terça-feira, outubro 24, 2006

O crime comprovado

por Clóvis Rossi,
Publicado na Folha de S. Paulo
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A Polícia Federal, tão elogiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está acusando o presidente-candidato de crime eleitoral. É a única conclusão possível a tirar do relatório parcial do delegado Diógenes Curado Filho a respeito do caso do dossiê. Basta seguir o teorema seguinte:
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1 - O delegado acusa Jorge Lorenzetti de ter sido "a pessoa que articulou em âmbito nacional a compra do dossiê". A propósito, Gilberto Carvalho, o secretário particular do presidente, também aponta o dedo, indiretamente, para Lorenzetti. Descobertos os telefonemas que trocou com o acusado, Carvalho afirmou: "Disseram que o Lorenzetti estava no rolo". Quem "disseram", cara pálida? Só pode ter sido gente da campanha, do governo ou do PT.
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Quem quer que seja, sabia que os que Lula chamou de "aloprados" (mas que, na verdade, são delinqüentes) são perfeitamente capazes de meter-se em "rolos" (crimes, em português claro).
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2 - O chefe do "rolo", Lorenzetti, era, à época, analista de risco e mídia da campanha Lula.
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3 - É crime eleitoral não apenas usar dinheiro ilícito para fins eleitorais mas também captá-lo. Se Lorenzetti "articulou em âmbito nacional a compra do dossiê", cometeu crime eleitoral.
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4 - O candidato, como o próprio Lula admitiu, na sabatina da Folha, responde pelos ilícitos cometidos pela sua campanha.
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É elementar, meus caros Watsons da vida. Se vai ou não produzir conseqüências, só se saberá com o caminhar do processo já em curso na Justiça Eleitoral, o que pode tardar anos, muitos, talvez.
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De todo modo, pela primeira vez a eleição de um presidente estará "sub judice", por culpa única e exclusiva do que Lula chama de "burrices" de seus amigos e correligionários, fugindo de novo à palavra certa: foram crimes.