sexta-feira, julho 19, 2013

Um país em estado de guerra

Adelson Elias Vasconcellos

Quem mata a sua juventude na quantidade em que o Brasil vem matando a sua, não pode sonhar com o futuro. Porque no futuro não haverá quem possa vivê-lo.

Ontem, ao comentar o artigo do José Nêumanne, publicado no Estadão, prometi que  iria transcrever uma série de matérias sobre a violência no país. Elas seguem nos posts abaixo. 

Estes dados estatísticos apresentados nas reportagens desta edição, estão de posse do blog há pelo menos 24 horas. E, surpresa, com exceção do Estadão, os demais órgãos da grande imprensa, como que ignoraram  os impressionantes números da violência.  Mas, apesar da nenhuma  manchete expressiva, a violência está entre nós, é visível, faz vítimas, extermina famílias, causam dor e sofrimento para uma sociedade indefesa e largada à própria sorte por um governo negligente, incompetente, despreparado e sem respostas e projetos.  

Chega a ser constrangedor o papelão a que a boa parte da imprensa paulista tem se prestado em tentar demonstrar que o Estado de São Paulo se converteu em uma praça de guerra. É quase que armar um palanque para os petistas desfilarem sua retórica obscurantista na tentativa de alcançarem o Palácio dos Bandeirantes. E, no entanto, as estatísticas do Mapa da Violência vão de encontro ao desafio aqui lançado, a partir de uma declaração desastrada e vigarista de um deputado petista, tentando fazer palanque sobre o que ele “pensa” ser descontrole do governo estadual acerca da segurança pública. Apesar do terrorismo que parte desta imprensa tenta exibir, São Paulo, seja o estado ou sua capital, ainda são, disparado, os lugares mais seguros para se viver no país. Em 15 anos de governos tucanos, a criminalidade reduziu estupendos  86,3%, a maior redução no país no período. Enquanto isso, norte e nordeste, boa parte  comandado por petistas e seus aliados,  conseguiram transformar o Brasil no sétimo país mais violento do mundo. Pior que qualquer outra nação em estado de guerra civil como Síria e Iraque, por exemplo. 

E a classe que mais sofre com toda esta insegurança pública, fruto de falta de políticas públicas eficazes  - até diria não haver política de segurança nenhuma -, e que estão transformando o outrora pacífico paraíso tropical, em uma região conflagrada, violenta, inóspita, é a juventude. Dá para se afirmar, diante da alarmante mortandade de jovens, que o Brasil está matando seu próprio futuro.  

Creio que os números todos não deixam margem de dúvida: toda esta violência passou a ser crescente com a chegada do PT ao poder federal e até nos estaduais.  E aqui nem cabe tentar transferir a responsabilidade ou as causas para “governos anteriores”. Se antes a violência existia, mas era em grau muito menor, até declinante, nada indica que tenham sido os governantes anteriores ao reinado petista, quem tenham plantado as raízes da insegurança que vivemos.

Citei que Lula lançara cinco planos de segurança pública em nível nacional.  Maioria sequer saiu do papel. Tinham como objetivo apenas produzir efeitos nas manchetes dos jornais. Eram absurdamente de um apelo populista e  eleitoreiro horrorosos . Cada um teve lançamento festivo, traziam nomes de efeito marqueteiro, prometiam investimentos bilionários e metas de primeiro mundo e, contudo, passado alguns dias, logo eram esquecidos, não sem antes serem alvo de imensas campanhas publicitárias com o propósito de iludir o bom cristão.

Não adianta o governo apelar para velhas desculpas sobre as razões dos resultados terem sido ridículos, para não dizer nenhum. Um governante é julgado pelo resultado de suas ações, no tempo e no espaço, e não pela espirituosidade de seus discursos de palanque ou mentirosas campanhas de marketing.  E, decorridos mais de dez anos, tempo suficiente para qualquer programa mínimo na área de segurança (e até em qualquer outra área), produzir algum resultado positivo, o que vemos é a violência se esparramar pelo país, de norte a sul, e independente de ser grande ou pequeno centro urbano. 

Muito se deve a falta de investimentos. Muito se deve, também, a eterna impunidade com que os petistas abençoam os seus criminosos de estimação. Mas,  no fundo, o que alimenta este processo sofrível é a ideologia que tomou conta do país. É o conceito  político que se firmou  em todas as instituições públicas. É este pensamento criminoso que se retroalimenta e se solidifica nas relações sociais.

As forças de segurança interna, policias militares e civis, estão como que manietadas pelo ruído que a própria imprensa, quando tenta agir para coibir a ação criminosa. Se não agem, são omissas. Diante de crimes bárbaros, há como uma comoção nacional  para trancafiar meros suspeitos, mesmo que sem o devido julgamento.  Se tenta agir como agora, não apenas contra meros baderneiros, mas verdadeiros criminosos que não respeitam a propriedade pública e privada, que depredam, saqueiam, que atacam policiais com pedras, barras de ferro, coquetéis molotov por se sentirem protegidos pelo escudo de impunidade invisível que sobre eles a própria imprensa criou, são logo recriminados e jogados à desmoralização e condenação.

Nenhum país desenvolvido se promoveu a custa da anarquia, da desordem, da falta de limites,  da total desobediência às leis. Estas ações que quebram e põe fogo em tudo o que encontram pela frente, não apenas provocam prejuízo material, mas acabam fazendo vítimas pessoas inocentes que sequer participam destas jornadas anarquistas. E o que é pior: a própria justiça impede que estes criminosos sejam trancafiados. Logo são liberados para delinquirem a vontade.

Quando se imagina que um novo código penal, mais rigoroso com o crime e com os criminosos poderia ser a salvação, nos é apresentada uma proposta de reforma “mamão com açúcar”. 

Onde ficaram os investimentos em novos presídios? Cadê uma política carcerária com um pingo de dignidade?  Onde estão a tal “secretaria de direitos humanos” e o tal de Ministério da Justiça que cobram prioridades nesta área? 

Assim, o Brasil precisa acordar rapidamente antes que a podridão que vai corroendo as instituições, em que o governo federal, partes do judiciário, Congresso e demais casas legislativas vão sendo infestadas, ou logo esta podridão irá se estender pelas ruas e se terá chegado a tal estado de barbárie que nem com o salve-se quem puder será possível garantir a integridade das pessoas. Mais do que a integridade, a própria vida.

Não há nenhum exagero nesta projeção. Acreditem. Examinem atentamente os números da violência, cuidadosamente reflitam sobre o seu contínuo crescimento nestes últimos dez anos, e agora assistam os atos de violência que vão sendo praticados em todas as manifestações de repúdio público pelo país. Dá para se imaginar que isto tudo vá terminar bem, e que será possível retornar à ordem, a pacificação da própria sociedade sem que nesta anarquia intervenham de forma firme e segura, as forças de segurança?  Como conviver com mais de 50 mil homicídios por ano, com as forças policiais despreparadas e desaparelhadas para o necessário combate ao crime? E com um código penal que mais abençoa e protege o criminoso do que suas vítimas? 

Quem tiver um pingo de bom senso há de concluir que a violência brasileira está no limite da irresponsabilidade em que, qualquer motivação por menor que seja, nos conduzirá a uma situação de total descontrole. 

A vida é o bem mais precioso de qualquer cidadão. Trata-se de um direito natural. No Brasil destes tempos de total desgoverno, ela está se tornando cada dia mais irrelevante. Precisamos retornar, imediatamente, à civilização. E devemos fazer isto não apenas internamente, mas também nos fechando para o mesmo processo que se espalha pela América Latina toda. O tal “socialismo do século XXI” é uma aberração descomunal. É a negação completa de toda a humanidade, por corroer seus valores mais sagrados ao ponto de exterminá-la.  

No ponto de violência que atingimos, não há como negar: já se vivencia um adiantado processo de extermínio.  Não há, no planeta, guerra mais destrutiva e mais predadora do que este processo que já estamos vivendo.  Dá para reverter? Ainda dá, mas não se espere muito tempo mais.  Quem mata a sua juventude na quantidade em que o Brasil vem matando a sua, não pode sonhar com o futuro. Porque no futuro não haverá quem possa vivê-lo.