sábado, abril 18, 2020

Só os mais pobres é que pagam

Comentando a Notícia

No Congresso tramita um projeto, já aprovado na Câmara,  que prevê o desvio de mais de 80 bilhões para socorrer estados e municípios, sob a justificativa de se compensar a perda de arrecadação que estes entes sofrerão pela paralisação da economia.  Mas peraí: o dinheiro sairá dos cofres da União, que também terá perdas imensas pela redução de receitas e, como se vê e se sabe, ela não receberá nenhum centavo a título de compensação. Além do mais, a mesma União já destinou muitos bilhões de reais para programas emergenciais  - pessoas físicas e jurídicas - que saíram e sairão dos mesmos cofres. 

Neste mesmo projeto – conhecido como “bomba fiscal” com justos motivos – a única compensação que estados e municípios serão obrigados a fornecer é o congelamento de salários dos servidores. E só. Redução de despesas em áreas não ligadas à saúde ou compensações sociais, nem pensar. Ali não se encontram redução de salários de prefeitos, vereadores, deputados  e secretários, mais assessores, desligamento de servidores não concursados ocupando apenas vagas políticas -  normalmente sem finalidade alguma -, redução do número de secretarias, dentre outras cositas. Nos casos em que houver, programas de privatização de estatais ou mero fechamento das inúteis e que se prestam apenas para cabides de emprego. E o que dizer dos tais fundos partidário e eleitoral, que consumirão em torno de R$ 3,0 bilhões? Que tal redução  dos salários de todos os servidores de todos os poderes, incluindo presidente, ministros, juízes e magistrados, deputados federais e senadores e, claro, toda a mordomia luxuosa com que alimentam? Há um projeto neste sentido que, parece, sequer será apreciado.

Ou seja, na iniciativa privada, além do desemprego e da redução de salários ou suspensão dos contratos, é que vai pesar todo o custo econômico e social, sabendo-se que, na comparação com os salários dos servidores, a iniciativa privada perde de 10 a zero. Lembrando sempre que servidores gozam da maldita estabilidade, e isto em qualquer crise. 

Como se vê são os trabalhadores da iniciativa privada que terão de arcar com o prejuízo e a conta, enquanto a elite estatal continuará desfrutando de suas benesses, privilégios morais e  imorais, demonstrando, deste modo, zero comprometimento para com a sociedade que a sustenta. 

Não é a toa que o Brasil é um país atrasado, miserável em boa parte de sua população que, além disto, mal sabe desenhar o próprio nome enquanto 50% dela vive e convive com esgoto a céu aberto,  em barracos por falta de um programa habitacional  decente, muitas vezes sem acesso a água potável – lavar as mãos, na epidemia,  só quanto chove.  Isolamento social para esta parcela da sociedade chega a ser desumano. Como isolar as pessoas que habitam uma peça de 2 metros x 2 metros onde se apertam 8, 9, 10 pessoas, todas respirando o mesmo ar infectado? E por que estas população está condenada à miséria e pobreza imensa? Porque boa parte da riqueza que é produzida no país é, solenemente desviada para sustentar a luxúria deste bando de cretinos.

O site do jornal O Globo desta terça feira, 14, traz um alerta assustador: “especialistas” – sempre eles – fazem um prognóstico de que o país já conta mais de 300 mil infectados. (para ser exato, os tais “especialistas” estimam 313.288 a quantidade de infectados – quanta precisão, meu Deus!!!)  Justificativa? As tais subnotificações, isto é, exames e testes já realizados sem um resultado conclusivo. Mas como se chegou a número apavorante?  Eis uma pergunta em busca de uma resposta sensata, dado que, segundo o Ministério da Saúde apenas aproximadamente 30 mil, e apenas 30 mil são os testes ainda sem resultado.  A outra “razão” é o fato do país realizar poucos testes quando comparado com outros países. E neste ponto específico, o céu é o limite para a chutometria funcionar a valer!

 Os “especialistas” podem até estarem corretos em seus cálculos, mas chegou-se a eles sem nenhuma base científica que os comprove. 

É preciso que o país não se perca no pânico (infelizmente já instalado) tomando o caminho da irracionalidade. Enquanto um Ministro da Saúde aponta, com serenidade e equilíbrio, sustentado por evidências médicas e científicas,  caminhos e cuidados, temos um presidente que além do pouco caso para com a pandemia e s males que ela está provocando, sai por aí desafiando o indispensável cuidado que deveria ter e manter, para que, ao menos, servisse de exemplo para a população. Não só isso: teve a cara de pau de afirmar numa reunião com religiosos, enquanto os números de infectados iam aumentando exponencialmente e os mortos se avolumando nos necrotérios, que a pandemia já estava passando, quando sequer o país o país atingiu o pico da pandemia. Irresponsabilidade absoluta! Molecagem ao extremo.

De outro lado, demorou uma eternidade para produzir e proclamar programas sociais para atenuassem as consequências da crise instalada. E é o mesmo presidente que admite que seus rebentos, dia sim dia também, continuem fazendo intrigas, esparramando mentiras e calúnias contra aqueles que não se submetem a chibata do paizão e que usam os neurônios para pensar com sensatez e equilíbrio. É o mesmo presidente que admite demitir o Ministro da Saúde, sua competência e sua equipe não menos capaz, mas deixa no ministério um incompetente, grosseiro e incapaz ministro da Educação que, em um ano, não moveu um dedo em favor da melhoria do ensino público.

Como se vê, tudo acaba convergindo para que os mais pobres sejam os mais prejudicados e tenham que, em futuro próximo, arcar com o peso da conta que, inevitavelmente, o país terá de pagar por abrir e esgaçar os cofres para compensar as consequências ruins provocadas pela pandemia. A tal elite estatal, podre e boa parte vagabunda e corrupta, continuará desfrutando das delícias do reino, sob o peso insuportável da miséria da população. E um governo que permite que vingue sobre seu povo todo este peso, não apenas não está à altura de sua missão, mas não merece nem a confiança tampouco a continuidade de seu mandato.  

E outra coisa não se fala mais além da solidariedade. Num tempo em que o sacrifício é obrigação de todos, termos um governante delirante e incapacitado de liderar seu povo durante a crise, é triste constatar que foi preciso uma pandemia para que descobríssemos quem são os verdadeiros produtores da miséria e tremenda desigualdade social que assola o Brasil: basta olhar quem senta nos tronos dos 3 Poderes. Nem num momento como este esta cambada é capaz de mover um dedo em favor do Brasil. . E, como esta camarilha inútil e dispendiosa vai desviando nossas riquezas apenas para seu exclusivo e luxuriante  usufruto, o resultado é que el será a única responsável, como foi até hoje, para o aumento da pobreza e alargamento da miséria da população.

Talvez um dia, quem sabe, apareça um vírus que ataque apenas essa “classe” de pessoas e dê a elas a lição que se negam em aprender, dividindo com os pobres as riquezas que o Brasil produz tão fartamente.