Maria Helena R. R. de Souza
Ir para a escola aprender a escrever e a falar errado... Nivelar pelo pior, você algum dia sonhou com isso?
"Tivemos um presidente fazendo terríveis erros de concordância nos discursos que cometia. Agora o MEC assina embaixo publicando livro da coleção "Viver, Aprender" que recomenda falar errado. Parece que nada vai escapar da sanha desses novos tempos.
Livro didático de língua portuguesa adotado pelo MEC (Ministério da Educação) ensina aluno do ensino fundamental a usar a “norma popular da língua portuguesa”.
O volume Por uma vida melhor, da coleção Viver, aprender, mostra ao aluno que não há necessidade de se seguir a norma culta para a regra da concordância.
Os autores usam a frase “os livro ilustrado mais interessante estão emprestado” para exemplificar que, na variedade popular, só “o fato de haver a palavra os (plural) já indica que se trata de mais de um livro”.
Em um outro exemplo, os autores mostram que não há nenhum problema em se falar “nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe”.
Ao defender o uso da língua popular, os autores afirmam que as regras da norma culta não levam em consideração a chamada língua viva. E destacam em um dos trechos do livro: “Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para norma culta como padrão de correção de todas as formas lingüísticas”.
E mais: segundo os autores, o estudante pode correr o risco “de ser vítima de preconceito linguístico” caso não use a norma culta. O livro da editora Global foi aprovado pelo MEC por meio do Programa Nacional do Livro Didático.
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Inexplicável, inacreditável, impossível acreditar no que o petismo transformou o MEC. E nossas autoridades ainda se dão ao desplante de processar um casal por querer ensinar seus filhos em casa!
Nossa línguagem oral, muito diversificada, o que é natural diante da imensidão do Brasil, pode e deve ser aceita. Nós nunca nos decidimos pelo emprego do tu ou do você. Vá lá. Não precisamos exigir que nossos filhos e netos falem como seus avós e bisavós. A língua é viva, é modificada e enriquecida a cada geração. O que é natural e sensato. Cansei de ouvir em Portugal expressões que copiam de nossas novelas. Carioquismos brabos com sotaque lisboeta são muito giros, como se diz por lá.
Mas em Portugal não ocorre a ninguém ensinar crianças a falar e escrever errado.
Temos bons exemplos nas músicas:
Ain't she sweet?... não é norma culta. Está em diálogos ou músicas onde o falar assim é natural. Mas nos livros escolares, é exigido o inglês correto.
De tanto levar frechada de teu olhar, meu peito até parece sabe o que? Tauba de tiro ao álvaro, não tem mais onde furá.
Até poucos anos, se um aluno escrevesse assim nas provas, levava um zero bem redondo... Agora, com certeza, receberá uma medalha.
Eu num quero. Pra que? Cê viu?
Se você está reproduzindo o diálogo de pessoas sem instrução, deve escrever assim. Mas há os que acham engraçadinho escrever como se fala, só para ser natural...
Mas se abandonarmos a norma culta, muito em breve estaremos grunhindo, como vaticinou Saramago.
Durante muito tempo editoras de livros escolares solicitavam permissão para usar letras de músicas de Adoniran Barbosa justamente para explicar aos alunos o que é a norma culta e fazê-los compreender onde estava o erro. As editoras, que são as que têm o mando sobre letras e músicas de meu pai, estão aí para testemunhar o que digo. Só espero que agora não autorizem as mesmas músicas para explicar às crianças que assim como ele escreveu está muito certo. Não, não está. E é preciso que continuemos a distinguir o errado do certo.
Em todas as áreas do conhecimento e do comportamento humanos, precisamos cuidar para não errar. A licensiosidade está ultrapassando todos os limites!
Eu só queria entender o motivo, o verdadeiro motivo que levou o MEC a adotar esse Por uma vida melhor... Tem que haver uma explicação plausível. Que um dia virá à tona, como tudo mais. Fé em Deus.