domingo, junho 08, 2008

Rejeição ao PT, fenômeno novo !

Adelson Elias Vasconcellos

Interessante o quadro político que se está desenhando no país, principalmente nos estados de maiores colégios eleitorais, com vistas às eleições municipais deste ano.

Considerando-se a popularidade de que goza Lula, era de se esperar que a maioria dos grandes partidos disputassem a tapa uma aliança com o PT, para poderem contar com a presença de Lula em seus palanques, coisa da qual ele tem uma propensão natural.

E o que temos visto é justo o contrário. Em São Paulo ninguém quer coligar-se com Marta Suplicy, o que, até certo ponto, é compreensível em função da rejeição que ela tem junto a um parte considerável do eleitorado paulistano. Em Belo Horizonte, naquele amassa-e-esfrega de Aécio Neves, o PSB prefere romper com o PT e preservar a aliança com o PSDB. Até no Rio Grande do Sul, onde o PT tem simpatias enormes, o PT acha-se dividido em si mesmo. De um lado,os governistas, de outro os que se consideram “petistas puros” não importando que diabos signifique isto.

Agora, inesperadamente, no Rio de Janeiro, Cabral aprova e anuncia rompimento com o PT, mesmo sendo Cabral muito íntimo na sua parceria com Lula.

É um fenômeno estranho este, e até ponto, fora do script que se desenhava para outubro próximo. A se confirmarem os cenários acima proximamente, as grandes capitais como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre poderão ter palanques armados sem a presença do “poderoso” Lula.

Claro que até as eleições muita coisa pode mudar, muito embora o prazo para as alianças se firmarem devam estar sacramentadas bem antes, e justo por conta do tempo exíguo que ainda resta, o fenômeno de não aliança com o PT assume um ar de mistério. O que está havendo que a gente não sabe ainda, para esta repulsa ao PT nas grandes capitais? E nas demais grandes e médias cidades isto poderá se repetir? Que ações de parte dos petistas estão colaborando para esta “rejeição”? E a se confirmar o cenário da “rejeição”, ele terá vida longa até 2010 ou será apenas um efeito localizado, temporário, estritamente de cunho regional, não afetando as alianças que se podem projetar para 2010?

Convém ficarmos atentos, portanto, porque não há como duvidar, o fenômeno é novo e bem estranho. Ou não ?