Villas-Bôas Corrêa
Tanto pediram e cobraram explicações ao ministro Antonio Palocci, chefe da Casa Civil da presidente Dilma Rousseff, que ele acabou pegando carona na entrevista ao Jornal Nacional da Rede Globo, para o exercício da mentira e do despistamento com a cara de pau que não mexe com um músculo da face.
E é realmente um craque com a bola murcha do descaramento. Calado durante 19 dias, teve tempo para retocar a sua tática primária de falar muito para não dizer e nunca escorregar numa confidência comprometedora.
E negar sempre: nunca praticou tráfico de influência como ex-ministro da Fazenda, zelou por cada centavo do Tesouro. Jamais passou pela sua cachola assessorar empresas que têm negócios com o governo.
Mas, com a prudência de quem sabe evitar um escorregão no terreno enlameado, atendeu às intruções da presidente Dilma para quebrar os 19 dias de silêncio diante das suspeitas sobre a evolução do seu patrimônio.
E o craque Palocci brincou com a bola murcha no campo vazio, dando dribles em adversários com os desmentidos em série. O anjo de Palocci cuidou da sua defesa: nunca praticou tráfico de influência como ex-ministro da Fazenda e nem assessorou empresas que negociam com o governo.
Não revelou a lista dos seus clientes, resguardando o sigilo profissional e nem o faturamento milionário da sua consultoria.
O governo nadou em água de rosa com o seu desmentido. Embora seja improvável, não é impossível que depois de uma quarentena volte a servir ao governo, grato ao seu silêncio Em boca fechada não entra mosca, mas basta um sorriso para que o inseto invada o campo.
A Folha de S. Paulo, em 15 de maio, revelou que Palocci comprou um apartamento por R$ 6,6 milhões e um escritório por R$ 882 mil, ambos em São Paulo. O milionário negócio foi feito pela Projeto do qual o afortunado ministro tem 99,9% do capital. Quem será o afortunado dono do 0,1% ?
Em 2010 a empresa de Palocci faturou R$ 20 milhões. As denúncias contra o ministro chefe da Casa Civil, Antonio Palocci defaglaram a mais grave e embaraçosa crise no governo da presidente Dilma.
E que deve ser implodida com a demissão. A pedido, se Palocci não dormir no ponto, como motorista de táxi enquanto espera o passageiro.