quarta-feira, junho 20, 2007

Infraero prevê nova crise durante o Pan

Rivadavia Severo

A previsão da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) é que a crise aérea continue e até se agrave em julho. A causa é o incremento do número de passageiros, no próximo mês, com a maior procura por vôos no período de férias, pelos jogos Pan-Americanos e o aumento de vôos da classe média.

A previsão é do presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, que disse ao Jornal do Brasilque os eventos programados para o próximo mês devem acarretar ainda mais atrasos.

- No curto prazo, teremos que improvisar. Mas no longo prazo necessitamos de um Plano Aeroviário Nacional - disse Pereira.

O brigadeiro avalia que os problemas recentes são motivados por falta de gente no controle do tráfego aéreo, como no embarque internacional de Guarulhos, no fim de semana passado.

Os usuários do transporte aé reo, os mais prejudicados pelos atrasos e cancelamentos, apontam como responsáveis pela crise aérea as empresas e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O coordenador das Ações Judiciais do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Paulo Pacini, disse que "não existem santos nessa história". Para ele, as companhias aéreas são as responsáveis primárias pelos atrasos e cancelamentos de vôos.

- São as companhias que assinam um contrato comprometendo-se a transportar os usuários de um destino a outro em um determinado horário - justifica.

Pacini também responsabiliza a Anac, por não prestar apoio aos consumidores.
- Falta informação generalizada sobre atrasos, itinerários, horários, e isso pode ser atribuído às empresas e a Anac.

Pacini também cobra atitudes do governo federal, do comando da Aeronáutica e dos controladores de vôo.

O movimento de passageiros nos 67 aeroportos administrados pela Infraero cresceu 8,45%, no primeiro quadrimestre de 2007, comparado ao mesmo período do ano anterior, o que dificulta as operações. Foram 36,5 milhões de passageiros embarcados e desembarcados de janeiro a abril deste ano, contra 33,6 milhões no mesmo período de 2006.

A crise do setor aéreo já foi diagnosticada em 1996, na segunda metade do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso. Mesmo assim, não foram tomadas medidas estruturais para conter a crise. Na avaliação de Pereira, é preciso aumentar os terminais e disponibilizar mais aviões para passageiros e cargas.

- Hoje estamos com 80% da capacidade de terminais de carga sendo usados, o que poderá causar um apagão de cargas no futuro - ressalta Pereira.