terça-feira, junho 14, 2011

Haddad, assim não dá, meu chapa!

Adelson Elias Vasconcellos

Bem que a presidente Dilma poderia ter aproveitado para, no troca- troca de ministros da semana passada, ter despachado o senhor Fernando Haddad, cujo trabalho à frente do Ministério da Educação, a cada dia, se torna mais incompetente chegando já ao ponto do ridículo.

O Jornal Nacional de ontem, 13/6, informou que muitas são as escolas públicas em que os alunos não receberam os livros didáticos deste ano, e se veem prejudicados para poderem acompanhar as aulas. Outros, estão tendo que aproveitar livros velhos, rasgados, caindo aos pedaços e alguns, inclusive, que não tiveram a graça de serem editados dentro das novas regras da reforma ortográfica. É um despropósito, senão uma verdadeira esculhambação!

É impressionante o que este cidadão está fazendo com a educação no Brasil. Por mais publicidade que o MEC mande veicular na mídia não consegue ocultar da sociedade o vergonhoso descaso, abandono e irresponsabilidade com que escolas, professores e alunos dos ensinos médio e fundamental têm sido tratados pela atuação calamitosa do senhor Haddad.

Durante a campanha de 2010, lembro bem das “conquistas” que se apontavam no campo da educação e, uma delas, era a questão da distribuição dos milhões de livros didáticos gratuitamente. Hoje, sabemos e somos surpreendidos que nestes “milhões” existiam milhares com grosseiros erros de matemática, de redação e alguns até que ensinavam que é certo falar errado.

O constrangedor nesta mais nova atrapalhada do MEC, é que a perspectiva dos alunos que não receberam livros didáticos ou mesmo os que receberam pela metade, é que a solução que a turma aponta está sendo remetida para 2012. Ou seja, quem recebeu, recebeu, quem não recebeu não recebe mais e estamos conversados. Que tipo de “autoridade pública” é esta que sequer se presta, diante da falha, a prontamente corrigi-la para não prejudicar estudantes em plena formação? Será que já não bastam os erros em livros didáticos, as greves intermináveis de professores, agora os alunos terão que conviver com a falta de livros? É muita incompetência e irresponsabilidade num só ministério!!!! E isto que se trata nada menos nada mais do que o PRINCIPAL e MAIS ESTRATÉGICO ministério dentre os quarenta ali-babás da Esplanada!

Nesta semana, a revista Veja relacionou os cinco ministros do governo Dilma que estão com a cabeça a prêmio e, graças a Deus, um deles é justamente Fernando Haddad. Não há uma semana que não somos surpreendidos com ações de pura incompetência e irresponsabilidade de parte deste senhor. Claro que ele não é o único capeta do MEC. Existem muitos outros que lá trabalham de forma sorrateira neste processo vigarista de tornar a educação brasileira no lixo em que está se transformando. Um processo de depuração no MEC se faz mais do que necessário.

A educação de um país, já disse aqui, é a ação estratégica mais importante dentre todas que um governo deve atentar, se o que se deseja é um país melhor e mais justo. Tanto se fala em programas sociais, inclusão, sustentabilidade, redução de desigualdades, extinguir a miséria e outras pérolas “progressistas” mais. Contudo,. naquilo que, verdadeiramente, importa que é a educação, mas não uma educação qualquer, e sim aquela de qualidade, que faz a diferença, que prepara adequadamente as futuras gerações para os desafios do futuro, evitando o que ora se assiste que é um apagão vexatório em profissões técnicas e imprescindíveis como engenheiros, por exemplo, a nossa anda na contramão. Tanto o governo petista e sua imensa militância do “amém” falam tanto em cidadania para justificar suas mazelas, mas se esquecem do principal: sem educação o que temos é um povo jogado às trevas do conhecimento, e não há país desenvolvido com um povo analfabeto.

Assim, o prazo de validade do senhor Haddad já se esgotou faz tempo. Para o bem do país e de uma educação de qualidade de seu povo, dona Dilma deve demiti-lo o mais rapidamente possível. Mas apenas provocar uma simples troca de nomes não resolverá o problema: é preciso mudar a orientação e, neste sentido, Haddad deve sair abraçado com uma leva de pseudo-educadores, de especialistas da vigarice uqe lá se encontram.  É intolerável que um ministro da Educação não consiga sequer conviver com a crítica, como foi o caso quando chamou de "fascistas" os que condenaram o livro que ensina que é certo o errado.  

Além disto, deveria o MEC ser uma espécie de orientador e fiscalizador para que o ensino, principalmente de língua portuguesa, fosse uma honra para qualquer estudante. Contudo, distorcem o papel principal de ensinar, educar, para, de forma torta e vigarista, fraudar sua própria missão. Isto é possível constatar em concursos públicos e vestibulares, e até no ENEM, que se tornaram espécies de libelos de doutrinação porca e fedorenta. Além das reportagens do Jornal Nacional, o texto do Reinaldo Azevedo, (poderia citar dezenas de outros exemplos), dão bem a tônica do lixo que está sendo transmitido às nossas crianças. Não é a toa que 2/3 da população não consegue sequer interpretar um miserável texto com meia dúzia de palavras formatando uma ideia central.

Vimos aqui, a "beleza" do livro de matemática que ensina que 10 -7 = 4 e 16 – 8 = 6 , livro este que, além destes erros, tem tantos outros que o próprio MEC entendeu que melhor faria retirando-o de circulação. Uma errata acompanhando cada exemplar seria insuficiente. Se os gênios da turma que seleciona e aprova livros didáticos do MEC chegou a tal constatação, imaginem o quão absurdo não era o tal livro. Perguntinha: quem pagará ou arcará com os custos de uma nova publicação, o contribuinte? Deveriam TODOS os servidores, terceirizados e concursados, lotados no MEC, a começar pelo ministro, rachar entre si os custos de uma tiragem com as correções devidas.

Não se pode consentir que a irresponsabilidade do Estado continue a pesar sobre os ombros da população, porque somente com o “castigo” da indenização é que se passará ao nível de decência no Poder Público. E isto vale para qualquer erro ou delito. Se nós deixarmos de pagar qualquer imposto seremos penalizados pela multa e juros. Assim, a omissão ou desídia do agente público de qualquer nível para com a sociedade que lhe paga salários para servi-la, deve também ser penalizada na mesma proporção.

E, se ministros de Estado, no desempenho de suas funções, se comportam como é exemplo clássico o senhor Haddad, o melhor que se deve fazer é demiti-lo e devolvê-lo ao lugar de onde veio. Deveria, é claro, ser posto de castigo de joelho sobre milho, com uma edição atualizada de gramática portuguesa debaixo do braço, e com a missão de decorá-la no prazo de uma semana. Talvez dominando melhor o idioma não se propusesse em produzir tanta picaretagem.

A seguir, o texto da reportagem do Jornal Nacional. Clicando aqui, você assiste ao vídeo.

***

Estudantes mineiros sofrem com a falta de livros didáticos na metade do ano letivo

Em Itabirito, a 50 quilômetros de Belo Horizonte, as aulas duram apenas 20 minutos. Os outros 30 são para os alunos copiarem a matéria do quadro e terem o que estudar depois. Muitos também acabam interrompendo outras turmas para pegar o material.

Quase no fim do primeiro semestre letivo, ainda há alunos de escolas públicas sem os livros didáticos. A situação, em Minas Gerais, está na reportagem de Isabela Scalabrini.

Depois da aula, João Vitor tenta estudar para a prova. Mas, não consegue porque recebeu apenas três dos seis livros didáticos. “A gente tem que estudar em dobro. Sem livro fica meio difícil”, conta o menino.

Em muitas escolas mineiras, os livros disponíveis são edições antigas e ficam trancados em armários. Em Itabirito, a 50 quilômetros da capital, alunos acabam interrompendo a aula de outras turmas para pegar o material.

Em uma escola, a aula dura 50 minutos. De acordo com os professores, os 20 primeiros minutos são para as explicações sobre as matérias. O restante, meia hora, os estudantes gastam copiando a matéria do quadro.

Esta é a única maneira deles estudarem, já que ninguém pode levar para casa os livros didáticos.

A professora de ciências prefere ditar: “Você pode observar que uma parte da sala já terminou e outra parte da sala ainda está fazendo. Então eu prefiro às vezes ditar, porque aí eu coloco a turma toda no mesmo nível”, conta a professora Alessandra Paranhos.

“A mão dói, dá até calo aqui nas pontas”, brinca o menino.

E tem outros problemas: “Os livros do ano passado já estão todos rasgados. Tão todos riscados”, afirma uma menina.

Além disso, as novas regras do acordo ortográfico não estão atualizadas. “Aprendendo um pouco errado”, diz outro menino.

De acordo com as secretarias de Educação de Belo Horizonte e Itabirito, a previsão do número de alunos, feita em 2010, ficou abaixo dos matriculados em 2011.

“O livro é importantíssimo, porque é um trabalho igual para todos, é o recurso que a gente tem, como escola pública é o nosso recurso principal. Mas a gente gostaria de ter livro para todas as turmas e nós estamos realmente em defasagem”, explica a professa Conceição Aparecida.

A Secretaria da Educação de Minas Gerais anunciou que vai pedir o aumento da reserva técnica de livros didáticos de 10% para 15% a partir do ano que vem. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação declarou que a falta de livros é resolvida, na maioria das vezes, com a reserva técnica, mas não informou quando vai repor os livros nas escolas mineiras.