sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Lula ataca 'formadores de opinião' em festa do PT

Comentando a Notícia

No Estadão, texto de Vera Rosa, Leonêncio Nossa e Eugênia Lopes, Lula, na festa dos 31 anos do PT, voltou em seu velho e habitual cretinismo de atacar os formadores de opinião. A bronca de Lula é antiga: ele só aceita e concorda com aqueles que o bajulam e aceitam, sem discussão, sua mentiras e impropérios.

Ele não tem ódio apenas da democracia, a exemplo de todos os petistas: ele nutre um incontida raiva contra quem fala a verdade. E a verdade, nem sabemos, é desmascarar a mistificação e pilantragem do maior vigarista dentre todos os presidentes da república.

A depender de minha opinião, exclusivamente, pode tirar o cavalo da chuva: jamais chegará a 100% de boa popularidade. Razões não faltam para torcer o nariz para o fanfarrão. Não apenas porque se gaba de ser ignorante, mas porque tenta elevá-la a categoria de valor com o qual se pode vencer na vida.

É claro que ele se sente meio enciumado por ser Dilma, e não ele, a sentar na cadeira presidencial. Entende que ela ali está para servir como uma espécie de mandatária de sua vontade. Lula privatizou a presidência da república para seu uso exclusivo. Ninguém é melhor do que ele, ninguém fez mais do que ele, ninguém fará melhor do que ele pensa que fez. Para esta figura, é uma injustiça a história da civilização ocidental se dividir em períodos antes e depois de Cristo. Ele é quem deveria servir de divisor das águas.

O governo de Dilma presidente pode até ser uma continuidade do seu período. Mas Lula é único, com defeitos e virtudes, Dilma é única também, com qualificações e limites. Sempre, por mais que ela tente ser discípula do bestalhão, haverá algo para diferenciá-los além do sexo. Ela, pelo menos estudou um pouco mais do que ele que, quando pode, preferiu seguir preguiçoso e semiletrado.

Menos mal que todos somos passageiros temporários no trem da história. Ninguém é insubstituível. Ninguém pode mais ou pode menos. Lula passou oito anos mentindo a soldo em suas andanças, aqui e lá fora.

Sua herança como governante é maldita porque colocou em risco, com sua irresponsabilidade, a estabilidade econômica e o crescimento sustentável do país. É vergonhosa porque degradou o quanto pode todos os serviços públicos em favor da população. É deprimente por ter praticado uma desconstrução institucional que será difícil de recuperar. É deplorável porque entupiu o Estado com o que existe de pior em termos de ideologia política. É indecente porque impôs os valores da baixa cultura, da baixa moral, fez do cinismo o seu prato predileto, e da mentira seu instrumento de trabalho.

Em todos os aspectos que já analisamos seu governo, a não ser a manutenção da obra que encontrou pronta, naquilo que impôs ou tentou inovar, o resultado final foi péssimo, abaixo da crítica.

Leiam o artigo sobre o confisco sobre os trabalhadores assalariados com o qual encerramos esta edição. Vejam o desmonte do farsante na questão dos salários, no confisco que aplicou durante oito anos sobre os trabalhadores de menor renda.

Assim, não me surpreende este ódio mortal que Lula destila por todos os seus poros contra os que o desmistificam, contra aqueles que o desmascaram, contra todos os que mostram que a sua verdade não passa de um monte fedorento de cinismo e hipocrisia.

Segue o texto do Estadão.

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Nos 31 anos do partido, ex-presidente afirma que sucessos e fracassos de Dilma são seus também

Andre Dusek /AE

Lula conversa com José Eduardo Dutra,
presidente do PT, observado por Dirceu
BRASÍLIA - Durante participação nas comemorações dos 31 anos do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou nesta quinta à noite, em tom exaltado, os "formadores de opinião" que, segundo ele, estão tentando criar diferenças entre o governo dele e o de Dilma Rousseff. "O sucesso do governo Dilma é o meu sucesso. O fracasso de Dilma é o meu fracasso", reclamou. "Se a grande desconstrução do governo Lula é falar bem do governo Dilma, eu posso morrer feliz", completou. "Alguém tem de fazer mais e melhor, se era para fazer a mesma coisa, eu disputaria o terceiro mandato."

Em tom de ironia, Lula disse que irá bater palmas toda vez que falarem bem de Dilma. "Eu apenas não estou no governo. Mas sou governo como qualquer companheiro que está no governo", afirmou. "A minha relação política com a Dilma é indissociável nos bons e nos maus momentos."

Quarenta dias após descer a rampa do Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a estrela do ato político organizado pelo PT, nesta noite, para comemorar os 31 anos do partido. Diante de um partido dividido por disputas internas relativas a cargos e espaços nas comissões do Congresso, Lula está sendo reconduzido à presidência de honra do PT em clima de forte emoção.

Com uma guaiabeira vermelha, Lula abriu o discurso comparando a vida de um ex-presidente a de um "cão que cai de um carro de mudança". Logo em seguida, ele disse que tinha consciência do papel reservado ao PT, a ele e aos partidos de esquerda na sociedade brasileira. "Para compreendermos bem o significado dos 31 anos de existência do PT, é preciso fecharmos os olhos por alguns minutos e imaginar o Brasil sem PT", disse. "Imagine o vazio político sem um partido com a força e a composição heterogênea do PT?"

Lula tentou acabar com o mal estar e o clima pesado das disputas com um discurso em tom de brincadeira. "Um militante revolucionário tem duas namoradas: uma tática e outra estratégica", disse, provocando risos da plateia. Ao defender a trajetória do PT, ele criticou a "lógica" política predominante antes da fundação do partido. "Os partidos tradicionais compreendiam que a classe operária não tinha poder de liderança, tudo era espontâneo e só quem sabia fazer era a classe letrada."