Jamil Chade
O Estado de S. Paulo
Há muito por fazer e governo lamenta não participar da organização desde o início
TURIM - A pouco mais de um ano do início da Copa do Mundo, o índice de conclusão das obras prometidas - estádios, intervenções de infraestrutura e projetos de desenvolvimento - não chega a 25%. O balanço foi apresentado neste domingo em Turim pelo governo brasileiro, durante evento organizado pela Fifa num esforço para atrair o interesse internacional para a Copa das Confederações. De acordo com o governo, no torneio-teste do próximo mês de junho apenas uma de cada quatro obras programadas para o Mundial estará pronta.
O Ministério do Esporte considera que "foi um erro" os responsáveis pela Copa dispensarem, por muito tempo, a participação do governo na organização. "Organizar a Copa num país de dimensões continentais e democrático não é fácil", disse Luis Fernandez, secretário executivo do ministério, que participou do evento junto com Ronaldo. "O ponto de inflexão na preparação foi justamente quando todos decidimos nos unir e ter uma representação governamental no conselho (da organização da Copa)."
Fernandez entende que a inclusão do governo na organização mudou o processo por ter significado "novo grau de cooperação e planejamento conjunto". "Foi um erro não ter um representante do governo antes", disse. Questionado sobre quem teria errado, evitou citar nomes. "Quem tomou a decisão de não incluir o governo." A decisão de organizar a Copa sem o governo foi de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF.
Nesse momento, o diretor de comunicações da Fifa, Walter de Gregório, tomou a palavra para dar um fim ao debate. "Erros ocorrem. Mas não faz sentido voltar a essas controvérsias", cortou. "Vamos olhar ao futuro."
PROMOÇÃO
O evento da Fifa em Turim teve como meta convencer os italianos a irem ao Brasil para a Copa das Confederações. Isso porque, fora do País, há pouco interesse dos torcedores.
Dos 800 mil ingressos colocados à venda, mais de 500 mil já foram comprados, um recorde. O problema é que o público é quase integralmente brasileiro.
Para tentar mudar essa situação, a Fifa escalou Ronaldo, ídolo mundial e integrante do Comitê Organizador Local da Copa. Neste domingo, Ronaldo apresentou o torneio na Itália, falou aos jornalistas em italiano, declarou seu amor ao país, visitou redações de jornais e assistiu ao clássico Juventus e Milan.
Nos próximos dias, vai à Espanha, que assim como a Itália passa por grave crise econômica, com o mesmo discurso.
Neste domingo, Ronaldo pediu aos italianos que visitem o Nordeste, região de três das seis sedes. "Espero vocês para um mês de férias e para ver grandes jogos. Convido a todos a irem ao Brasil e à praia", disse.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Como o que é, agora se alega que o governo não participou da organização desde o início? Desde quando? Prá começo de conversa, sem o aval do governo federal, a FIFA não teria escolhido o Brasil para sediar o evento.
Em segundo lugar, a exceção dos estádios, que se prometia não envolver recursos públicos, que outras exigências do caderno de encargos da FIFA não envolviam a participação direta das autoridades públicas? Todas as obras de mobilidade urbana são responsabilidade do poder público. TODAS!!! SEM EXCEÇÃO!!!
Voltem, por favor, no tempo, para recapturar as falas fossem de Lula quanto dos dirigentes da CBF, com todas as ladainhas e falsas promessas!!!
Além disto, quanto tempo o Congresso ficou sentado em cima da questão da liberação de bebidas alcoólicas? E o tal Regime Diferenciado para as obras, quanto tempo se perdeu?
Perdemos quatro anos desenhando projetos que deveriam existir prontos na apresentação da candidatura, não quatro anos depois da escolha!
E, antes de se discutir tudo isso, baseado em que o Brasil apresentou-se como candidato? Com que projeto, ou era apenas puro marketing, sem ter nada de concreto a oferecer a não a "promessa de realizar"?
A grande verdade é que se escondia por detrás da tal candidatura, um apêndice cretino de um projeto de poder e só. Primeiro se pretendia capitalizar politicamente a "grande vitória", o resto ficaria para depois. "Dá-se um jeito", como é comum se ouvir do poder público.
Fica claro, deste modo, que o país jamais tratou com seriedade a imensa responsabilidade que assumiu, e achou que a eterna mania de "dar um jeito", ou de enrolar os incautos, seria suficiente.
Tudo aquilo que de ruim se previu que iria acontecer, está visto, aconteceu. Onde está a famosa "transparência de gastos" tão decantada e tão prometida? Onde ficou o papo furado de que a organização não envolveria recursos públicos? Apontem, por favor, uma única obra onde o orçamento inicial não acabou multiplicado e o cronograma de execução tenha sido cumprido conforme previsto no projeto inicial!!!
Vir agora com esta conversa mole de que se lamenta que o governo não tenha participado da organização desde início, é tomar o país e a FIFA por perfeitos idiotas!