terça-feira, outubro 24, 2006

Os debates dos candidatos.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Temos assistido a todos os debates entre os presidenciáveis nesta campanha eleitoral. Até aqui temos evitado nos manifestar sobre as performances dos candidatos até porque muito pouco de programas se tem apresentado, e muito tempo tem-se gastado com lambanças de parte a parte.
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Mesmo que falte um que é o da Globo, podemos destacar alguns pontos que consideramos importantes, e que em diferentes ocasiões até temos escrito e comentado: primeiro, que Lula pode ser desmontado rapidinho se encontrar pela frente alguém que alie, além da firmeza de Alckmin, a coragem de apresentar a realidade tanto dos números quanto dos programas do governo. Como por exemplo, quando se voltou a falar do crescimento maior das grandes empresas em relação aos bancos temos aí dois ganchos. Um, que o crescimento é independente de políticas públicas, se deve mais ao cenário internacional favorável, além do fato de investimentos realizados em governos anteriores, não neste governo. Porque se não fosse por isso, bastaria Lula enumerar (e não conseguirá) as ações de governo que ele criou e desencadeou. Não fez uma só.
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Segundo, é preciso perguntar se Lula conhece a história do Brasil antes do governo de Fernando Henrique. Parece-nos que não, ou estava fora ou cuidando de outros interesses. Porque se aqui estivesse, a comparação do Brasil de agora, não teria sentido. O governo Lula só se mantém graças a estabilidade conquistada antes, e não agora.
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Terceiro, que governar para pobres, como Lula apregoa por todos os cantos, ficou mais fácil porque a rede de proteção social já existia pronta, com 8,5 milhões de famílias cadastradas e foi a partir deste ponto que ele fez o que fez. Do contrário, estaria no ponto inicial do fome zero, primeiro emprego e outras lorotas que ele prometeu e não conseguiu realizar.
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Quarto, em termos de política fiscal Lula é analfabeto por inteiro. Fale-se da renegociação das dívidas nos estados, pergunte-se sobre as privatizações além das telecomunicações as da siderurgia também. Mostre-se o desempenho destas empresas antes e depois. Mostre-se que, se continuassem estatais, não haveria no orçamento um centavo para benefícios sociais. Cite-se reformas essenciais como a Lei de Responsabilidade Fiscal, graças a quem se deve o poder público parar de gastar acima da arrecadação e por um freio firme no endividamento do governo federal, estados e municípios. Portanto, é fácil desmontar o discurso de Lula. Exibir números feito papagaio de madame com muita encenação teatral pode parecer bonitinho prô povão. Mas mostrem as filas nos postos de atendimento do INSS e junte-se as promessas e as declarações de gente do governo dizendo que não há mais filas, que elas são fruto da cultura do povo que “adora” ir de madrugada buscar senha de atendimento! Mostre-se o discurso da saúde quase perfeita e visite-se qualquer hospital público nas grandes cidades. Exiba-se os índices de mortalidade e trabalho infantil antes de Fernando Henrique e os que Lula encontrou. Ou seja, Lula tinha a obrigação de avançar em várias questões, porque encontrou a casa arrumada e as condições para isso. E nem assim seu governo realizou o que poderia, o que prometera e o que deveria.
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Ao discutir-se o fim da amarração do FMI, Lula não explica do porquê de o Brasil ainda estar realizando superávits primários de 4,25%, muito acima do que o fundo apregoava que era de 3,75%. Ora se não há mais a dívida por que continuamos submissos à receita ? E sobre este assunto ainda voltaremos em um artigo específico.
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Além disto, mais de 60% dos números de Lula são mentirosos e não batem com as estatísticas oficiais. Os cortes que Lula fez nos recursos da Saúde, da Segurança Pública e da Infra-estrutura não foram até aqui explicados devidamente, razão pela qual estas área encontram-se abandonadas. O que de Infra-Estrutura está se realizando começou com planos de desenvolvimento desencadeados no governo anterior.
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Além disto, quando diz que o país nunca como “dantez” reuniu tantos indicadores positivos na economia, e com o mundo crescendo a taxas na média de 7% nos países emergentes, por que só o Brasil não passa dos 3% ? Mais: se há tanto dólar proveniente das exportações, por que o Brasil continua incentivando entrada de dólar para financiamento de dívida, sabendo-se que pagamos as taxas de juros mais altas do mundo ? Por que o Brasil trocou a dívida externa que remunerava no máximo 5 a 6% ao ano por uma dívida interna que chegou a pagar mais de 20% ao ano ? Qual a vantagem ? Qual o custo social que vai provocar no país ? Mais: ao incentivar mais ingressos de dólares, estamos mudando a matriz da balança comercial de exportadora para importadora, cuja conseqüência é desindustrializar o país provocando desemprego, perdendo renda, baixando a arrecadação, provocando estagnação econômica ! Mais: por que Lula nunca fala de sua política de reforma agrária ? Pela simples razão de que os números lhe são amplamente desfavoráveis ! Por que Lula nunca fala de seu projeto de legalização do aborto ? Medo da reação da sociedade brasileira, uma vez que o projeto corre solto e está sendo implantado às escondidas da opinião pública. Por que ele não abre o sigilo e torna transparentes os gastos do cartão de crédito corporativo da Presidência ? Porque os números demonstram o desperdício e a luxúria que ali se vive a partir de Lula.
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Além disto tudo, Lula não pode negar a corrupção do seu governo. Apuração ? Recorram ao jornais e façam um apanhado para perceberem o quanto Lula e seus asseclas tentaram e ainda tentam brecar investigações. Demonstre-se o empobrecimento duplo da classe média, de um lado, perdendo emprego, renda e benefícios dos serviços públicos sucateados, em favor da classe mais pobre. E de outro, por perda de renda em favor dos banqueiros.
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Ufa, o que não faltam são motivos mais do que suficientes para mudar de governo. A receita do bolo de Lula só tem provocado atrasos, empobrecimento, sucateamento de serviços, criminoso aumento dos índices de violência urbana e rural e de corrupção na esfera federal. O uso inconseqüente da máquina pública em favor de um partido político está fazendo o governo perder seu rumo ético e republicano.
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E mais: segundo estudos da UNESCO, o Brasil nos últimos 10 anos reduziu sua pobreza à metade. Ora façam um simples cálculo: Lula faz intensa propaganda de haver reduzido a pobreza em 19,1 %. Para completar o total apontado pela UNESCO, onde foi conseguido os demais 30,1% de redução da pobreza? Claro, no governo anterior. Portanto, reduziu muito mais o FHC do que o Lula. E pela razão simples dele ter acabado com a inflação, correção monetária e atingido a estabilidade econômica que permitiu aumento de renda, ganhos reais na economia. E apesar de haver enfrentado um período de baixo crescimento da economia mundial e cinco graves crises de liquidez financeira como a de México, Turquia, Argentina, Rússia e Sudeste Asiático. E ainda, na média, o crescimento do País é tão semelhante quanto ao de Lula que não encontrou nenhuma crise e a casa já estava arrumada.
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Há assuntos tabus que ficaram de fora do debate um deles já falei acima que foi a reforma agrária. Outro a questão do aborto. Outro, a censura à imprensa e regulamentação dos meios de comunicação. A participação como fundador e presidente do Foro de São Paulo, sabidamente uma organização de esquerda formada por narco-traficantes latino americanos.
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Mesmo assim, pode até o povo brasileiro escolher Lula para um novo mandato. Mas fica claro e evidente que a fórmula que ele empregou agora, e conforme se pode perceber que irá empregar em provável segundo turno, provocará sérias dificuldades para o Brasil. Até porque, ao assumir o governo havia 8,0 milhões de pessoas desempregadas. Apesar de cantar loas à geração de 7,5 milhões de empregos, sendo 5,5 milhões com carteira assinada, a realidade nossa é a de que temos 9,5 milhões de desempregados cadastrados. Houve crescimento sim, pelas empresas que desempregaram nas áreas em que a política cambial fechou postos de trabalho, pelo aumento vegetativo da população ter sido maior que o da economia na geração de novos postos, também por culpa da crise na agropecuária provocada desastradamente pelo governo atual. Ou seja, avançou-se em áreas prontas para avançar como na questão social. Mas aí Lula não precisou fazer esforço algum. Estava tudo pronto. Mas naquilo que realmente interessa ao país, sem dúvida retrocedemos e perdemos oportunidade.
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Portanto, a busca pelo melhor deveria levar o eleitor a trocar o duvidoso pelo certo. E isto só não acontecerá por duas razões: por um discurso professoral demais de Alckmin durante grande parte da campanha. Poderia já no primeiro turno ter provocado questões importantes. E, em segundo, pelo terrorismo eleitoral praticado por Lula e o PT com mentiras e calúnias plantadas antes de iniciar-se a campanha do segundo turno. Foram doze dias em que Lula, sem propaganda eleitoral no ar, colocou a eleição à sua disposição.
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Porém é bom lembrar: este castelo está fundado em alicerces falsos, fracos e de mentiras. Vamos ver por quanto tempo o discurso resistirá em lugar do trabalho e da seriedade que faltou e falta a Lula. E vale lembrar, por fim, que a economia já não terá o mesmo gás e o mesmo humor que experimentou nos últimos quatro anos. Bem como não mais poderá Lula recorrer ao discurso cínico e cretino de culpar o governo anterior pelas mazelas que seu próprio venha a cometer. Além do que, é possível perceber, a sociedade brasileira já não será tão generosa nas avaliações das ações de Lula à frente do governo federal. Até aqui Lula colheu na horta alheia e na bonança da economia mundial, os frutos que não plantou. Agora, precisará ele mesmo arar e adubar a terra, plantar e torcer para dar tudo certo. Conforme já dissemos anteriormente, oxalá o mundo nos dê uma segunda chance. A primeira jogamos fora e parece não nos termos dado conta. Haja reza daqui prá frente !!!