sexta-feira, julho 19, 2013

Alimentos desaceleram inflação em julho, mas voltarão a preocupar, alerta FGV

O Globo
Com Valor Online

Somente o tomate registrou deflação de 43,5% na segunda prévia, contra recuo de 19% em junho
No período, houve fortalecimento na inflação das matérias-primas brutas agropecuárias no atacado

RIO - Favorecida por onda de quedas nos preços dos alimentos in natura, tanto no atacado quanto no varejo, a inflação desacelerou em julho para 0,24%, na segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M). No mesmo período de junho, o indicador marcou 0,74%. Mas os preços dos alimentos devem voltar a subir e a preocupar, disse o superintendente adjunto de inflação do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Salomão Quadros, ao comentar o desempenho do índice.

Em julho, atacado, varejo e construção civil apresentaram taxas menores de inflação em relação a junho. No entanto, Quadros considerou que a influência preponderante na taxa menor da segunda prévia foi a dos alimentos in natura, que no atacado saíram de queda de 0,31% para recuo de 6,18% de junho a julho. Somente o tomate registrou deflação de 43,5% na segunda prévia, contra recuo de 19% em junho, acrescentou o técnico.

— Esse movimento dos in natura acabou contribuindo para a deflação dos alimentos no varejo (-0,43%) na segunda prévia — considerou.

No entanto, houve, no período, um fortalecimento na inflação das matérias-primas brutas agropecuárias no atacado, que saltou de 1,25% para 1,63% da segunda prévia de junho para igual prévia em julho. Isso porque itens de peso na formação do indicador, com cadeia expressiva de derivados no varejo, estão subindo de preço. É o caso de aves (1,27%) e trigo (9,88%).

O especialista voltou a falar que os preços dos alimentos, no varejo, devem voltar a subir entre agosto e setembro - um reflexo das elevações atuais de suas matérias-primas no atacado.

Dólar
Quadros reiterou, ainda, o fortalecimento da influência do câmbio na inflação. Com o dólar alto, sobem também preços de itens importados e daqueles que acompanham a evolução da moeda norte-americana - commodities por exemplo. Na segunda prévia, a alta dos preços dos materiais para manufatura, que são insumos para a indústria e contam com forte presença de commodities industriais, acelerou de 1,15% para 1,44% entre junho e julho.

Para o especialista, o cenário atual deve conduzir a uma inflação em 2013 dentro do limite da meta perseguida pelo Banco Central, cujo teto é 6,5% em linha com o que a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta, 17, em Brasília.

No entanto, considerou que se deveria estar pensando em como voltar para o centro da meta, de 4,5%, algo cada vez mais longínquo, na análise do técnico.

— Só nos aproximamos do centro da meta em 2009, o ano da crise global, ou seja, em um momento de contexto atípico — lembrou. — Creio que só conseguiremos nos aproximar do centro novamente se alguma coisa mudar muito bruscamente no cenário internacional — avaliou.