terça-feira, maio 22, 2007

TRAPOS & FARRAPOS...

Jogando fora oportunidades.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Afinados contra a CPI
Depois estes caras não querem perder eleição. Vejam a “beleza” do que disse Agripino Maia (DEM-RN) sobre a possibilidade de se abrir uma CPI no Congresso para investigar-se o novo escândalo na praça, A Operação Navalha da Polícia Federal:

- As especulações não podem se sobrepor aos fatos -, afirmou, repetindo a frase do colega, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que teria ajudado a liberar emendas para a Gautama, empresa que montou o esquema de desvio de recursos públicos e pagamento de propinas.

Agripino diz que essa crise tem que ser resolvida pelo Executivo, não pelo Congresso Nacional:

- Esse (Ministério de Minas e Enegia) é um órgão do Poder Executivo. Se há alguma irregularidade é o governo que tem que investigar. Quem faz licitações e paga não é o Congresso Nacional, é o Poder Executivo -, afirmou.

O mesmo argumento não valeu, porém, para a CPI que investigou os Correios, o desvio de recursos do orçamento para a compra de ambulâncias – Sanguessugas - e para a atual CPI do Apagão Aéreo, que vai investigar a Infraero – que é do Executivo. O que será que Agripino teme ? Ou treme ? Aí tem, e fede...

Censura Prévia e o silêncio de quem deveria protestar
Conforme vocês leram no artigo do Mainardi, da Veja (postado hoje, mais abaixo), o governo Lula na sua tentativa de cerceamento à livre manifestação, e atendendo aos apelos de ideologia de que cabe ao Estado dizer o que o cidadão deve fazer ou não, ou o que pode assistir ou ler, ou não, criou no íntimo do Ministério que um dia foi de Justiça, o tal do DEJUS – Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação. É muito nome para pouca coisa: bastaria ter dito que se trata de um Departamento de Censura. E pronto. Ficaria mais simples. Porque ao denominar assim sua nova tentativa de impor a censura no país, criar o nome de DEJUS, com todo aquele significado, além da cretinice de restabelecer e reintroduzir a prática da censura no país, o governo Lula apostou na nossa idiotia dando este apelido imenso para uma ordinária, vil e tirânica medida. O nome não esconde a canalhice que a função carregará, se for de fato imposto ao país. Mais adiante, vamos reproduzir o que significa esta política em outro país, como a Venezuela, onde a voz da oposição está sendo calada seguindo-se o mesmo roteiro que Lula tenta copiar aqui.

O doloroso é não vermos OAB, oposições partidárias e nenhuma das chamadas entidades sociais se levantarem contra este arbítrio. Isto me faz lembrar aqui uma famosa frase de Martin Luther King que dizia: “Nossa geração não lamenta tanto os crimes dos perversos, quanto o estarrecedor silêncio dos bondosos”.

A prostituição infantil
Eis mais um dos tantos flagelos que se cometem neste país, e sem que se assista uma única e miserável ação patrocinada pelo governo Lula para por um basta neste câncer.

Há poucos dias atrás, reproduzimos aqui o aumento que vem ocorrendo na prática do trabalho infantil. Aliás é bom lembrar: este caso do trabalho infantil é uma total reversão ao quadro que o país viveu durante dez anos em que os índices foram caindo acentuadamente, principalmente no governo FHC. A reversão negativa vem se dando desde 2004, portanto dentro do mandato de Lula, o que o impede de transferir, como é seu hábito, a responsabilidade para os outros.

Diante dos números assustadores em relação à prostituição infantil, alguém aí viu ou ouviu alguma das tantas autoridades, defensores de direitos humanos, ONGs, especialistas em direitos das crianças, se pronunciarem, irem para os jornais e televisões exigindo e cobrando providências do governo federal ? Não, né ? Se a sua grande maioria acostumou-se a defender os criminosos e condenar as vítimas, vão falar agora o quê? Pois como se poderá conceder credibilidade a este desgoverno, no campo de políticas sociais, a partir do momento em que ele praticamente está condenando a infância brasileira à miséria ? Querem ver? Três pontos para vocês pensarem: ponto A, aumento do trabalho infantil, ponto B, aumento indiscriminado da prostituição infantil, e ponto C, a defesa quase intransigente do aborto. E, na esteira disto tudo, uma educação de péssima qualidade, ministrada em escolas caindo aos pedaços. E tudo ocorrendo dentro de seu governo. Ora, quem não fez o que deveria em quatro anos e meio, acreditem, não conseguirá fazê-lo em mais dois ou três, pela singela razão de que é incompetente para fazer qualquer coisa decente em benefício do país.

A questão cambial e a hipocrisia do discurso do governo
Durante todo o ano de 2006 ficamos quase que pregando isolados no deserto de que o governo estava patrocinando um imenso desequilíbrio na relação dólar/real. O governo justificava-se com a balela das exportações. E nós dizíamos que as exportações não eram o problema. A combinação perversa de juros altos e desoneração de ingresso de dólares para financiamento da dívida pública estava destruindo empregos, impedindo que se exportasse manufaturados tradicionais da nossa pauta, e que isto acabaria se virando contra o próprio país.

Finalmente, de uns dois meses para cá, alguns economistas começaram a se dar conta do perigo que representava para o país a super-valorização do real. Tanto o governo, quanto alguns “especialistas” olham o câmbio atual pelo lado da inflação. Voltem no tempo, anterior a desoneração de que falei, fevereiro de 2006. Observem as inflações de 2004, 2005 e 2006. Alguém pode dizer quando que a inflação, neste período, esteve prestes a sofrer um abalo para um crescimento descontrolado ? Simplesmente, a inflação sempre esteve sob o controle do governo federal, ou mais precisamente, do Banco Central. A grande arma para isto tem sido justamente a política de juros, e nunca a política cambial. Portanto, a inflação está onde sempre esteve, controlada e quieta em seu canto, porque com os juros praticados internamente, ela não consegue nem se mexer e sair do lugar.

Depois, o governo papagaiou que o câmbio atual favorecia as importações, que de fato, pelo volume de nossa balança comercial, poderia sim ser maior. E de que estas importações poderiam dar-se no campo de tecnologia, máquinas e equipamentos, para que se aplicasse no país um choque de melhoria de nossa produtividade.

O discurso seria excelente não fosse um pequeno detalhe: cadê o incentivo para isto acontecer ? Qual medida no campo de redução de alíquotas de importação, que tenha sido adotada pelo atual governo ? Ora, fica fácil para o governo Lula e sua equipe econômica cobrarem ações dos empresários. Mas acaso o governo ajuda com alguma coisa ? Cadê as reformas necessárias para o país destravar seu crescimento de uma vez por todas ? Cadê as reformas há tempo cobradas no campo trabalhista, previdenciária, e a mãe de todas, no campo tributário, que o senhor Luiz Inácio vem empurrando com a barriga desde janeiro 2003 covardemente por temer algum risco político para si mesmo e sua grotesca popularidade ? O país não pode ficar refém do egoísmo de um presidente que teme perder alguns pontinhos no IBOPE, se fizer ou tomar providências naquilo que serve ao interesse de todo o país! É fácil o senhor Luiz Inácio cobrar dos empresários aquilo que o seu governo está deixando de fazer. Como sempre, ele adora transferir suas responsabilidades para outros.. Não se jogam fora, impunemente, as oportunidades de crescimento vertiginoso que poderíamos viver. Se Lula tem sorte de governar o país no melhor momento da economia mundial dos últimos 30/40 anos, o Brasil não poderia ter tido maior azar do que ser governado por alguém tão despreparado quanto ele para viver este momento.