Guilherme Fiúza, Política & Cia., NoMínimo
O desabafo na “Veja” de Roberto Abdenur, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, confirma o que foi publicado neste espaço em 14 de dezembro: o Itamaraty não só está seguindo uma política primária de antiamericanismo, como está perseguindo os diplomatas que têm idéias diferentes.
Esse delírio infantil do governo Lula de dar tapinha nas costas dos chineses e achar que está fazendo a revolução sul-sul, esse terceiro-mundismo de grêmio estudantil que projeta o Brasil como o melhor dos piores, essa forma ideológica e tola como o Brasil abandonou as negociações da Alca – isso tudo, infelizmente, é verdade. Abdenur falou, Abdenur avisou.
Tudo bem. Que seja a política escolhida pelos guevaristas de playground e seu testa de ferro quixotesco, o yorkshire Celso Amorim. Não terá sido a primeira política externa estúpida, nem será a última. Mas caça às bruxas é outro departamento.
Se você é diplomata e acha essa trincheira antiglobalização uma piada, arrume suas coisas, esconda seus livros e chame o ladrão. O Itamaraty está prendendo e arrebentando.
A tortura agora é moral. Se o sujeito não acredita em chavismo ou não concorda com a literatura bolchevique que é obrigado a consumir em Brasília, vai para a geladeira. Hoje há pencas de diplomatas com a carreira emperrada por conta da “revolução cultural” no Itamaraty. Um escândalo.
Um deles é Paulo Roberto de Almeida, que serviu em Paris e Washington nos anos cruciais da retomada da credibilidade brasileira no mercado internacional. Intelectual sólido, de origem marxista e hoje um dos bons pensadores da economia contemporânea, ele tem a dizer o seguinte aos inimigos da globalização:
“Sei que eles, adotando um vocábulo de origem francesa, preferem chamar a si mesmos de ‘altermundialistas’. Mas como eles nunca apresentaram a arquitetura exata desse ‘alter’ mundo, vou continuar chamando-os de ‘antiglobalizadores’, até que eles apareçam com a receita do novo mundo.”
P.R. Almeida tem entre seus esportes prediletos demolir os mitos que associam a globalização à desgraça dos pobres. Ele adora demonstrar que o Consenso de Washington não tem nada a ver com essa ruína social que atribuem a ele: “Os países que mais crescem e que ostentam as menores taxas de desemprego são, justamente, os chamados ‘neoliberais’”, afirma o diplomata.
Se o Itamaraty amordaçou os não-alinhados, vamos aproveitar enquanto eles ainda não estão proibidos de pensar.
O desabafo na “Veja” de Roberto Abdenur, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, confirma o que foi publicado neste espaço em 14 de dezembro: o Itamaraty não só está seguindo uma política primária de antiamericanismo, como está perseguindo os diplomatas que têm idéias diferentes.
Esse delírio infantil do governo Lula de dar tapinha nas costas dos chineses e achar que está fazendo a revolução sul-sul, esse terceiro-mundismo de grêmio estudantil que projeta o Brasil como o melhor dos piores, essa forma ideológica e tola como o Brasil abandonou as negociações da Alca – isso tudo, infelizmente, é verdade. Abdenur falou, Abdenur avisou.
Tudo bem. Que seja a política escolhida pelos guevaristas de playground e seu testa de ferro quixotesco, o yorkshire Celso Amorim. Não terá sido a primeira política externa estúpida, nem será a última. Mas caça às bruxas é outro departamento.
Se você é diplomata e acha essa trincheira antiglobalização uma piada, arrume suas coisas, esconda seus livros e chame o ladrão. O Itamaraty está prendendo e arrebentando.
A tortura agora é moral. Se o sujeito não acredita em chavismo ou não concorda com a literatura bolchevique que é obrigado a consumir em Brasília, vai para a geladeira. Hoje há pencas de diplomatas com a carreira emperrada por conta da “revolução cultural” no Itamaraty. Um escândalo.
Um deles é Paulo Roberto de Almeida, que serviu em Paris e Washington nos anos cruciais da retomada da credibilidade brasileira no mercado internacional. Intelectual sólido, de origem marxista e hoje um dos bons pensadores da economia contemporânea, ele tem a dizer o seguinte aos inimigos da globalização:
“Sei que eles, adotando um vocábulo de origem francesa, preferem chamar a si mesmos de ‘altermundialistas’. Mas como eles nunca apresentaram a arquitetura exata desse ‘alter’ mundo, vou continuar chamando-os de ‘antiglobalizadores’, até que eles apareçam com a receita do novo mundo.”
P.R. Almeida tem entre seus esportes prediletos demolir os mitos que associam a globalização à desgraça dos pobres. Ele adora demonstrar que o Consenso de Washington não tem nada a ver com essa ruína social que atribuem a ele: “Os países que mais crescem e que ostentam as menores taxas de desemprego são, justamente, os chamados ‘neoliberais’”, afirma o diplomata.
Se o Itamaraty amordaçou os não-alinhados, vamos aproveitar enquanto eles ainda não estão proibidos de pensar.