quinta-feira, maio 19, 2011

O que fazem os 7 ex-ministros que Palocci citou como 'valorizados no mercado'

Luís Artur Nogueira, de Exame.com

Antonio Palocci disse que "a passagem por Ministério da Fazenda, BNDES ou BC proporciona uma experiência única que dá enorme valor a estes profissionais no mercado"

Palocci cita 7 ex-integrantes de governo para justificar patrimônio

São Paulo - Para se defender da acusação de ter elevado em 20 vezes o seu patrimônio em um período de quatro anos, de 2006 a 2010, o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, disse que trabalhar no governo valoriza a carreira das pessoas.

"No mercado de capitais e em outros setores, a passagem por Ministério da Fazenda, BNDES ou Banco Central proporciona uma experiência única que dá enorme valor a estes profissionais no mercado", afirmou Palocci.

O homem-forte do governo Dilma citou nominalmente sete pessoas que ocuparam cargos públicos. "Muitos se tornaram em poucos anos, banqueiros como os ex-presidentes do BC e BNDES Pérsio Arida e André Lara Rezende, diretores de instituições financeiras como o ex-ministro Pedro Malan ou consultores de prestígio como ex-ministro Maílson da Nóbrega."

E completou: "Muitos ministros importantes também fizeram o percurso inverso, vieram do setor privado para o governo, tomando as precauções devidas para evitar conflitos de interesse, como o ex-ministro Alcides Tápias, ex-diretor de importante instituição financeira, os ex-presidentes do BC Armínio Fraga, antes gestor de um grande fundo de investimentos internacional e Henrique Meirelles, com longa trajetória no mercado financeiro."

EXAME.com fez um levantamento e mostra o que fazem da vida os sete "ex-governo" citados por Antonio Palocci.

Armínio Fraga é presidente do Conselho da Bovespa
São Paulo - O economista Armínio Fraga teve sólida carreira na iniciativa privada antes de sua passagem no governo como presidente do Banco Central durante o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (de 1999 a 2002).

Foi diretor-gerente da Soros Fund Management LLC em Nova York no período de 1993 a 1998. Exatamente por trabalhar para o megainvestidor Geroge Soros, sua indicação para o Banco Central foi muito criticada pela oposição que afirmou na época que "a raposa iria tomar conta do galinheiro".

Fraga também trabalhou na Salomon Brothers em Nova York e no Banco de Investimentos Garantia, no Brasil. Foi ainda diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central. Após sua passagem pela presidência do Banco Central, fundou a gestora de recursos Gávea Investimentos, que foi vendida em 2010 para o Highbridge Capital Management, braço de gestão de fundos alternativos do gigante americano JPMorgan. Pelo acordo, ele permanece na empresa até 2015.

Foi membro do conselho de administração do Unibanco e, atualmente, exerce a função de CEO da BMF&Bovespa.

Alcides Tápias tem uma consultoria
São Paulo - Formado em Administração e Direito, Alcides Tápias foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior entre 1999 e 2001, durante parte do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Entrou no Bradesco em 1957 como contínuo e fez carreira até chegar à vice-presidência. De 1991 a 1994 foi presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e membro do Conselho Monetário Nacional. Entre 1996 e 1999, presidiu o grupo Camargo Corrêa.

Após a passagem pelo governo, fundou a Aggrego Consultores focada em três áreas básicas de atuação: mercado financeiro, previdência privada e reestruturação.

É membro do Conselho de Administração do Itaú Unibanco, da Duratex, da LPS Brasil - Consultoria de Imóveis, do Rodobens Negócios Imobiliários, da Santos Brasil, da Tigre - Tubos e Conexões e membro dos Conselhos Consultivos da Spread Informática e da Cimentos Liz. É presidente do Conselho Deliberativo do Museu de Arte Moderna (MAM).

Após Fazenda, Pedro Malan foi para a iniciativa privada
São Paulo - O engenheiro eletricista e economista Pedro Malan é considerado um dos arquitetos do Plano Real.

Foi ministro da Fazenda durante os dois mandatos do presidente Fernando Henrioque Cardoso (1995 a 2002) e presidente do Banco Central no governo Itamar Franco (1993 a 1994). No mandato de Fernando Collor de Mello, foi o responsável pela negociação da dívida externa brasileira.

Malan está na iniciativa privada desde então. Exerceu o cargo de presidente do Conselho de Administração do Unibanco entre 2004 e 2005 e participou do conselho administrativo do Ponto Frio e da Alcoa Alumínios, entre outras empresas.

Persio Arida está no BTG Pactual
São Paulo - O economista Persio Arida teve uma rápida passagem pelo Banco Central no começo do governo Fernando Henrique Cardoso (de janeiro a junho de 1995).

Antes, foi presidente do BNDES de 1993 a 1995, e um dos idealizadores do Plano Cruzado (1986) durante o governo de José Sarney. Em 1994, participou da elaboração do Plano Real.

Além disso, foi conselheiro do Banco Central em 1986 e trabalhou no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão de 1985 a 1986.

Persio integrou o Conselho de Administração do Banco Itaú de 2001 a 2008. Fez uma sociedade com o banqueiro Daniel Dantas no Banco Opportunity e, em 2008, fundou o BTG junto com André Esteves. No ano seguinte, o BTG comprou o Pactual, se tornando o maior banco de investimentos independente baseado em mercados emergentes.

André Lara Resende é membro do Conselho da Gerdau
São Paulo - O economista André Lara Resende presidiu o BNDES entre abril e novembro de 1998, no final do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. Para isso, deixou o posto de sócio-diretor do Banco Matrix.

Foi também assessor especial da Presidência da República, diretor do Banco Central, negociador chefe da dívida externa e um dos integrantes da equipe econômica que elaborou o Plano Real.
Antes, ao lado de Persio Arida, Edmar Bacha, João Sayad e Dilson Funaro, entre outros, arquitetou o Plano Cruzado, durante o governo de José Sarney (1986).

Foi diretor-presidente da companhia Siderúrgica Tubarão, vice-presidente executivo do Unibanco, sócio-diretor do Banco Garantia e diretor da Dívida Pública e Mercado Aberto do Banco Central. É membro do Conselho de Administração do Grupo Gerdau desde 2002.

Maílson da Nóbrega tem uma consultoria econômica
São Paulo - O economista Maílson da Nóbrega foi ministro da Fazenda no governo Sarney, entre janeiro de 1988 e março de 1989, após carreira no Banco do Brasil e na administração direta do governo federal.

Desde então, trabalha na iniciativa privada como consultor. É sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada, uma das maiores do país.


Henrique Meirelles permanece no setor público
São Paulo - O engenheiro civil Henrique Meirelles ocupou a presidência do Banco Central do Brasil durante os oito anos do governo Lula (2003 a 2010), um recorde na função. Em 2002, tinha sido eleito deputado federal pelo PSDB de Goiás, mas não chegou a assumir o mandato.

Foi um dos nomes cotados para ser o candidato à vice na chapa de Dilma Rousseff, mas o PMDB - partido ao qual é filiado - preferiu Michel Temer.

Antes da vida pública, construiu sua carreira no mercado financeiro. Em 1974, ingressou no BankBoston, onde se tornaria presidente 10 anos depois.

Atualmente, é o presidente da Autoridade Pública Olímpica, órgão responsável pela coordenação dos investimentos para a realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro.