quarta-feira, abril 04, 2007

Caixa preta do apagão aéreo pode revelar o inimaginável

por Aluízio Amorim, Blog Diego Casagrande

Enquanto prossegue a crise nos aeroportos – algo inaudito na história da aviação brasileira – os governistas no Congresso, na base do rolo-compressor, esforçam-se para evitar que se instale a CPI do apagão aéreo. Ora, se não desejam que se investigue este misterioso apagão é porque o próprio governo e seus acólitos têm interesse direto na desmilitarização do setor.
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Reparem. Interesse direto significa, obviamente, que há por trás dessa tragédia vivida pelos usuários dos aeroportos brasileiros um plano montado pelo próprio governo através de agitadores profissionais da CUT. E, na esteira dessa ação de pura sabotagem, sobrevirá um campo aberto para o empreguismo e toda a sorte de articulações e malandragens políticas.
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É que o poder é um território restrito. O butim nunca é suficiente. Os detentores do poder sempre encontrarão dificuldades para acolher todos os seus sequazes na partilha do espólio resultante da tomada do poder. E, neste segundo mandato do PT, a “economia do poder” torna-se muito mais complexa para ser gerida, haja vista a coalizão que foi montada para viabilizar a vitória petista e, num segundo ato, a governabilidade.
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As dívidas políticas contraídas pelos atuais donos do poder vão aos poucos expondo cenas de desespero e loucura. O surrealismo toma o lugar da racionalidade.Em nome de interesses puramente pecuniários o estado de insensatez de certos “seres humanos” leva-os à prática do absurdo a ponto de não hesitarem em sabotar o transporte aéreo como forma de, mais adiante, poder ampliar o empreguismo de base estatal a fim de satisfazer o insaciável apetite por cargos e benesses.
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Regimes democráticos não suportam o vilipêndio das instituições. Ou verifica-se uma reação no sentido da prevalência dos instrumentos da legalidade ou o regime sucumbe a um estado de autoritarismo, ainda que este possa ser disfarçado. Há exemplos aqui mesmo, quando a ditadura civil-militar manteve, inclusive, aberto o parlamento e o faz-de-conta do jogo político. Havia até o partido da oposição onde se misturavam democratas e liberais sinceros, oportunistas ditos esquerdistas e uma ampla fatia que, por variadas razões, ficou de fora do poder.A diferença hoje é que praticamente não existe mais nenhum tipo de oposição. Houve um cooptação em massa. O que se delineia, entretanto, é que parece que os estrategistas do PT passaram da conta ao sabotar o transporte aéreo. Interesses que nem imaginam começaram a ser prejudicados.
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Guardadas as devidas proporções, é mais ou menos o que aconteceu com o congelamento das contas bancárias decretado pelo governo Collor. Nunca convém esquecer que a ética capitalística jamais admitirá que lhes metam a mão nos bolsos ou que lhes imponham óbices às metas traçadas para os seus negócios, os quais exigem a rapidez do transporte aéreo.
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A solução do problema afunila-se rumo ao STF. Na atualidade, sobra apenas o Poder Judiciário como tábua de salvação do que resta da democracia brasileira. Apelo aqui, portanto, aos magistrados que compõem a mais alta corte da Justiça brasileira, que é o STF, um voto unânime favorável ao direito da minoria de instaurar a providencial CPI do apagão.
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Um gesto dessa envergadura da Alta Corte de Justiça tem duplo significado: a salvaguarda da democracia e o legítimo direito da Nação de ver aberta a caixa preta onde se esconde o interruptor do apagão aéreo. Dada a diligente – e truculenta – ação governamental contra a CPI, deduz-se a existência do inimaginável.