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Reportagem publicada pela "Folha de S. Paulo", edição de 28/08, incluindo entrevista de Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central, sempre muito claro em suas afirmações, revela que o volume de crédito bancário no País avançou 21,5 por cento ao longo dos últimos doze meses e, em julho, atingiu 800 bilhões de reais.
O aumento do volume ganha disparado do crescimento do Produto Interno Bruto no mesmo período, uma vez que este oscila em torno de 4 por cento. A população brasileira passou a ser 1,3 por cento maior, de acordo com o IBGE. Oitocentos milhões de reais, por seu turno, correspondem praticamente a 40 por cento do PIB.
Os juros cobrados pelos bancos às empresas ficaram em 36 por cento. Os aplicados aos créditos liberados para pessoas físicas atingiram a média de 47 por cento. Nem vale a pena falar das taxas dos cheques especiais, de aproximadamente 130 por cento ao ano. A inflação anual é de 3,7 por cento, entre julho de 2006 e julho de 2007. A concentração de renda está nítida - e cada vez mais forte - em todo este processo econômico.
O setor financeiro está absorvendo quase todos os ganhos de capital. Basta comparar a inflação com os juros. Inclusive os pagos pelo Tesouro Nacional (11 por cento ao ano) para rolar a dívida mobiliária interna de 1 trilhão e 200 bilhões de reais. Os ganhos da área financeira não acrescentam ao PIB. Vão para onde? Para fora do País, provavelmente.
E os salários? No máximo acompanham a inflação. Isso quanto às empresas privadas e estatais. Para os funcionários públicos nem de longe tal solução se coloca. No serviço público federal, desde Fernando Henrique a diferença entre a inflação e a reposição é enorme. Distância mantida pelo governo Lula. É só olhar os números. São oficiais. No Estado do Rio de Janeiro, que possui mais de 300 mil funcionários, existe um abismo. A taxa inflacionária atingiu 94 por cento no espaço de doze anos e os reajustes ficaram contidos na escala de 21 por cento. Minha parte há de estar com alguém.
Não há perspectiva de alteração do panorama. O pensamento conservador impôs-se totalmente na economia, com o capital absorvendo seguidamente os resultados do trabalho. Até o ex-ministro Delfim Neto admitiu isso ao participar, terça-feira passada, de painel de debates promovido pela mesma "Folha de S. Paulo". Para ele, os juros reais cobrados no País não deveriam passar de 4 por cento. Significa que ele defende índice de 7,7 por cento ao ano, já que a inflação de julho do exercício passado a julho deste ano registra 3,7 pontos.
O Tesouro Nacional, assim, na opinião delfiniana, deveria pagar 7,7 por cento (e não 11 por cento) para continuar rolando a dívida interna que, ao longo dos últimos cinco anos, elevou-se na base de 60 por cento. Surpresa? Não. Lula a recebeu de FHC no patamar aproximado de 799 bilhões. Hoje, o endividamento encontra-se, como disse há pouco, em 1 trilhão e 200 bilhões. Os juros pagos, contudo, baixaram, temos de reconhecer.
Depois de terem alcançado níveis mais altos, eles eram de 26 por cento em janeiro de 2003 quando Lula assumiu, foram descendo a ladeira. Hoje estão em 11 por cento. No fundo, projeta-se um equilíbrio. Os juros caíram em torno de 60 por cento. O estoque da dívida subiu outros 60 por cento. Um empate, no fundo. Bom sinal? Nem tanto. Como em certas decisões no futebol, este esporte mágico, o empate nos desclassifica. Quer dizer, desclassifica o povo brasileiro.
Por que isto? Porque o processo de endividamento cresce muito mais do que o PIB. Que dirá em relação à redistribuição de renda? Muito mais ainda. Falei em pensamento conservador, portanto em política conservadora. É isso mesmo. A administração Itamar Franco pode, sem favor algum, ser considerada reformista em relação ao superconservador Fernando Henrique e ao conservador Lula.
Itamar entregou a dívida interna a FHC no montante de 62 bilhões de reais. FHC a multiplicou por onze. Lula adicionou a ela mais 60 por cento. A idéia da reforma social parou no País. Venceu duas vezes nas ruas, sucessão de 2002 e reeleição no ano passado. Mas a opção tornou-se clara.
Excetuando o Bolsa Família, projeto emergencial, o caráter conservador da administração está caracterizado na formação do ministério. O ministro da Agricultura é Reinhold Stephanes, ministro da Previdência de Fernando Collor. O homem que negou reajuste de 147 por cento aos aposentados e pensionistas do INSS e foi derrotado por larga margem de votos pelo STF: 9 a 2. O volume de crédito, maravilha para o sistema financeiro e bancos internacionais e nacionais, está superando disparado o PIB e os salários. Onde estará o seu limite e o limite dos assalariados?
Reportagem publicada pela "Folha de S. Paulo", edição de 28/08, incluindo entrevista de Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central, sempre muito claro em suas afirmações, revela que o volume de crédito bancário no País avançou 21,5 por cento ao longo dos últimos doze meses e, em julho, atingiu 800 bilhões de reais.
O aumento do volume ganha disparado do crescimento do Produto Interno Bruto no mesmo período, uma vez que este oscila em torno de 4 por cento. A população brasileira passou a ser 1,3 por cento maior, de acordo com o IBGE. Oitocentos milhões de reais, por seu turno, correspondem praticamente a 40 por cento do PIB.
Os juros cobrados pelos bancos às empresas ficaram em 36 por cento. Os aplicados aos créditos liberados para pessoas físicas atingiram a média de 47 por cento. Nem vale a pena falar das taxas dos cheques especiais, de aproximadamente 130 por cento ao ano. A inflação anual é de 3,7 por cento, entre julho de 2006 e julho de 2007. A concentração de renda está nítida - e cada vez mais forte - em todo este processo econômico.
O setor financeiro está absorvendo quase todos os ganhos de capital. Basta comparar a inflação com os juros. Inclusive os pagos pelo Tesouro Nacional (11 por cento ao ano) para rolar a dívida mobiliária interna de 1 trilhão e 200 bilhões de reais. Os ganhos da área financeira não acrescentam ao PIB. Vão para onde? Para fora do País, provavelmente.
E os salários? No máximo acompanham a inflação. Isso quanto às empresas privadas e estatais. Para os funcionários públicos nem de longe tal solução se coloca. No serviço público federal, desde Fernando Henrique a diferença entre a inflação e a reposição é enorme. Distância mantida pelo governo Lula. É só olhar os números. São oficiais. No Estado do Rio de Janeiro, que possui mais de 300 mil funcionários, existe um abismo. A taxa inflacionária atingiu 94 por cento no espaço de doze anos e os reajustes ficaram contidos na escala de 21 por cento. Minha parte há de estar com alguém.
Não há perspectiva de alteração do panorama. O pensamento conservador impôs-se totalmente na economia, com o capital absorvendo seguidamente os resultados do trabalho. Até o ex-ministro Delfim Neto admitiu isso ao participar, terça-feira passada, de painel de debates promovido pela mesma "Folha de S. Paulo". Para ele, os juros reais cobrados no País não deveriam passar de 4 por cento. Significa que ele defende índice de 7,7 por cento ao ano, já que a inflação de julho do exercício passado a julho deste ano registra 3,7 pontos.
O Tesouro Nacional, assim, na opinião delfiniana, deveria pagar 7,7 por cento (e não 11 por cento) para continuar rolando a dívida interna que, ao longo dos últimos cinco anos, elevou-se na base de 60 por cento. Surpresa? Não. Lula a recebeu de FHC no patamar aproximado de 799 bilhões. Hoje, o endividamento encontra-se, como disse há pouco, em 1 trilhão e 200 bilhões. Os juros pagos, contudo, baixaram, temos de reconhecer.
Depois de terem alcançado níveis mais altos, eles eram de 26 por cento em janeiro de 2003 quando Lula assumiu, foram descendo a ladeira. Hoje estão em 11 por cento. No fundo, projeta-se um equilíbrio. Os juros caíram em torno de 60 por cento. O estoque da dívida subiu outros 60 por cento. Um empate, no fundo. Bom sinal? Nem tanto. Como em certas decisões no futebol, este esporte mágico, o empate nos desclassifica. Quer dizer, desclassifica o povo brasileiro.
Por que isto? Porque o processo de endividamento cresce muito mais do que o PIB. Que dirá em relação à redistribuição de renda? Muito mais ainda. Falei em pensamento conservador, portanto em política conservadora. É isso mesmo. A administração Itamar Franco pode, sem favor algum, ser considerada reformista em relação ao superconservador Fernando Henrique e ao conservador Lula.
Itamar entregou a dívida interna a FHC no montante de 62 bilhões de reais. FHC a multiplicou por onze. Lula adicionou a ela mais 60 por cento. A idéia da reforma social parou no País. Venceu duas vezes nas ruas, sucessão de 2002 e reeleição no ano passado. Mas a opção tornou-se clara.
Excetuando o Bolsa Família, projeto emergencial, o caráter conservador da administração está caracterizado na formação do ministério. O ministro da Agricultura é Reinhold Stephanes, ministro da Previdência de Fernando Collor. O homem que negou reajuste de 147 por cento aos aposentados e pensionistas do INSS e foi derrotado por larga margem de votos pelo STF: 9 a 2. O volume de crédito, maravilha para o sistema financeiro e bancos internacionais e nacionais, está superando disparado o PIB e os salários. Onde estará o seu limite e o limite dos assalariados?