sexta-feira, dezembro 06, 2013

Inovação perde fôlego na indústria brasileira

Daniel Haidar
Veja online

Pesquisa de Inovação 2011, divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE, constata desaceleração na criação de produtos e processos inovadores no setor industrial. No Brasil, segmento de energia e eletricidade é o que tem maior percentual de investimento e produção de novidade

(Paulo Vitale) 
Laboratório de perfumes da Natura 

O ritmo da inovação na indústria brasileira demonstra sinais de recuo, de acordo com a Pesquisa de Inovação 2011 (Pintec), divulgada na manhã desta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo, feito com base em questionários respondidos por telefone por representantes de cerca de 400 empresas com dez ou mais empregados, reflete as ações implementadas em inovação de produtos ou em processos produtivos dos setores industrial, de serviços de um grupo específico e, a partir desta edição, do setor de eletricidade e gás. 

De forma geral, no período entre 2009 e 2011, no universo pesquisado – que reflete a tendência de 128.699 pessoas jurídicas com dez ou mais pessoas ocupadas – houve 45.950 empresas que implementaram produtos ou processos novos ou “significativamente aprimorados”, uma “taxa geral de inovação” de 35,7%, segundo o IBGE. O dado não pode ser comparado diretamente com as pesquisas anteriores, pois houve a inclusão de novos segmentos na pesquisa até 2011.

O estudo conclui que, em relação à indústria, que já constava na edição anterior, houve redução de 38,1% para 35,6% na taxa de inovação. Enquanto aumentou o total de empresas que se enquadram nesse grupo pesquisado, com um crescimento de 16,1%, o crescimento entre as indústrias que apresentaram alguma transformação inovadora no período pesquisado foi de apenas 8,3%.

Especialistas ouvidos pelo site de VEJA relacionam a queda no nível de inovação nas indústrias brasileiras à crise financeira global iniciada em 2008. Em um cenário de incertezas, gastos em inovação acabaram suspensos ou adiados para preservar recursos em cenários de maior adversidade, destaca Felipe Scherer, sócio-fundador da consultoria Innoscience, que presta serviços para empresas do setor farmacêutico e de telecomunicações, entre outras áreas em que a inovação é um fator de competição. “Investimento em pesquisa e desenvolvimento é feito com visão de longo prazo. Tem risco de não dar retorno. Quando a empresa percebe um cenário futuro incerto, a inovação é um dos primeiros cortes pela necessidade de proteger o caixa”, avalia Scherer.