O Globo
Período coincide com a campanha eleitoral no país
HANDOUT / REUTERS
Maduro em uma cerimônia em Caracas na última terça-feira
CARACAS — Durante todo o mês de abril, período que coincide com a campanha eleitoral na Venezuela, a ONG Instituto Prensa y Sociedad de Venezuela (IPYS Venezuela), contabilizou 48 casos de ataque contra a liberdade de expressão e informação, num total de 84 violações. A organização não governamental que defende a liberdade de imprensa no país, denunciou ainda um “uso desproporcional do poder estatal contra o trabalho da imprensa plural e independente”, segundo o “El Universal”.
De acordo com o IPYS, no período houve “hostilidade de diversos setores políticos partidários a jornalistas e meios de comunicação”. A maior incidência de obstrução ao trabalho da imprensa foi causado pelo uso abusivo do poder estatal, principalmente pelos órgãos de segurança e por funcionários do Conselho Nacional Eleitoral e autoridades executivas. Em todo o ano foram contabilizadas 115 violações.
“Os incidentes são contrários a garantias, em matéria de liberdade de expressão e informação, estabelecidas nos artigos 57 e 58 da Constituição da República Bolivariana da Venezuela, e outros instrumentos internacionais de proteção de direitos humanos”, destaca o documento.
Na quinta-feira, o o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, advertiu que deputados venezuelanos que não reconheçam a vitória de Nicolás Maduro ficarão sem receber seus salários. A medida, que deve ser estendida a assembleias estaduais e câmaras municipais, foi divulgada pouco depois de o opositor Henrique Capriles anunciar que vai pedir a impugnação das eleições presidenciais do último dia 14.
Nomeado herdeiro político de Hugo Chávez, Maduro venceu as eleições presidenciais por menos de dois pontos percentuais, o que levou a oposição a pedir a recontagem dos votos. Mas o Conselho Nacional Eleitoral concordou apenas com uma auditoria.
