domingo, agosto 25, 2013

Trabalho infantil afeta desenvolvimento da criança e do País

Luciana Nunes Leal  
Agência Estado

Estudo inédito mostra o impacto da exploração das crianças no ensino e no futuro da Nação

KEINY ANDRADE/Estadão 
Trabalho infantil nas ruas de São Paulo: maior cidade do País ainda não conseguiu erradicar
 o problema que prejudica o desempenho escolar e tem impacto no desenvolvimento do País

SÃO PAULO - O trabalho infantil prejudica o desempenho escolar e reduz em 17,2% o índice de aprovação. O progresso educacional é afetado em 24,2% dos casos e em 22,6% causa evasão escolar.

Os números fazem parte de um estudo sobre o trabalho infantil no Brasil elaborado pela consultoria Tendências, a pedido da Fundação Telefônica.

O estudo aponta que, no longo prazo, a capacidade de acúmulo de capital humano do País é reduzida por causa da utilização da mão de obra de crianças. Isso interfere no desenvolvimento da região e do Brasil.

Regiões. De acordo com o estudo,a maioria das crianças e adolescentes ocupados no Brasil está nas regiões Nordeste e Sudeste. O perfil dessas crianças é geralmente de meninos, primogênitos e afrodescendentes. 

KEINY ANDRADE/Estadão 
Trabalho infantil nas ruas de São Paulo: 
maior cidade do País ainda não conseguiu erradicar o problema que 
prejudica o desempenho escolar e tem impacto no desenvolvimento do País

A pesquisa será levada ao IV Encontro Internacional sobre Trabalho Infantil, que acontece em São Paulo na segunda-feira, 26, em São Paulo.

O trabalho infantil é definido pelo OIT (Organização Internacional do Trabalho) como qualquer atividade econômica exercida por crianças com menos de 12 anos, bem como funções exercidas por jovens abaixo dos 18 anos, enquadradas como "piores formas de trabalho" - tarefas que em geral afetam a saúde mental e física do adolescente.

Exploração. 
Crianças e adolescentes com nível educacional semelhante ao de adultos - e na mesma atividade econômica - ganham muito menos, sendo ainda desprovidos de benefícios trabalhistas - 68,8% dos adolescentes entre 16 e 17 anos trabalham sem carteira assinada.

No Brasil e no Paraguai, as principais atividades infantis estão relacionadas à agricultura. No Chile, Argentina e Uruguai, o trabalho infantil e adolescente está ligado ao comércio e varejo.

"Um ponto positivo da pesquisa é que avanços tecnológicos, além de promoverem desenvolvimento no processo produtivo, tendem a reduzir o trabalho infantil", diz Françoise Trapenard, presidente da Fundação Telefônica Vivo.