quarta-feira, agosto 29, 2007

A mistificação dos governos populares

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Na entrevista que concedeu ao jornal O Estado de São Paulo, no domingo, Lula apelara para uma análise tosca e mentirosa . Segue um trecho da entrevista. Em seguida, continuaremos.

Estadão - O que é unificar o País?

Lula - É que as pessoas estavam acostumadas a ver o Brasil assim: uma parcela, metade da sociedade, que conquista a cidadania; outra metade, que está marginalizada, e não vai ter direito a nada. O que nós fizemos: primeiro, manter o status quo dos que já têm (cidadania); garantir uma política forte para trazer a parcela que está fora para dentro do mercado. É isso que nós estamos fazendo.

Bem, vamos por partes. O que divide o país é o discurso que joga pobres contra ricos, negros contra brancos, políticos contra políticos, elite contra elite. E nisto as esquerdas brasileiras tem sido mestras. Nunca houve um apartheid antes de Lula. Havia sim uma divisão de classes, como há em qualquer país. Contudo, a nação era a mesma, o povo era o mesmo, cada um na sua, mas ainda sim um único sentimento de brasilidade.

Há poucos dias, disponibilizamos um link de um certo vídeo que varreu a internet sobre o 3º Congresso do PT, onde eles próprios confessam suas “metas” para o país. Por ali fica claro que há um idesejo de opor-se uma classe contra outra.

Dizer que está tentando “unificar” o País é um atentado a qualquer inteligência, por mais obtusa que ela seja. Lula pratica uma divisão opondo uns contra os outros, além de alimentar movimentos de separação racial, mas principalmente pobres contra ricos.

O fato de existir ricos e pobres não representa que haja um país dividido ao meio. E, independentemente do sistema político ou econômico vigente no país, esta separação sempre haverá. É insensato imaginar que todos possam ser igualados social e economicamente. O doloroso é Lula misturar a classe média, em todos os seus níveis, com a elite econômica. Desde que as fortunas tenham sido adquiridas com trabalho, e muitas vezes trabalho de duas a três gerações de uma mesma família, santo deus, onde está o pecado de ser rico ? Você pode contestar é a omissão da elite muitas vezes para com o país. Mas não pode querer impedir dela ter mais ou menos posses, desde que estas posses sejam adquiridas por intermédio do trabalho.

Ser classe média já é um bocado diferente, e aqui Lula mete os pés pelas mãos. Porque na verdade, sua política ou o seu governo privilegia, mesmo que Lula negue, que os que têm mais possam ter ainda mais. Tivesse Lula diminuído os ganhos das elites e os repassado para os pobres, vá lá, estaria praticando uma melhor distribuição de riqueza, o que sempre será saudável. Mas sua visão é tacanha na medida em que acha que quem é classe média chegou ali graciosamente, desfruta de uma posição social e econômica caída do céu, o que convenhamos, trata-se de uma enorme tolice. A classe média de hoje foi a classe pobre de ontem. Os que ali hoje se encontram ascenderam na escala graças aos seus próprios méritos, ao seu esforço pessoal seja no trabalho, seja nos estudos. E muito ainda contaram com o sacrifício de seus próprios país que se empenharam em dar aos seus filhos uma melhor formação. Onde então o grande pecado ? Contudo, Lula acha que esta classe não precisa do governo, e por tal razão, simplesmente a despreza seja em ações de governo, seja no discurso infame. Reparem neste trecho:

“Tem gente que não precisa do governo, porque já tem carro, casa, plano médico, tem tudo. E tem uma parcela que não tem nada e é essa que precisamos ajudar”.

Isto chama-se cretinice. A grande parte da classe média é formada por dentistas, médicos, engenheiros, advogados, economistas, contadores, e uma infinidade imensa de profissionais liberais. Qual deles ganhou o diploma de graça ? Imaginem os jovens de hoje, aqueles mesmos “beneficiados pelo PROUNI, ou ainda servidores públicos de nível superior: amanhã deverão ser criticados por aquilo que adquiram pelo seu esforço pessoal? Lógico que não. E se hoje a classe média recorrer a escolas particulares, a serviço médico privada, previdência privada, adquirem carro e casa financiada, não foi porque o governo lhes deu isto de mão beijada. Houve sacrifício, esforço, privação para poderem economizar alguma coisa pensando num melhor futuro para si mesmos. E se bancam às custas médico, escola, previdência e até segurança, é porque ali deveria estar o governo e ele não está. Se pudessem, investiriam os recur5sos que gastam com estes recursos em outras coisas, talvez uma empresa até para poderem gerar emprego e renda. Mas, como o Estado se afasta deles, o que assistimos é o seu empobrecimento ano a ano.

Á grande mistificação e farsa das esquerdas brasileiras é alimentarem o desejo de um governo popular por entender que só um governo popular melhorará a condição do povo pobre. Mistificação pura. Se o povo pobre fosse competente para governar um país, seria ao menos competente para governar a si mesmo e deixar de ser pobre. Por que não se administram ao menos a si mesmos ? Porque lhe faltam atributos para tanto. E sempre que o mundo experimentou “governos populares” o que se viu foi o alastramento da pobreza em todos os níveis, a violência em todos os sentidos, a privação das liberdades, a criação de uma elite privilegiada em que acabou se tornando os detentores do poder, corrupção disseminada, a mediocridade vingando como ideologia nacional. Aponte-me um só regime socialista dentro do figurino santificado pelas esquerdas, no qual se tenha fartura plena, riqueza em todos os extratos e sub-extratos da sociedade, onde o poder não se tenha corrompido por completo, onde haja plenitude de liberdades e igualdade, enfim, um paraíso. Vamos ver: Cuba é um paraíso ? A Coréia do Norte? A China? A antiga Alemanha Oriental ? Ou ex-União Soviética? A Venezuela mesmo que ainda seja um arremedo ainda, é um paraíso?

Convenham, fora do capitalismo e da democracia, por piores que seja, não existe melhor sistema.

Que os governos implantem programas que visam melhorar e minorar a condição de pobreza de grande parte da população é um dever que lhes compete impor. Porém, é preciso não mascarar que a saída da situação de dificuldades de cada depende de cada um desenvolver esforços e sacrifícios nesta direção.

Assim, dois mitos precisam ser enterrados de vez como vimos: um, a de que o povo sabe governar melhor uma nação do que a sua elite. Não sabe. Não tem competência, não tem preparo e não tem talento. Não que isto os diminua, mas a cada um segundo suas obras.

O outro mito, mistificador das esquerdas, é a de que somente um governo orientado segundo sua ideologia é capaz de estabelecer o paraíso na terra. A História das Nações está aí para desmascarar esta farsa. Bom seria que Lula descesse ao menos uma vez do palanque para ver a vida aqui embaixo e se convencer de uma vez por todas que, nem toda a classe média é privilegiada, nem todo o rico é vagabundo, nem todo o pobre é honesto e é pobre por culpa dos outros.

Assim, as esquerdas com seu discurso bolorento, acabam caindo no vazio: não conseguiram até hoje mostrar ao mundo um só país sob seu império que se tenha tornado um “case” de sucesso.