas quantos sabem de sua existência? Quantas tiveram a feliz oportunidade, como a que tive, de conhecer seu conteúdo? Pouquíssimos, e isto demonstra que em matéria de divulgação, ou apara usar uma expressão bem esquerdista, em matéria de marketing político, o PT dá de goleada nos tucanos. Eles vendem o que fazem e, principalmente, vendem como suas as obras alheias. Vendem com realizações programas que mal saíram do papel, mas que consideram como feitos acabados.

Dentro deste terreno, qualquer pessoa bem informada, sem necessariamente ser político, apenas honesto nos propósitos, tendo os dados verdadeiros à mão e não estatísticas manipuladas pela máquina da propaganda, ganha qualquer debate dos petistas. Porque se a discussão descer ao nível da mistificação, da vigarice, da manipulação, da comparação canalha, da apropriação indevida de obras alheias, acreditem: o PT é imbatível , A mentira está em seu DNA, é uma ferramenta indispensável, um elemento indissociável do caráter de ser petista. No terreno da indecência e da imoralidade, ninguém chega aos pés desta gente.

Portanto, se realize o debate conforme acima proposto. Que se tragam números e estatísticas reais,de antes, durante e depois. O diabo é que, diante da derrota iminente, com regras justas para um jogo equilibrado nas condições em que ele se desenrolará, os petistas, muito provavelmente, desistirão e tentarão outra artimanha. Esta gente detesta o jogo da verdade. Mas, pelo menos, ficará clara a sua falsidade, ficará clara e à mostra, toda a sua hediondez.

Uma última análise: muito petista está assanhado porque a pesquisa revela uma queda nas preferências em favor de Serra. Isto nem deveria surpreender a ninguém. Enquanto Serra se dedica ao governar São Paulo, sem contar com aquela fabulosa máquina de propaganda montada por Franklin Martins, Dilma Rousseff não sai das manchetes nem dos palanques pacmícios armados país afora para “fiscalizar” e “inaugurar” obras. Tanta exposição só pode lhe render alguns pontos percentuais a mais. E, nem assim, Serra deixa de figurar na liderança. Imaginem, então, com a exposição que a campanha lhe proporcionará. E que se registre: enquanto Dilma é a candidata governista à sucessão de Lula, só faltando oficializar no prazo determinado pela legislação eleitoral, no PSDB, ao contrário, Serra é candidato à candidato juntamente com Aécio.

Assim, com a vantagem de ser ministra de estado, contando com a máquina de propaganda oficial, além do descarado uso do aparelho e instituições do Estado a e em seu favor e, apesar da cegueira do TSE, que só não vê porque não quer ou porque não lhe convém, a campanha de Dilma segue a todo vapor, inclusive com o uso ilegal de funcionários do governo e das dependências dos subterrâneos do Planalto.

Portanto, nesta briga em que as regras deveriam valer para todos, mas que só é cumprida por um dos lados, porque a outra simplesmente as ignora, e se preciso lhes dá um belo chute, Serra, a esta altura do campeonato que, oficialmente não começou para oposições, porque a legislação os proíbe de agir, é um feito a ser comemorado e do qual as oposições não podem simplesmente ignorar.