Cecília Ritto, Veja online
Agora, empresa da prefeitura diz que recebeu da Liesa, em 2010, documento sobre falhas no sistema de água. A Liga nega
A RioUrbe, empresa municipal de construção civil, informou que, em novembro de 2010, recebeu da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) um documento solicitando ajustes na rede de água. Depois de várias reuniões entre a empresa e representantes da Liesa, o consórcio responsável pela execução da obra da Cidade do Samba (Delta e Oriente) realizou os reparos necessários. De acordo com a RioUrbe, o serviço foi executado há 20 dias. No incrível jogo de empurra que começou logo depois do incêndio que destruiu quatro barracões na Cidade do Samba, o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, nega que tenha saído da Liga qualquer documento com esse teor.
De início, tanto a Liesa quanto o administrador da Cidade do Samba, Ailton Guimarães, afirmaram que o sistema de prevenção e combate a incêndio funcionou perfeitamente – o problema foi a intensidade do fogo, e a rapidez com que as chamas se alastraram. Mas funcionários que trabalhavam no local informaram que os sprinklers não funcionaram. E o diretor de Serviços Técnicos do Corpo de Bombeiros, Délio Nery, disse que a Cidade do Samba foi notificada no ano passado sobre a existência de um vazamento no sistema de água que abastece os sprinklers dos barracões. O Ministério Público do Rio de Janeiro abriu inquérito para averiguar as causas da tragédia que acabou com o carnaval da Grande Rio e prejudicou gravemente os desfiles da Portela e da União da Ilha.
Na terça-feira, a Riourbe realizou nova vistoria na Cidade do Samba e, nesta quarta, começa a remoção das telhas metálicas que foram atingidas no incêndio. Em oito dias, o planejamento para desmonte das estruturas estará concluído e o trabalho de reconstrução dos barracões atingidos será iniciado. A Prefeitura ainda não tem estimativa de prazo e custo dos reparos.