Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa
Renan, Sarney, Jader, derrotados, Chinaglia e Geddel, vitoriosos
No momento, neste tumultuado e pretensiosamente programa identificado como PAC, a pior profissão é a de analista. (Bom mesmo é ser cientista político, têm a visibilidade enorme da televisão, enchem os ouvidos do cidadão com tolices colossais. Já aconselhei: como não podem fugir deles, ouçam e façam o contrário, não há como errar).
O resultado da eleição para presidente da Câmara complicou mais as coisas. Atribuíram a esse presidente tais Poderes que eles se julgam realmente personagens de primeira grandeza. Estou convencido que bom mesmo para o governo teria sido a vitória de Gustavo Fruet. Aldo e Chinaglia ficariam igualmente decepcionados, seria muito mais fácil amenizá-los, amaciá-los, acarinhá-los.
Fruet, presidente, sabia que não teria Poder algum acima do normal. E sendo ético, sério, correto, compreenderia imediatamente que a sua forma de favorecer o País e ajudar a governá-lo não seria hostilizando desabridamente o presidente Lula e sim coordenando o que deveria ou poderia ser coordenado.
O ministério ainda não saiu, por causa das dificuldades do pluripartidarismo, mas também da confusão DELIBERADA e PLANEJADA dos mais diversos grupos. Renan-Sarney (que devem ter se encontrado à noite, e mais Jader Barbalho, para examinar a situação) não estão satisfeitos com a vitória de Chinaglia. Os três votaram e trabalharam para Aldo Rebelo, perderam e não gostaram.
Aldo Rebelo, que teve 243 votos no segundo turno, está convencido de que LIDERA esse grupo, e então, não quer saber de ser ministro. Não há dúvida: comandar 243 deputados, muitíssimo mais importante do que ser ministro. Mas LIDERA?
Nesse setor político estão jogando mais do que na Bovespa. Amestrados garantiram ontem (e já haviam dito antes) que "Nelson Jobim será ministro da Justiça". Ora, isso não agrada a Renan, Sarney e até Dona Dilma. Sendo um tremendo "batalhador de si mesmo", Jobim ministro não deixará ninguém dormir, no PMDB ou no PT-PT.
Além do mais, Jobim ministro não agrada a Marcio Thomaz Bastos. Este sai por vontade pessoal, mas a pedido do próprio Lula não se desligará. Será um grande conselheiro, da mesma forma que Delfim no plano econômico-financeiro.
O grupo mais forte do PMDB, sabendo que Jobim quer ser ministro apoiado por governadores, pretende "diminuir o prejuízo", elegendo-o presidente do PMDB. Era um dos itens da conversa Renan-Sarney-Jader, que acabou muito tarde.
Vejam só: Chinaglia foi eleito com os votos do grupo do PT-PT, que hostiliza ou pelo menos não apóia Lula. E os 25 votos do PSDB que derrotaram Aldo foram dados a ele por ordem direta de Serra. Quer dizer: o que Chinaglia pode fazer? Está nervoso e revelou isso com a grosseria feita ao deputado Clodovil. Não podia ser tão deselegante e vulgar com um deputado de centenas de milhares de votos. E além do mais, num debate, Clodovil tritura Chinaglia.
E Michel Temer? O PMDB, que domina o partido apesar da divergência, não quer nada com ele. Temer ficou sempre contra, por que ser beneficiado? Além do mais, quase não se elegia. E no sistema eleitoral, não ter votos é suicídio.
Geddel Vieira Lima, excelente coordenador, CONTRA ou a FAVOR, teve grande votação, é habilíssimo, comentou com Moreira Franco, que cansou de ser deputado, não se candidatou: "Chinalia ganhou com um PT que não transa com Lula e com um PMDB sem diálogo com o presidente Lula". E Geddel foi um dos principais apoiadores de Chinaglia.
PS - Não acreditem no que estão publicando. Geralmente é exatamente o contrário. Nunca houve tanto jornalista (?) enterrado nesses metrôs político-eleitorais.
Renan, Sarney, Jader, derrotados, Chinaglia e Geddel, vitoriosos
No momento, neste tumultuado e pretensiosamente programa identificado como PAC, a pior profissão é a de analista. (Bom mesmo é ser cientista político, têm a visibilidade enorme da televisão, enchem os ouvidos do cidadão com tolices colossais. Já aconselhei: como não podem fugir deles, ouçam e façam o contrário, não há como errar).
O resultado da eleição para presidente da Câmara complicou mais as coisas. Atribuíram a esse presidente tais Poderes que eles se julgam realmente personagens de primeira grandeza. Estou convencido que bom mesmo para o governo teria sido a vitória de Gustavo Fruet. Aldo e Chinaglia ficariam igualmente decepcionados, seria muito mais fácil amenizá-los, amaciá-los, acarinhá-los.
Fruet, presidente, sabia que não teria Poder algum acima do normal. E sendo ético, sério, correto, compreenderia imediatamente que a sua forma de favorecer o País e ajudar a governá-lo não seria hostilizando desabridamente o presidente Lula e sim coordenando o que deveria ou poderia ser coordenado.
O ministério ainda não saiu, por causa das dificuldades do pluripartidarismo, mas também da confusão DELIBERADA e PLANEJADA dos mais diversos grupos. Renan-Sarney (que devem ter se encontrado à noite, e mais Jader Barbalho, para examinar a situação) não estão satisfeitos com a vitória de Chinaglia. Os três votaram e trabalharam para Aldo Rebelo, perderam e não gostaram.
Aldo Rebelo, que teve 243 votos no segundo turno, está convencido de que LIDERA esse grupo, e então, não quer saber de ser ministro. Não há dúvida: comandar 243 deputados, muitíssimo mais importante do que ser ministro. Mas LIDERA?
Nesse setor político estão jogando mais do que na Bovespa. Amestrados garantiram ontem (e já haviam dito antes) que "Nelson Jobim será ministro da Justiça". Ora, isso não agrada a Renan, Sarney e até Dona Dilma. Sendo um tremendo "batalhador de si mesmo", Jobim ministro não deixará ninguém dormir, no PMDB ou no PT-PT.
Além do mais, Jobim ministro não agrada a Marcio Thomaz Bastos. Este sai por vontade pessoal, mas a pedido do próprio Lula não se desligará. Será um grande conselheiro, da mesma forma que Delfim no plano econômico-financeiro.
O grupo mais forte do PMDB, sabendo que Jobim quer ser ministro apoiado por governadores, pretende "diminuir o prejuízo", elegendo-o presidente do PMDB. Era um dos itens da conversa Renan-Sarney-Jader, que acabou muito tarde.
Vejam só: Chinaglia foi eleito com os votos do grupo do PT-PT, que hostiliza ou pelo menos não apóia Lula. E os 25 votos do PSDB que derrotaram Aldo foram dados a ele por ordem direta de Serra. Quer dizer: o que Chinaglia pode fazer? Está nervoso e revelou isso com a grosseria feita ao deputado Clodovil. Não podia ser tão deselegante e vulgar com um deputado de centenas de milhares de votos. E além do mais, num debate, Clodovil tritura Chinaglia.
E Michel Temer? O PMDB, que domina o partido apesar da divergência, não quer nada com ele. Temer ficou sempre contra, por que ser beneficiado? Além do mais, quase não se elegia. E no sistema eleitoral, não ter votos é suicídio.
Geddel Vieira Lima, excelente coordenador, CONTRA ou a FAVOR, teve grande votação, é habilíssimo, comentou com Moreira Franco, que cansou de ser deputado, não se candidatou: "Chinalia ganhou com um PT que não transa com Lula e com um PMDB sem diálogo com o presidente Lula". E Geddel foi um dos principais apoiadores de Chinaglia.
PS - Não acreditem no que estão publicando. Geralmente é exatamente o contrário. Nunca houve tanto jornalista (?) enterrado nesses metrôs político-eleitorais.