Estudo também mostra que atividade cerebral das pessoas é semelhante ao observar robôs e humanos sendo tratados de forma afetuosa
(Thinkstock)
e a robôs, os participantes do estudo apresentaram atividade cerebral semelhante
Diversas obras de ficção já exploraram o relacionamento entre humanos e robôs. A presença cada vez maior dos autômatos no cotidiano, como brinquedos, aparelhos domésticos ou "empregados" no local de trabalho, fez com que alguns pesquisadores começassem a se perguntar que espécie de sentimento eles podem, de fato, despertar em nós.
Um estudo da Universidade Duisburg-Essen, na Alemanha, sugere que as pessoas sentem empatia pelos robôs. A pesquisa mostrou que a atividade cerebral de uma pessoa ao ver imagens de afeto e de violência envolvendo robôs foi semelhante àquela apresentada ao ver humanos nessas situações. Os resultados serão apresentados em junho, na 63ª Conferência Anual Internacional da Associação de Comunicação, em Londres.
Os pesquisadores realizaram dois tipos de testes. No primeiro, 40 participantes assistiram a vídeos em que um pequeno robô em formato de dinossauro era tratado de modo ora afetuoso ora violento. Depois, questionados sobre seu estado emocional, os participantes relataram se sentir pior ao ver o robô sendo tratado com violência.
No segundo experimento, os pesquisadores utilizaram imagens de ressonância magnética para analisar a atividade cerebral dos participantes enquanto eles assistiram a vídeos de uma pessoa, um robô e um objeto inanimado sendo tratados de modo afetuoso ou violento.
As atitudes carinhosas voltadas tanto à pessoa quanto ao robô resultaram em padrões de ativação neural semelhantes, indicando que eles geraram reações emocionais parecidas. Porém, levando em conta apenas os vídeos que mostravam violência, os participantes se mostravam mais sensibilizados em relação aos humanos.
Companhia robótica –
"Um dos objetivos da pesquisa com robôs atualmente é desenvolver 'companheiros robóticos' que estabeleçam uma relação de longo-prazo com os humanos, pois eles podem ser ferramentas úteis para nós", afirma Rosenthal-von der Pütten, integrante da equipe de pesquisadores. De acordo com ela, os robôs podem ajudar pessoas idosas nas tarefas diárias, permitindo que elas vivam de forma autônoma por mais tempo, além de auxiliar pessoas com deficiência e pacientes em processo de reabilitação.
"O problema é que uma nova tecnologia é empolgante no começo, mas esse efeito vai passando ao longo do tempo, especialmente no que se refere a tarefas entediantes e repetitivas como exercícios de reabilitação. O desenvolvimento de habilidades humanas em robôs tem potencial para resolver este problema", completa a pesquisadora.
Saiba mais:
ANTROPOMORFIZAÇÃO
Significa atribuir características humanas a animais, elementos da natureza e objetos. É o que leva as pessoas a conversar ou brigar com equipamentos eletrônicos, como computadores, ou atribuir sentimentos humanos aos animais. Um exemplo desse processo é o fusca Herbie, personagem de diversos filmes dos estúdios Disney, como Se meu fusca falasse e Herbie - Meu Fusca Turbinado".
Robôs quase humanos (e outros nem tanto)
Asimo
Produzido pela Honda, o Asimo é um robô humanoide de 1,2 metro de altura. Ele é capaz de realizar uma ampla gama de movimentos, como empurrar carrinhos ou carregar bandejas. Ele também pode andar em superfícies irregulares, desviar de obstáculos e reconhecer sons e rostos.
O robô humanoide Tiro foi desenvolvido por um consórcio entre universidades e empresas, incluindo a sul-coreana Hanool Robotics. Tiro já provou sua versatilidade: ele deu uma aula de inglês de trinta minutos em uma escola primária em Daejeon, na Coréia do Sul e foi o mestre de cerimônias no casamento de um de seus criadores, Seok Gyeong-Jae.
Ema
EMA (Eternal Maiden Actualization) é uma "namorada robótica" de 38 centímetros de altura. Desenvolvida pela japonesa Sega Toys, EMA tem corpo feminino, dança, entrega cartões de visita e tem um "love mode": quando alguém aproxima a cabeça dela, EMA "beija" a pessoa. Tendo homens adultos como público alvo, EMA custa em média 175 dólares.
Nao
Nao é um robô humanoide de 58 centímetros de altura que se destaca pela versatilidade. Produzido pela francesa Aldebaran Robotics, ele é amplamente programável e pode ser utilizado para diversas funções, como pesquisa científica, terapia com crianças autistas e até mesmo em eventos e apresentações.
O Humanoid for Open Architecture Platform, HOAP, desenvolvido pela japonesa Fujitsu Automation, é capaz de aprender por meio da observação e interação com humanos. Ele é utilizado em estudos em universidades e pode ser programado para desempenhar diversas atividades, além de ser capaz de expressar emoções.
Apesar dessa aparência de brinquedo, o PaPeRo (Partner-type Personal Robot) é um avançado "robô pessoal" que está sendo desenvolvido pela japonesa NEC Corporation. Sua função principal é interagir com as pessoas: ele é capaz de reconhecer e pronunciar frases, reagir ao toque, andar e se recarregar sozinho. Ele também dança, recebe mensagens e ainda avisa sobre a previsão do tempo. Ele pode desenvolver diferentes personalidades, dependendo da forma como é tratado. Se ignorado, por exemplo, o PaPeRo se torna preguiçoso.
O Wheelie, da Toshiba, foi desenvolvido para ajudar em tarefas domésticas. Ele é capaz de carregar objetos no topo de sua cabeça, mas ainda não tem braços, de modo que não pode colocá-los ou tirá-los dali. Ele consegue desviar de objetos e subir e descer rampas.
Esse simpático robozinho de papelão foi criado por Kacie Kinzer, artista e designer americana. Programado para andar para frente de forma contínua, ele vaga sozinho pelas ruas de Nova Iorque,carregando uma bandeirinha com o local para onde deve ir e pedindo às pessoas para guiá--lo até lá. Cabe então a quem passa por ele virá-lo na direção correta e impedir que ele fique preso debaixo de bancos de praça, por exemplo. Kacie conta que todos os tweenbots chegaram ao destino, e nenhum foi danificado. Algumas pessoas até conversaram com o robô, dotado apenas de uma carinha sorridente pintada à mão.
O keepon é um boneco de neve amarelo que dança de acordo com a música que está tocando e reage ao toque. Ele foi criado por Hideki Kozima, do Instituto Nacional de Informação, Comunicação e Tecnologia de Kyoto, no Japão, e por Marek Michalowski, da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, para participar de estudos de comportamento social e interagir com crianças autistas. Uma "versão brinquedo" do robô está à venda no Reino Unido por cerca de trinta libras.
O cachorro robótico da Sony começou a ser vendido em 1999 e foi ganhando versões atualizadas até 2005, quando deixou de ser produzido. O Aibo (Artificial Intelligence roBOt) é capaz de expressar sentimentos como felicidade, tristeza e medo e aprender truques.
Sem peças metálicas e juntas aparentes, Pleo tem a aparência de um filhote de camarassauro, um dinossauro quadrúpede e herbívoro que habitou a Terra há cerca de 150 milhões de anos. A nova geração do robô, chamada Pleo rb (reborn, que significa renascer em inglês), vem com algumas características "inatas" e desenvolve outras ao longo da vida. Ele tem também seu próprio relógio biológico, que determina seus momentos de brincar, dormir e comer - existem diversas "comidinhas" para o Pleo, e de acordo com a empresa americana Innvo Labs, ele tem paladar apurado e desenvolve seus próprios gostos. Pleo está a venda e custa cerca de 500 dólares.
O único robô brasileiro da lista foi criado pelos alunos do curso técnico de Mecatrônica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), há seis anos, e desde então ele tem sido aperfeiçoado por diversas turmas. Tigrão ganhou esse nome devido a sua semelhança com o personagem da Disney. Ele movimenta braços e pernas, acena e faz expressões faciais e atualmente tem sido usado para entreter crianças hospitalizadas.

