Antônio Ermírio de Moraes, Jornal do Brasil
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O assunto da semana foi o dólar abaixo dos R$ 2. O Banco Central não consegue evitar a derrocada da moeda americana. As forças são mundiais e o Brasil está despreparado.
O que está acontecendo na economia mundial é uma verdadeira revolução. A entrada de novos atores no comércio internacional - como é o caso da China, da Índia e do dos países do Leste Europeu - ocasionou uma transformação profunda das relações de troca.
O Brasil, como membro dos chamados BRICs, foi considerado como um dos beneficiários da boa conjuntura mundial, prevendo-se, assim, altas taxas de crescimento econômico. Nos últimos cinco anos, porém, enquanto Rússia, Índia e China cresceram mais de 6% ao ano (acima de 10% no caso chinês), nosso crescimento ficou na casa dos 3%, mesmo com a nova metodologia de cálculo do Produto Interno Bruto.
No meio da revolução ocorrida, teríamos de ter a feito a nossa para nos posicionarmos com vantagem nos novos padrões de competição. Infelizmente, nada foi feito para reduzir os impostos, acabar com o déficit público, em especial da Previdência Social, melhorar a infra-estrutura, ou modernizar as leis do trabalho. Numa palavra, enquanto o mundo se transformou, nós ficamos como estávamos.
As conseqüências do imobilismo começam a surgir com força. Vários setores da economia brasileira estão sofrendo com essa nova conjuntura, por não terem conseguido compensar ou superar os constrangimentos decorrentes da falta de reformas estruturais, como é o caso da indústria de calçados, têxtil, confecções, mobiliário e outras.
É verdade que outros se beneficiaram do forte aumento de demanda e dos preços favoráveis do mercado internacional. Mas, de certa maneira, os bons ventos para esses setores vieram do fato do mundo comprar o Brasil e não de o Brasil vender para o mundo. Seria muito melhor se as reformas estruturais tivessem sido feitas de modo a alavancar todos os setores produtivos em termos de competitividade.
Estamos no meio de um grande esforço para tirar o atraso. Esse é o propósito do PAC. Potencial de crescimento, temos em abundância. Mas a corrida terá de ser frenética para se construir tudo o que está planejado e, no fundo, continuamos a depender das benditas reformas dos impostos, da Previdência e do trabalho.
As medidas tópicas não são suficientes. A taxa de juros precisa baixar, mas será que isso deterá a queda do dólar? Sejamos realistas: temos de sair dessa armadilha, modernizando a estrutura tributária, o sistema previdenciário e as leis trabalhistas.
O assunto da semana foi o dólar abaixo dos R$ 2. O Banco Central não consegue evitar a derrocada da moeda americana. As forças são mundiais e o Brasil está despreparado.
O que está acontecendo na economia mundial é uma verdadeira revolução. A entrada de novos atores no comércio internacional - como é o caso da China, da Índia e do dos países do Leste Europeu - ocasionou uma transformação profunda das relações de troca.
O Brasil, como membro dos chamados BRICs, foi considerado como um dos beneficiários da boa conjuntura mundial, prevendo-se, assim, altas taxas de crescimento econômico. Nos últimos cinco anos, porém, enquanto Rússia, Índia e China cresceram mais de 6% ao ano (acima de 10% no caso chinês), nosso crescimento ficou na casa dos 3%, mesmo com a nova metodologia de cálculo do Produto Interno Bruto.
No meio da revolução ocorrida, teríamos de ter a feito a nossa para nos posicionarmos com vantagem nos novos padrões de competição. Infelizmente, nada foi feito para reduzir os impostos, acabar com o déficit público, em especial da Previdência Social, melhorar a infra-estrutura, ou modernizar as leis do trabalho. Numa palavra, enquanto o mundo se transformou, nós ficamos como estávamos.
As conseqüências do imobilismo começam a surgir com força. Vários setores da economia brasileira estão sofrendo com essa nova conjuntura, por não terem conseguido compensar ou superar os constrangimentos decorrentes da falta de reformas estruturais, como é o caso da indústria de calçados, têxtil, confecções, mobiliário e outras.
É verdade que outros se beneficiaram do forte aumento de demanda e dos preços favoráveis do mercado internacional. Mas, de certa maneira, os bons ventos para esses setores vieram do fato do mundo comprar o Brasil e não de o Brasil vender para o mundo. Seria muito melhor se as reformas estruturais tivessem sido feitas de modo a alavancar todos os setores produtivos em termos de competitividade.
Estamos no meio de um grande esforço para tirar o atraso. Esse é o propósito do PAC. Potencial de crescimento, temos em abundância. Mas a corrida terá de ser frenética para se construir tudo o que está planejado e, no fundo, continuamos a depender das benditas reformas dos impostos, da Previdência e do trabalho.
As medidas tópicas não são suficientes. A taxa de juros precisa baixar, mas será que isso deterá a queda do dólar? Sejamos realistas: temos de sair dessa armadilha, modernizando a estrutura tributária, o sistema previdenciário e as leis trabalhistas.