Amanda Previdelli
Exame.com
Levantamento mostra que as capitais estão sofrendo menos o aumento dos homicídios que o interior do país. Política de segurança concentrada nas grandes cidades pode ser explicação
Divulgação/Prefeitura
Cidade de Porto Rico do Maranhão (MA): violência no estado aumentou mais que
na capital São Luís, o que indica uma interiorização da violência no Brasil, segundo o Mapa da Violência
São Paulo – Entre 2001 e 2011, a taxa de homicídios cresceu 66% no estado de Minas Gerais. Já na capital Belo Horizonte, o crescimento do mesmo índice foi menor, 15%. Os números são uma prova do que o estudo Mapa da Violência 2013, divulgado hoje sob a coordenação do professor Julio Jacobo Waiselfisz, chama de "interiorização" da violência no país.
Desde 2003, as taxas de homicídio por cem mil habitantes vêm diminuindo nas grandes metrópoles doBrasil. Ou seja, as cidades maiores, em geral, têm ficado mais seguras, enquanto as antes vistas como “pacatas” cidades interioranas sofrem com um aumento gradual da violência.
Segundo o estudo, trata-se de uma evidência de que as autoridades fizeram e vêm fazendo o dever de casa pela metade. "Podemos inferir a existência de estratégias de enfrentamento da violência fortemente centradas nas capitais, mas que não atingem o interior dos estados", ressalta o levantamento.
Segundo Waiselfisz, até 1996 se verificava um crescimento dos homicídios nas capitais brasileiras, mas esse crescimento “praticamente estagna até o ano de 2003”. A partir daí, o cenário mudou. Confira a tabela abaixo:
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1980-1996
|
1996-2003
|
2003-2011
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|
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Brasil
|
111,90%
|
16,50%
|
-6%
|
|
Capitais
|
121%
|
0,90%
|
-20,90%
|
|
Interior
|
69,10%
|
30,40%
|
23,60%
|
O fenômeno fica explícito na grande maioria dos estados brasileiros, onde a taxa de assassinatos, em geral, cresceu menos nas capitais em relação ao total da unidade federativa. No Acre, por exemplo, houve um crescimento de 6% nas taxas de homicídio entre 2001 e 2011, mas a capital, Rio Branco, teve uma queda de 34,9%.
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Unidade Federativa
|
Crescimento da taxa de
homicídio (%)
|
Capital
|
Crescimento da taxa de
homicídio (%)
|
|
Acre
|
6
|
Rio Branco
|
-34,9
|
|
Amapá
|
-17,6
|
Macapá
|
-25,1
|
|
Amazonas
|
118,7
|
Manaus
|
122,8
|
|
Pará
|
165,8
|
Belém
|
63,1
|
|
Rondônia
|
-29,3
|
Porto Velho
|
-35,2
|
|
Roraima
|
-34,9
|
Boa Vista
|
-34,7
|
|
Tocantins
|
35,4
|
Palmas
|
15,4
|
|
Alagoas
|
146,5
|
Maceió
|
87,3
|
|
Bahia
|
223,6
|
Salvador
|
190,9
|
|
Ceará
|
90,1
|
Fortaleza
|
93,6
|
|
Maranhão
|
153,1
|
São Luís
|
101,8
|
|
Paraíba
|
202,3
|
João Pessoa
|
108,9
|
|
Pernambuco
|
-33,4
|
Recife
|
-41,3
|
|
Piauí
|
51,2
|
Teresina
|
44,2
|
|
Rio Grande
do Norte
|
190,2
|
Natal
|
212,9
|
|
Sergipe
|
20,8
|
Aracaju
|
-21,8
|
|
Espírito
Santo
|
1,6
|
Vitória
|
-33,5
|
|
Minas
Gerais
|
66
|
Belo Horizonte
|
15
|
|
Rio de
Janeiro
|
-43,9
|
Rio de Janeiro
|
-58,4
|
|
São Paulo
|
-67,7
|
São Paulo
|
-81,3
|
|
Paraná
|
50,7
|
Curitiba
|
68,8
|
|
Rio Grande
do Sul
|
6,9
|
Porto Alegre
|
1,3
|
|
Santa
Catarina
|
49,4
|
Florianópolis
|
19,6
|
|
Distrito
Federal
|
1,4
|
Brasília
|
1,4
|
|
Goiás
|
69
|
Goiânia
|
69,4
|
|
Mato
Grosso
|
-16
|
Cuiabá
|
-40,9
|
|
Mato
Grosso do Sul
|
-8
|
Campo Grande
|
-37,2
|
