terça-feira, setembro 18, 2007

Expansão do PIB do Brasil foi a menor entre os Brics

Juliana Rangel - O Globo Online

RIO - Apesar de um crescimento de 5,4% do Produto Interno Bruto brasileiro no segundo trimestre do ano, o Brasil ainda figura em último lugar no ranking dos que mais cresceram entre os quatro principais emergentes do mundo, grupo denominado Bric, que engloba, além do Brasil, a Rússia, a Índia e a China.

Segundo um levantamento feito pela consultoria Tendências, a Rússia teve uma expansão de 7,8% de sua economia entre o segundo trimestre deste ano e o mesmo período de 2006, contra expansões de 11,9% da China e de 9,3% da Índia.

" Enquanto em todos os outros países do Bric o crescimento vem se estabilizando em um mesmo ritmo, no Brasil a expansão aumenta."

Na avaliação do economista Filipe Albert, no entanto, há uma tendência de que os outros três países do grupo cresçam a um ritmo cada vez menor, enquanto, no Brasil, a tendência é de escalada a passos mais largos. A China, que cresceu 10,7% em 2005 e 10,4% em 2006, por exemplo, deverá ter uma expansão econômica de 10% em 2007. A Índia, que teve crescimento de 9,2% em cada um desses anos deverá ver sua economia crescer 8,5% em 2007. Na Rússia, onde a expansão do PIB ficou em 6,4% e 6,7% em 2005 e 2006, respectivamente, a alta deverá ser de 6,4% neste ano, nas projeções da Tendências.

- Enquanto em todos os outros países do Bric o crescimento vem se estabilizando em um mesmo ritmo, no Brasil a expansão aumenta. O país cresceu 2,9% em 2005 e 3,7% em 2006. Para 2007, nossa projeção é de um aumento do PIB de 4,8%, o que é bastante considerável - diz.

Segundo Albert, apesar de a expansão econômica ainda ficar bem abaixo dos outros emergentes em termos percentuais, é importante salientar que o Brasil vive uma fase diferente.

- Esta fase em que eles estão agora, de crescimentos elevados, é mesma pela qual o Brasil passou entre as décadas de 50 e 70. O que vemos é que eles ainda estão em um período de industrialização, enquanto no Brasil há um crescimento muito forte do setor de serviços. Estamos muito mais próximos dos países desenvolvidos - distingüe.

" Esta fase em que eles estão agora, de crescimentos elevados, é mesma pela qual o Brasil passou entre as décadas de 50 e 70. O que vemos é que eles ainda estão em um período de industrialização, enquanto no Brasil há um crescimento muito forte do setor de serviços "

O economista acrescenta que é mais fácil registrar um crescimento percentual maior quando a base de comparação é mais baixa.

- Se você pega o PIB per capita, percebe que o do Brasil é três vezes maior que o da China e muito maior que o da Índia - diz.

Albert avalia que o resultado do PIB brasileiro divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi positivo, sobretudo em função da forte influência do aumento da demanda doméstica. De acordo com o levantamento, o consumo das famílias cresceu 5,7% na comparação com o mesmo trimestre de 2006.

- O aumento da renda e a expansão do crédito deu suporte para que o consumo aumentasse. Além disso, com uma previsibilidade maior da política econômica, o que já vem acontecendo há algum tempo, as pessoas sentem-se mais confortáveis para gastar mais e o crédito oferecido pelos bancos também aumenta. Os investimentos também aumentaram , o que é positivo pois sinaliza que a oferta de bens e serviços tem tudo para acompanhar a demanda nos próximos trimestres sem que haja pressões sobre a inflação.

A opinião sobre inflação é compartilhada com a economista Sandra Utsumi, do Bes Investimento , e com o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini .

Impostos superam expansão da indústria no PIB
RIO - Os impostos sobre produtos cresceram mais que a indústria, serviços e agropecuária no segundo trimestre em todas as comparações em que ela aparece, de acordo com dados da pesquisa do Produto Interno Bruto (PIB) do IBGE. As informações se referem à arrecadação e não necessariamente a alta de alíquotas ou base de contribuição. A coordenadora da pesquisa do PIB trimestral, Rebeca Palis, comentou que houve aumento tanto do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), quanto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto de Importação (II).

Em relação ao mesmo período do ano passado, os impostos aumentaram 8,6%, enquanto a indústria cresceu 6,8%; os serviços, 4,8% e a agropecuária 0,2%. No primeiro semestre deste ano, a alta dos impostos sobre produtos foi de 7,8%, enquanto a indústria aumentou 4,9%; os serviços, 4,7% e agropecuária, 1,4%. Em 12 meses até junho, os impostos subiram 6,9% e a média de valor adicionado pelos três setores produtivos 4,4%. A agropecuária cresceu 6,6%; a indústria, 4,2% e os serviços também 4,2%. No primeiro trimestre, os impostos também tinham crescido mais que a média dos setores econômicos tanto em relação ao mesmo período de 2006 quanto no período de 12 meses terminados em março.

Em valores, os impostos sobre produtos somam R$ 87,511 bilhões no segundo trimestre e R$ 172,581 bilhões no primeiro semestre. Pelos dados do segundo trimestre, os impostos equivalem a aproximadamente 2,5 vezes o total adicionado pela agropecuária, que foi de R$ 35,062 bilhões nos três meses de abril a junho deste ano. O valor dos impostos também já é mais de 50% do gerado pela indústria no segundo trimestre, de R$ 161,781 bilhões. O setor de serviços é o maior da economia e no segundo trimestre gerou R$ 345,846 bilhões.