sexta-feira, setembro 27, 2013

A investidores, Dilma destaca ascensão da classe média

Exame.com
Beatriz Bulla e Gustavo Porto, Estadão Conteúdo

A presidente falou ainda sobre a valorização dos salários e dos programas do governo federal de transferência de renda

Celso Junior/Reuters 
Dilma Rousseff: presidente avaliou que protestos no Brasil "não pediram volta ao passado, 
mas pediram um avanço nos serviços, mais qualidade de vida e mais democracia"

São Paulo - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira, 25, a uma plateia de investidores em Nova York que o Brasil consolidou um mercado de classe média de mais de 100 milhões de consumidores, com ascensão de mais de 40 milhões de brasileiros da base da pirâmide social.

"Promovemos uma bem sucedida política de inclusão social, que está centrada na criação e na formalização do emprego, o que conseguimos de uma forma muito clara quando vemos que criamos 20 milhões nos últimos 10 anos", comentou a presidente.

Ela falou ainda sobre a valorização dos salários e dos programas do governo federal de transferência de renda.

"São esses brasileiros que querem mais", disse Dilma, afirmando que a população quer melhores serviços. 

"Querem padrões de transporte público de qualidade, não querem ficar uma parte longa de sua vida no transporte público que ainda é de baixa qualidade", exemplificou. "Esse é um movimento que transforma o Brasil, faz parte de um Brasil pujante. Um Brasil que quer agora ser de classe média", completou a presidente.

Dilma lembrou das manifestações de junho e avaliou que os protestos "não pediram volta ao passado, mas pediram um avanço nos serviços, mais qualidade de vida e mais democracia", disse. "Entender isso é entender que o governo escutou as vozes", completou.

A presidente afirmou que o problema do Brasil é que o consumo é reprimido. "Nos últimos 10 anos nós que assistimos à construção desse mercado interno no Brasil temos consciência de como ele é pujante e a capacidade demanda reprimida criou um potencial de consumo imenso", comentou a presidente.

O processo de desenvolvimento, disse a presidente, "sempre traz desafios" e que não é um "caminho linear". Os desafios, segundo Dilma, precisam ser superados com ação combinada do setor privado e do governo. "Um país continental que tem um dos maiores produtores de alimentos e minério não tem uma malha ferroviária. O Brasil tem demanda reprimida. Isso é um dado fundamental dele. Esses desafios são ainda maiores quando a gente soma a existência da crise mundial", contou.

Crise
Dilma afirmou que o governo está construindo uma malha ferroviária que foi feita há séculos em outros países. A perda do Brasil, por conta da crise mundial, foi por conta da diminuição no comércio internacional, segundo Dilma.

"Nosso efeito à crise foi um pouco defasado, mas ele foi inexorável. Ontem (discurso na ONU) eu disse que estamos todos no mesmo barco. Acho que o fato de nós termos essa crise mundial e termos esses problemas que eu disse fez com que tivéssemos de atender esses desafios num curto espaço de tempo", afirmou a presidente.

Ela disse considerar que o país atravessou "até muito bem essa situação mais aguda da crise, que começa em 2011, 2012 e tudo indica melhora agora em 2013". "Não esperamos uma grande melhora, mas uma melhora gradual e lenta".

Dilma mencionou que só em 2007 o país iniciou um "grande programa de infraestrutura" e citou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa, Minha Vida. "É importante que os senhores percebam o grande desafio que é um país que formava mais advogados do que engenheiros e que hoje pela primeira vez está formando mais engenheiros do que advogados", afirmou. Ela mencionou que ouviu já uma fala de um amigo que "advogado é custo e engenheiro é produtividade".

Dilma admitiu que o Brasil tem muitos gargalos, e que não são só na infraestrutura. A presidente avaliou que o processos para melhor exigiram novos marcos regulatórios e modificações na atividade pública brasileira, "como as mudanças da burocracia, que é muito empedernida no país".

Segundo ela, esse processo vai exigir "uma modificação acentuada" da forma como o Estado age nas relações privadas, como a com os contribuintes. Dilma citou ainda que o crescimento todo PIB brasileiro na última década situou o país entre as sete maiores economias do mundo e que foi construída no país uma base econômica estável, com condição para outros ganhos.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A presidente avaliou que protestos no Brasil "não pediram volta ao passado, mas pediram um avanço nos serviços, mais qualidade de vida e mais democracia". Então, vejamos.

Qualquer avaliação que se faça sobre as ações do governo Dilma, e desde que se faça uma retrospectiva histórica, iremos encontrar seu modelo justamente no passado, mais precisamente, no governo Geisel, década de 70 do século passado.

Quanto aos "avanços nos serviços", bem a coisa entorta de vez. O partido da senhora Rousseff está no poder desde 2003, e é de se perguntar: quais serviços públicos avançaram ao longo deste período, seja pela qualidade, seja ampliação?

Pelo contrário. O que se observa é uma total degradação em todos os serviços, apesar do volume de dinheiro que neles tem sido despejado, o que indica a péssima gestão com que os mesmos tem sido conduzidos. 

E isto fala diretamente à qualidade de vida que, ao contrário do que imagina a senhora Rousseff e seus partidários, não se origina da distribuição de dinheiro para pessoas de baixa renda ou renda nenhuma. O que as pessoas estavam e ainda estão a pedir é: educação de qualidade, saúde pública decente, investimentos em saneamento básico, mais segurança pública e melhores transportes públicos.  Tais pontos afetam, sim, a qualidade de vida das pessoas, e não programas alternativos de distribuição de renda, sem que aos seus beneficiários lhe sejam oferecidas portas de saída. 

Quanto a democracia, os protestos não pedem isto, não. O que as pessoas pedem é mais justiça, um judiciário mais ágil, e o fim da corrupção e da eterna impunidade de alguns. 

Dilma Rousseff insiste em tentar descrever, ao seu modo vesgo, o sentido das manifestações de junho. E, convenhamos, num  mundo de comunicação instantânea, deveria saber que seu discurso não vinga. Lá fora todos já sabem o que se passa aqui dentro.