O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, fez ontem uma leitura positiva do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) divulgado na semana passada. Para o presidente do BC, os números mostram a continuidade do crescimento econômico brasileiro que, na opinião dele, será sustentado. "O PIB mostra claramente que o Brasil está na rota de crescimento sustentável", disse o presidente do Banco Central.
Segundo o presidente do Banco Central, "alguns transmitem uma idéia de que quando há uma surpresa inflacionaria positiva, isso é ruim para o País. Não é. O salário real aumenta, portanto o poder de compra em um país que tem condição de crescer mais". Na defesa da atuação do Banco Central, Meirelles ainda mostrou que em países como Nova Zelândia, Reino Unido, Chile e Israel, a inflação costuma sempre orbitar ao redor do centro da meta, ficando em diversos momentos abaixo deste alvo.
Para Meirelles, dois fatores são especialmente importantes: o aumento do investimento e do consumo das famílias, este último tendo crescido 6% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano anterior. "O PIB também mostra a força do investimento e do consumo das famílias que são dois componentes essenciais para o crescimento continuar", disse.
Ele ressaltou, também, o aumento da massa salarial, que foi de 8,4% em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado. "Esse é um crescimento impressionante de patamares asiáticos", destacou. Durante palestra para os associados da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Meirelles voltou a rebater os críticos do controle inflacionário rígido exercido pelo BC .
Conforme ponderou, há necessidade de a sociedade compreender o quão fundamental é ter uma inflação controlada dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). "No Brasil é sempre subestimado o efeito da estabilidade econômica. Devido à pouca consciência do custo da instabilidade existe sua irmã gêmea que é a pouca consciência dos benefícios da estabilidade", disse Meirelles, para quem o Brasil já esgotou o modelo de um crescimento sustentado por meio de uma inflação mais alta.
A pergunta do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, levante o debate sobre possíveis vantagens de crescer com inflação :"Mas, mesmo assim, ainda estamos discutindo até que ponto a inflação é ruim mesmo," diz. Para ilustrar seu ponto de vista, Meirelles traçou um paralelo entre os momentos onde houve surpresas inflacionárias e o salário real das famílias, demonstrando que há uma correlação direta entre esses dois fatores.
"É necessário que a sociedade se conscientize que a inflação vai estar na meta. Ai a taxa de juros cairá e não ao contrario", analisou. Meirelles ainda destacou a necessidade de um aprofundamento da discussão em torno da elevada carga tributária do País, mas deixou claro que esse deve ser um debate amplo que envolva toda a sociedade brasileira.
"Acho que é um debate válido, talvez o mais importante do País nos próximos anos. Mas tem que ser uma decisão Nacional e não voluntarista, de uma ou duas pessoas", afirmou. Por fim, o presidente do BC se negou a discutir o estabelecimento de uma nova meta de inflação pelos membros do CMN, que deverá ocorrer na reunião marcada para o final neste mês.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Há um ligeiro equívoco do presidente do Banco Central aqui, na sua comparação com países como Nova Zelândia, Reino Unido, Chile e Israel: ocorre que nestes países o padrão médio de salários é bem alto do que no Brasil. E por uma razão simples: o desemprego é relativamente baixo, comparado com a força de trabalho ativa. Além disto, nestes países, como a carga tributária é bem inferior à nossa, quase que cem por cento dos trabalhadores encontra-se na formalidade, portanto, com seus direitos e garantias trabalhistas assegurados.
Se analisarmos o cenário Brasil vamos ver que há muita procura por emprego, a oferta é muito aquém das reais necessidades do país. Com uma enorme legião de informais, os empregos formais são disputadíssimos, basta ver a quantidade de candidatos que se aventuram em qualquer concurso público, às vezes para funções totalmente diversas das profissões que cada candidato se formou.
Portanto, com uma média salarial muito baixa, e um desemprego muito alto, poucas são as categorias que conseguem repor a inflação passada em suas negociações salariais. Para a grande maioria, que formam o exército de informais, qualquer elevação da inflação acaba sendo prejudicial a qualidade de vida dos cidadãos.
O que irrita nestes “especialistas” em Brasil é a mania de compararem o Brasil com o primeiro mundo para justificarem a espoliação a que nos achamos submetidos, servidos por serviços públicos degradantes. O Brasil precisa pensar no tamanho exato da riqueza que produz, e neste sentido, também perderemos de goleada.
Segundo o presidente do Banco Central, "alguns transmitem uma idéia de que quando há uma surpresa inflacionaria positiva, isso é ruim para o País. Não é. O salário real aumenta, portanto o poder de compra em um país que tem condição de crescer mais". Na defesa da atuação do Banco Central, Meirelles ainda mostrou que em países como Nova Zelândia, Reino Unido, Chile e Israel, a inflação costuma sempre orbitar ao redor do centro da meta, ficando em diversos momentos abaixo deste alvo.
Para Meirelles, dois fatores são especialmente importantes: o aumento do investimento e do consumo das famílias, este último tendo crescido 6% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano anterior. "O PIB também mostra a força do investimento e do consumo das famílias que são dois componentes essenciais para o crescimento continuar", disse.
Ele ressaltou, também, o aumento da massa salarial, que foi de 8,4% em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado. "Esse é um crescimento impressionante de patamares asiáticos", destacou. Durante palestra para os associados da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Meirelles voltou a rebater os críticos do controle inflacionário rígido exercido pelo BC .
Conforme ponderou, há necessidade de a sociedade compreender o quão fundamental é ter uma inflação controlada dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). "No Brasil é sempre subestimado o efeito da estabilidade econômica. Devido à pouca consciência do custo da instabilidade existe sua irmã gêmea que é a pouca consciência dos benefícios da estabilidade", disse Meirelles, para quem o Brasil já esgotou o modelo de um crescimento sustentado por meio de uma inflação mais alta.
A pergunta do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, levante o debate sobre possíveis vantagens de crescer com inflação :"Mas, mesmo assim, ainda estamos discutindo até que ponto a inflação é ruim mesmo," diz. Para ilustrar seu ponto de vista, Meirelles traçou um paralelo entre os momentos onde houve surpresas inflacionárias e o salário real das famílias, demonstrando que há uma correlação direta entre esses dois fatores.
"É necessário que a sociedade se conscientize que a inflação vai estar na meta. Ai a taxa de juros cairá e não ao contrario", analisou. Meirelles ainda destacou a necessidade de um aprofundamento da discussão em torno da elevada carga tributária do País, mas deixou claro que esse deve ser um debate amplo que envolva toda a sociedade brasileira.
"Acho que é um debate válido, talvez o mais importante do País nos próximos anos. Mas tem que ser uma decisão Nacional e não voluntarista, de uma ou duas pessoas", afirmou. Por fim, o presidente do BC se negou a discutir o estabelecimento de uma nova meta de inflação pelos membros do CMN, que deverá ocorrer na reunião marcada para o final neste mês.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Há um ligeiro equívoco do presidente do Banco Central aqui, na sua comparação com países como Nova Zelândia, Reino Unido, Chile e Israel: ocorre que nestes países o padrão médio de salários é bem alto do que no Brasil. E por uma razão simples: o desemprego é relativamente baixo, comparado com a força de trabalho ativa. Além disto, nestes países, como a carga tributária é bem inferior à nossa, quase que cem por cento dos trabalhadores encontra-se na formalidade, portanto, com seus direitos e garantias trabalhistas assegurados.
Se analisarmos o cenário Brasil vamos ver que há muita procura por emprego, a oferta é muito aquém das reais necessidades do país. Com uma enorme legião de informais, os empregos formais são disputadíssimos, basta ver a quantidade de candidatos que se aventuram em qualquer concurso público, às vezes para funções totalmente diversas das profissões que cada candidato se formou.
Portanto, com uma média salarial muito baixa, e um desemprego muito alto, poucas são as categorias que conseguem repor a inflação passada em suas negociações salariais. Para a grande maioria, que formam o exército de informais, qualquer elevação da inflação acaba sendo prejudicial a qualidade de vida dos cidadãos.
O que irrita nestes “especialistas” em Brasil é a mania de compararem o Brasil com o primeiro mundo para justificarem a espoliação a que nos achamos submetidos, servidos por serviços públicos degradantes. O Brasil precisa pensar no tamanho exato da riqueza que produz, e neste sentido, também perderemos de goleada.