Ricardo Setti
Veja online
(Foto: Celso Junior / Reuters)
Competência técnica dos futuros ministros?
Experiência deles no respectivo ramo?
Preocupação em melhorar a eficiência do governo?
Preocupação em melhora o atendimento à população?
QUE NADA!!!!
A “reforma ministerial” que a presidente Dilma vai empreender a partir do começo do ano, dentro de dois meses e pouco, tem como PRINCIPAL — para não dizer ÚNICA — preocupação contentar partidos da atual base aliada, de forma a que entrem para a coligação que a apoiará em outubro de 2014.
Caso o saco de gatos contraditório que é essa “base aliada” cause trombadas em palanques estaduais, ainda assim a distribuição de ministérios, acredita o governo, servirá para bloquear a tentação de que um ou outro partido se bandeie, nos Estados, para os palanques dos adversários do PT — a começar, claro, pelo PSDB de Aécio Neves e pelo PSB da aliança Eduardo Campos-Marina Silva.
O PT costuma ser acusado de incorrer nas mesmas práticas que, antigamente, criticava nos partidos “tradicionais”. Na verdade, se formos medir tudo o que se tem feito nesses quase 11 anos de poder, as práticas do PT são ainda piores. E ainda ficam bravos quando criticados pelo uso da máquina pública…
Bem, leiam a reportagem sobre a “reforma ministerial” vocês mesmos.
Do site de VEJA
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GOVERNO TERÁ DOZE PASTAS PARA “SEDUZIR” PP E PSD
Intenção é que, se as siglas decidirem por não apoiar petista, também não deem palanque para seus adversários; reforma deve ser feita até janeiro
A presidente Dilma Rousseff pretende usar cerca de doze vagas deixadas por ministros que vão disputar as eleições em 2014 para amarrar o apoio do PP, PTB e PSD a seu projeto de reeleição.
A reforma deverá ser feita no fim de dezembro ou em janeiro. Caso uma aliança formal com esses partidos não seja possível, sobretudo por causa dos palanques regionais, a ideia do governo é que as siglas seduzidas, se não apoiarem Dilma, ao menos não deem palanque para os adversários da petista.
A estratégia é considerada fundamental para neutralizar a capilaridade do PSDB, do senador Aécio Neves (MG), e do PSB, do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, agora apoiado pela ex-ministra e ex-senadora Marina Silva. O governo não descarta que o PMDB, em uma reforma ministerial, possa ceder mais espaço para partidos que ganharam mais importância com o troca-troca de legendas dos parlamentares até o último dia 5.
Em nome do fortalecimento da chapa Dilma-Michel Temer, está sendo discutida dentro do Palácio do Planalto a possibilidade de o PMDB abrir mão de alguma das pastas que comanda para ajudar a recompor o jogo partidário. O senador José Sarney (PMDB-AP), que já não é mais presidente do Senado, ainda ostenta duas indicações ministeriais e poderia abrir mão de uma delas. Com a saída de seu apadrinhado Gastão Vieira do Turismo para disputar o Senado pelo Maranhão, a pasta pode ser repassada ao PP.
Flerte do PP –
O interesse de Dilma em evitar o rompimento com o PP e sufocar o flerte do partido com o PSDB foi potencializado pelo crescimento da bancada do partido no Congresso, que chegou a ter 37 deputados federais, e agora tem 44. Isso significa, em uma aliança formal, mais tempo de TV para emprestar ao futuro coligado. Influente no PP, o senador Francisco Dornelles (RJ) – presidente de honra do partido – é tio do tucano Aécio Neves. O presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), porém, é fiel aliado de Dilma.
Além de aumentar a influência do PP em seu governo, Dilma estuda recompensar com um ministério mais “vistoso” o PSD, do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. Atualmente a sigla ocupa a recém-criada pasta da Micro e Pequena Empresa, comandada por Guilherme Afif.
Kassab prometeu ser fiel à candidatura de Dilma. Deixou claro, ainda, que se o PSD formalizar o apoio à reeleição da petista é “natural” que ocupe cargos no ministério. Mas Dilma espera receber a fatura da fidelidade, sobretudo contando com o apoio de Kassab em São Paulo.
Mudança de rumo –
Desta vez, a necessidade de manter mais aliados na coalizão tem a ver com as votações no Congresso. O governo considera que em 2014 não haverá votações tão impactantes para o Palácio do Planalto e que as eleições vão esfriar a agenda do Legislativo.
A busca por uma base ampla vai contra sinais expressados pelo governo no auge da crise entre o Executivo e o Legislativo, no primeiro semestre do ano. Para conter o fisiologismo de aliados que estariam exigindo demais e cooperando pouco com o governo, discutia-se para 2014 uma coligação mais enxuta e coerente. Na época, os petistas estavam animados com a alta popularidade da presidente.
Com Estadão Conteúdo
