Janaína Figueiredo
O Globo
Ministro da Indústria, Fernando Pimentel reuniu-se com autoridades argentinas
BUENOS AIRES - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior, Fernando Pimentel, reuniu-se nesta quarta-feira, durante mais de duas horas, com as mais altas autoridades econômicas da Argentina, entre elas o novo ministro da Economia, Axel Kicillof, para tentar destravar as negociações entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Segundo fontes argentinas, o governo Cristina Kirchner vem resistindo a avançar nas negociações e até agora só teria apresentado uma proposta sobre bens, mas não concordando em elaborar uma proposta sobre serviços e investimentos, entre outros. Já o Brasil considera fundamental acelerar os ritmos desta negociação com um dos blocos econômicos mais importantes do mundo, que, paralelamente, está em plena negociação com os Estados Unidos.
Nesta quinta, Pimentel voltará ao Ministério da Economia argentino para discutir sobre barreiras as importações aplicadas pela Argentina que estão prejudicando exportadores brasileiras. De acordo com fontes do governo brasileiro, atualmente estão parados na alfândega argentina cerca de 700 mil pares de calçados brasileiros, que não conseguem entrar no país. O setor automobilístico também estará na agenda. O governo argentino acaba de enviar ao Congresso um projeto de lei para taxar em até 50% a venda de carros de luxo, medida que provocou preocupação no governo brasileiro, já que poderia afetar exportações do país e, também, as vendas no mercado argentino, um dos mais importantes para o Brasil.
- Sabemos que o governo brasileiro está preocupado, porque as vendas no mercado argentino certamente vão cair e hoje Brasil e Argentina, juntos, representam o terceiro maior mercado de automóveis do mundo, superados apenas por Estados Unidos e Japão. Está em risco o parque automotivo binacional - disse ao GLOBO o porta-voz da Câmara de Importadores da Argentina, Miguel Ponce.
Segundo ele, “o Brasil teme, principalmente, uma expressiva redução nas vendas do mercado argentino”.
Nesta quarta, o Congresso argentino adiou a discussão do projeto, no mesmo momento em que Pimentel estava reunido com as autoridades argentinas.
Para Ponce, o acordo com a UE é essencial.
- Se os Estados Unidos conseguirem fechar um acordo antes do Mercosul perderemos muito mercado, porque nos EUA teremos de competir com produtos europeus e na Europa com produtos americanos muito mais competitivos - explicou o porta-voz dos importadores argentinos.
As barreiras argentinas também estão afetando os automóveis que o Brasil exporta para o pais. O presidente da Fiat argentina, Cristiano Rattazi, confirmou recentemente que um barco com dezenas de automóveis provenientes do Brasil estava, há varias semanas, tentando entrar nos portos argentinos. A saída do ex-secretário de Comercio Interior, Guillermo Moreno, deverá, na opinião de muitos analistas, facilitar a resolução deste tipo de conflitos. Este é o primeiro encontro de Pimentel com a nova equipe econômica da presidente Cristina Kirchner, e o governo brasileiro espera que, com as novas autoridades, os conflitos que se arrastam há vários anos comecem a ser solucionados.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Um acordo do Mercosul com a União Europeia é um sonho antigo do Brasil que não realizou em razão das inúmeras dificuldades criadas pela Argentina, todas oriundas da extrema ignorância de sua presidente . Vamos ver se nesta rodada é possível avançar alguns pontos.
É preciso registrar que este acordo é essencial para o Brasil, e também para a Argentina. Porém, se o país vizinho pretende se isolar ainda mais, é problema deles, não nosso. Porém, neste compasso de espera, somos nós que estamos perdendo, e a coisa periga ficar ainda pior para nosso comércio internacional caso Estados Unidos e União Europeia firmem seu acordo antes. Restará ao Brasil vender quinquilharias prá índio...e olhe lá!!!!