segunda-feira, março 24, 2008

Por que a Petrobrás perdeu rentabilidade ?

Adelson Elias Vasconcellos

No próximo post,vamos reproduzir uma longa reportagem publicada na Revista Exame que acaba de chegar às bancas, na qual se tenta, ao menos, encontrar explicações convincentes para a queda nos lucros da Petrobrás.

Apesar do o governo anunciar nossa “auto-suficiência”, o que já comprovamos aqui ser uma grossa mentira, o fato é que o volume de produção nunca foi tão alto. Claro que a gasolina que move a maior frota de automotores no país precisa ser importada, e o petróleo nunca esteve tão caro no mercado internacional, como de 2007 para cá. Mas, por outro lado, produzimos petróleo suficiente para haver pelo menos um certo equilíbrio, e assim, manter por certo tempo os preços estabilizados no mercado interno. Então por que o lucro reduziu-se quase 20% entre 2006 e 2007?

Mais: nunca se produziu e se vendeu tantos automóveis no país como agora. Assim, é de se supor que o consumo também esteja elevado. Mas há questões que a reportagem acaba abordando com muita propriedade, e uma delas é o fato de que a estrutura de gestão da estatal brasileira acaba encorpando muito mais gordura do que outras empresas petrolíferas privadas, e isto começa a dar luz para a resposta que se busca.

Ainda nesta semana, o senhor Luiz Inácio disse que, apesar do preço internacional ter batido no nível recorde de toda a história, em US $ 110,00/barril, o preço interno dos combustíveis não iria subir. Mas questionamos se a resposta foi de natureza política ou econômica, porque muito embora estatal, existem milhares de outros acionistas aos quais a Petrobrás deve satisfação. Ninguém gosta de ver seu investimento se desvalorizar por má gestão.

A preocupação, pela perda de rentabilidade, se deve ainda e sobretudo pelo uso da companhia com um instrumento de governo, o que contraria os postulados básicos do que manda a boa administração. A estatal é uma companhia aberta, seu capital está fracionado entre milhares de acionistas, e deve ser dentro desta ótica que ela precisa ser gerida. Não é por outra razão que a estatal venezuelana, a PDVSA, por exemplo, também caiu muito no mesmo terreno. Conseqüências de um governo voltado para o próprio umbigo de seus governantes, e que redunda em jogar no ralo da incompetência estatal, um importante gerador de divisas que poderia ser carreada em proveito de todos, e não apenas de alguns.

Não estamos, por outro lado, insinuando que a Petrobrás deve ser ou não privatizada. Mas nada impede de que, mesmo sendo estatal, possa ser rentável.