sexta-feira, julho 19, 2013

Ideli diz que PF vai apurar fraudes no Minha Casa ‘até as últimas consequências’

Luiza Damé 
O Globo

Ministra defende investigar se há qualquer tipo de envolvimento de agente público nas fraudes

André Coelho / Agência O Globo 
A ministra Ideli Salvatti 

BRASÍLIA — As denúncias de fraude no programa Minha Casa Minha Vida serão investigadas “até as últimas consequência”, segundo a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Ela disse que a concentração do financiamento do programa no Banco do Brasil e na Caixa foi decidida em decorrência das denúncias.

— Primeiro lugar, investigação total para apurar até as últimas consequências qualquer tipo de envolvimento de agente público em um dos programas mais importantes e que atende a uma das necessidades da população que é o acesso à casa própria — disse.

Ontem, a Polícia Federal cumpriu oito mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Brasília e Fortaleza, todos expedidos pela Justiça Federal, na Operação 1905, que investiga fraudes no programa Minha Casa Minha Vida. Em resposta, o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, garantiu que nos próximos dias será publicada uma portaria que determina que um tipo de repasse de dinheiro público para subsidiar a construção de casas para a população de baixa renda em pequenos municípios será feito pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil. Isso não ocorria antes, já que pela lei do programa — aprovada no Congresso — o envio de dinheiro era feito apenas por instituições financeiras privadas. Hoje, cerca de 110 mil unidades habitacionais estão em construção na modalidade operada por pequenos bancos.

O Ministério das Cidades também abriu uma sindicância interna para apurar as denúncias de fraude no programa. A conclusão ainda não foi divulgada, mas o ministro Aguinaldo Ribeiro afirmou que as investigações já mostram que há indícios de irregularidades e conflito de interesse de ex-servidores. Ele avisou que haverá um procedimento administrativo disciplinar, que pode acabar em processo de improbidade, por mais que os envolvidos não sejam mais dos quadros da administração pública. Ribeiro.

O inquérito que resultou nas prisões ontem pela PF foi aberto após reportagem do GLOBO revelar que ex-servidores do Ministério das Cidades montaram empresas de fachada para operar o programa em pequenas cidades e que construtores tinham de pagar propina à RCA Assessoria para participar das obras.

Segundo a PF, um suposto esquema envolvendo instituições financeiras, correspondentes bancários, empresas de fachada e seus respectivos responsáveis desviaria recursos destinados à construção de casas em municípios com menos de 50 mil habitantes. Os investigados podem responder por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, estelionato, tráfico de influência e lavagem de dinheiro, cujas penas somadas chegam a 32 anos de prisão.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Que o leitor não se engane: este “até as últimas consequências” é só até se encontrar algum petista metido nos rolos.  Neste ponto, estejam certos, mesmo que a PF constate a existência de crimes, os criminosos não serão “descobertos”, estratégia que os petistas sempre empregaram para “abençoar” seus delinquentes de estimação.