sexta-feira, julho 19, 2013

Assassinatos migram para o interior do Brasil

Amanda Previdelli
Exame.com

Levantamento mostra que as capitais estão sofrendo menos o aumento dos homicídios que o interior do país. Política de segurança concentrada nas grandes cidades pode ser explicação

Divulgação/Prefeitura
Cidade de Porto Rico do Maranhão (MA): violência no estado aumentou mais que 
na capital São Luís, o que indica uma interiorização da violência no Brasil, segundo o Mapa da Violência

São Paulo – Entre 2001 e 2011, a taxa de homicídios cresceu 66% no estado de Minas Gerais. Já na capital Belo Horizonte, o crescimento do mesmo índice foi menor, 15%. Os números são uma prova do que o estudo Mapa da Violência 2013, divulgado hoje sob a coordenação do professor Julio Jacobo Waiselfisz, chama de "interiorização" da violência no país. 

Desde 2003, as taxas de homicídio por cem mil habitantes vêm diminuindo nas grandes metrópoles doBrasil. Ou seja, as cidades maiores, em geral, têm ficado mais seguras, enquanto as antes vistas como “pacatas” cidades interioranas sofrem com um aumento gradual da violência.

Segundo o estudo, trata-se de uma evidência de que as autoridades fizeram e vêm fazendo o dever de casa pela metade. "Podemos inferir a existência de estratégias de enfrentamento da violência fortemente centradas nas capitais, mas que não atingem o interior dos estados", ressalta o levantamento.

Segundo Waiselfisz, até 1996 se verificava um crescimento dos homicídios nas capitais brasileiras, mas esse crescimento “praticamente estagna até o ano de 2003”. A partir daí, o cenário mudou. Confira a tabela abaixo:

1980-1996
1996-2003
2003-2011
Brasil
111,90%
16,50%
-6%
Capitais
121%
0,90%
-20,90%
Interior
69,10%
30,40%
23,60%

O fenômeno fica explícito na grande maioria dos estados brasileiros, onde a taxa de assassinatos, em geral, cresceu menos nas capitais em relação ao total da unidade federativa. No Acre, por exemplo, houve um crescimento de 6% nas taxas de homicídio entre 2001 e 2011, mas a capital, Rio Branco, teve uma queda de 34,9%.

Unidade Federativa
Crescimento da taxa de homicídio (%)
Capital
Crescimento da taxa de homicídio (%)
Acre
6
Rio Branco
-34,9
Amapá
-17,6
Macapá
-25,1
Amazonas
118,7
Manaus
122,8
Pará
165,8
Belém
63,1
Rondônia
-29,3
Porto Velho
-35,2
Roraima
-34,9
Boa Vista
-34,7
Tocantins
35,4
Palmas
15,4
Alagoas
146,5
Maceió
87,3
Bahia
223,6
Salvador
190,9
Ceará
90,1
Fortaleza
93,6
Maranhão
153,1
São Luís
101,8
Paraíba
202,3
João Pessoa
108,9
Pernambuco
-33,4
Recife
-41,3
Piauí
51,2
Teresina
44,2
Rio Grande do Norte
190,2
Natal
212,9
Sergipe
20,8
Aracaju
-21,8
Espírito Santo
1,6
Vitória
-33,5
Minas Gerais
66
Belo Horizonte
15
Rio de Janeiro
-43,9
Rio de Janeiro
-58,4
São Paulo
-67,7
São Paulo
-81,3
Paraná
50,7
Curitiba
68,8
Rio Grande do Sul
6,9
Porto Alegre
1,3
Santa Catarina
49,4
Florianópolis
19,6
Distrito Federal
1,4
Brasília
1,4
Goiás
69
Goiânia
69,4
Mato Grosso
-16
Cuiabá
-40,9
Mato Grosso do Sul
-8
Campo Grande
-37,2