Adelson Elias Vasconcellos
Alguém se surpreendeu com a decisão do Procurador da República, senhor Roberto Gurgel, em simplesmente arquivar o caso Palocci, sem nem sequer abrir uma investigação prévia do caso? Imagine-se um cidadão colocado em situação idêntica: não teria mais sossego. Teria a importuná-lo o resto da vida a Receita Federal, o Banco Central, a Procuradoria, o inferno.
Alguém se surpreendeu com a decisão do Procurador da República, senhor Roberto Gurgel, em simplesmente arquivar o caso Palocci, sem nem sequer abrir uma investigação prévia do caso? Imagine-se um cidadão colocado em situação idêntica: não teria mais sossego. Teria a importuná-lo o resto da vida a Receita Federal, o Banco Central, a Procuradoria, o inferno.
É bom lembrar que o mandato do senhor Gurgel se encerra dia 22 de julho e ele próprio já manifestou interesse em continuar por mais um tempo.
O Procurador, desde o princípio do caso Palocci, já dera seu veredicto antes de qualquer explicação por parte do ministro. O pedido de explicações veio depois, por pressão da mídia, da oposição e da sociedade. Tratou, então, de maquiar uma aparente seriedade, solicitando à Palocci alguns documentos, etc., tudo para não parecer impunidade demais. E isto aqui mesmo já antecipara que aconteceria.
Portanto, a conclusão é a seguinte: o Procurador da República não quis investigar, não quis procurar, não quis se comprometer. Desde o primeiro comentário que fiz sobre o caso, afirmei que eram fartas as evidências sobre conflito de interesses e tráfico de influência praticados pelo ministro Palocci e sua empresa de consultoria.
Mas creio que o assunto não morreu por aqui. Assim como no caso Francenildo, cedo ou tarde, aparecerão novas descobertas sobre as tais consultorias. Para o bem de Palocci, e mais especialmente, para o bem do próprio país, o correto seria o ministro aproveitar este momento e sair de fininho, enquanto ainda lhe resta algum capital político. Pior se tiver que sair à força, obrigado diante de novos fatos...
Mas o doloroso neste caso é constatar que a nossa miséria moral bate muito mais fundo no poço da degradação do que se poderia imaginar. Se antes nossos políticos comportavam-se na base do "vale-tudo", agora, depois dessa, jogarão no lixo todo e qualquer limite moral, os escrúpulos e a decência.
Mas o doloroso neste caso é constatar que a nossa miséria moral bate muito mais fundo no poço da degradação do que se poderia imaginar. Se antes nossos políticos comportavam-se na base do "vale-tudo", agora, depois dessa, jogarão no lixo todo e qualquer limite moral, os escrúpulos e a decência.
