segunda-feira, março 24, 2008

Lula recomenda ‘despolitização’ da crise da dengue. Mas quem que foi politizou ?

O artigo é do Josias de Souza, na Folha online. Voltamos no final para comentar.

Com quase cinco dezenas de cadáveres de atraso, os governos federal, estadual e municipal sentam-se à volta de uma mesa, nesta segunda-feira (24), para esboçar uma estratégia comum de combate à epidemia de dengue que infelicita o Rio. Durante o final de semana, Lula fez, em privado, uma recomendação aos seus auxiliares. Pediu-lhes que “despolitizem” o ambiente.

A hora, disse o presidente, não é de apontar culpados. Antes, convém deter a doença, dar atenção aos infectados e evitar o acúmulo de mortes. O encontro do “Gabinete de Crise”, como o ministério da Saúde batizou o grupo tripartite, reúne-se no início da tarde, na capital fluminense. Marcado inicialmente para as 16h, o encontro foi antecipado para as 13h.

Embora o ministro José Gomes Temporão (Saúde) o tenha responsabilizado pelo agravamento da crise, o prefeito Cesar Maia ordenou à sua equipe que não deixe de comparecer ao encontro. O "time" do município será encabeçado pelo secretário de Saúde, o médico oncologista Jacob Kligerman.

“Para nós, essa mobilização não é uma novidade”, disse Kligerman ao blog, na noite deste domingo (24). “Nós operamos com um grupo de crise desde o dia 15 de março. Envolve oito secretarias. Estamos fazendo tudo o que é possível. Temos 174 unidades mobilizadas –145 postos de saúde e 27 unidades hospitalares.”

Temporão e Cesar Maia vêm se estranhando desde a semana passada. O ministério Da Saúde responsabilizou a prefeitura pelo avanço desmedido da dengue. Mencionou duas “evidências”: a “desestruturação” da rede de atenção básica e a “baixa implementação” das equipes de saúde da família que, na cidade do Rio, cobririam apenas 8% da população.

Para Kligerman, o secretário de Saúde do gabinete de Cesar Maia, chega a ser “antipatriótico culpar um ou outro por essa epidemia.” Ele lembra que, em 2002, o próprio Lula, então candidato à presidência da República, "responsabilizara o [José] Serra", ex-ministro da Saúde de FHC, por um surto de dengue que se abatera sobre o Rio.

“Acho esse tipo de comportamento uma estupidez. Mas em período eleitoral parece que vale tudo. Como não sou político, não me meto”, disse o secretário municipal de Saúde. Em 2002, Kligerman era diretor-geral do INCA (Instituto Nacional do Câncer), que, à época, teve de se envolver no esforço para conter o avanço da dengue.

Hoje, ele comenta: “A experiência trágica daquele ano tem nos auxiliado agora. A dengue é de diagnóstico muito difícil. Se confunde com uma virose comum. Mas o pessoal está muito treinado. E nós estamos treinando mais de 2.000 pessoas, inclusive de entidades particulares e do próprio Estado.”

O que mais surpreende na crise atual, diz o secretário, “é o alto grau de letalidade, especialmente de crianças.” Em todo Estado, os mortos são contados em 48. Neste domingo, surgiu a suspeita de uma 49ª morte por dengue. De novo, uma criança. “Nosso objetivo prioritário é reduzir radicalmente a letalidade”, diz Kligerman.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Lula visita a Mangueira e critica atuação de Serra contra a denguePor Fábio Zanini e Fábio Portela:
O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou duramente a administração de José serra no Ministério da Saúde durante discurso na quadra da escola de samba Mangueira, no Rio de Janeiro.Sem citar Serra nominalmente, Lula atacou a política de combate à dengue adotada pelo governo federal nos últimos anos e disse que o uso de medicamentos genéricos no país ainda é muito pequeno.

Lula fez as declarações ao lançar seu programa de governo para a área da Saúde. "Sabem por que estamos lançando esse programa aqui no Rio? Aqui foi o exemplo do desleixo maior do governo federal no combate à dengue", disse o candidato.

Esta é a notícia publicada pela Folha online, dia 20 de setembro de 2002, quando Lula era candidato. Ou seja, apesar dos milhares infectados pelo vírus da dengue, ele não soube respeitar e tentou tirar proveito político.

Diante da catástrofe que se transformou a política de saúde pública adotada em seu governo, e mesmo já vivendo a intensidade da epidemia, com mortes e gente saindo pelo ladrão sem conseguir atendimento médico na rede pública, seu ministro, José Temporão, se apresou em atacar o governo municipal e, pra variar, também as vítimas. Isto é, o ministro é rápido para forçar a morte de fetos, mas ruim para acabar com o mosquito aedes. E, vocês já leram aqui, que o governo do senhor Luiz Inácio, ainda contando com a receita da CPMF, em 2007, aplicou apenas 55% do total previsto nos programas de prevenção da dengue.

Claro, como o discurso imbecil não colou, então vamos tratar dos doentes que ainda não morreram. Afinal é ano de eleição, não é mesmo ?