BRASÍLIA - O governo lançou nesta quarta-feira um programa de inclusão bancária para beneficiários do Bolsa Família que já existe desde julho do ano passado. Em parceria com a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o programa quer que pessoas que recebem o Bolsa Família possam abrir uma conta corrente na CEF e passem a receber os pagamentos pelo banco, assim como adquirir pequenos empréstimos e ter acesso a poupança. Instituído como projeto-piloto em março do ano passado, em Belo Horizonte, na época o projeto atendeu 4 mil famílias. Depois disso, até agora, já há 1,9 milhão de famílias do Bolsa Família que já possuem conta simplificada na CEF, a chamada "conta-fácil", criada em 2003 pelo governo Lula e que tem 9,5 milhões de correntistas. O objetivo do governo é atender 4 milhões de pessoas até o fim do ano que vem.
O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, disse que o programa aumenta a auto-estima dos beneficiários do Bolsa Família.
- O que muda, em primeiro lugar, é a autoestima - as pessoas deixam de ser beneficiárias de um programa e passam também a ser clientes de bancos. As pessoas passam, também, a ter uma relação mais profissional com o dinheiro porque, ao invés de receber o benefício todo de uma vez, podem fazer saques de até três vezes. E,sobretudo, é a antesala do objetivo maior que buscamos, que é o microcrédito, ou seja, capacitar os beneficiários do Bolsa Família para aprender técnicas financeiras básicas, elas possam, depois, entrar em programas mais emancipatórios - disse Patrus.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá fazer um decreto regulamentando a abertura de contas para pequenos correntistas. A ideia, segundo Meirelles, que não deu mais explicações sobre o assunto, é disciplinar o sistema bancário para que o beneficiário não seja explorado.