domingo, junho 08, 2008

A saída para o Brasil não precisa ser o próximo aeroporto

Adelson Elias Vasconcellos


Nas três revistas semanais mais importantes, que chegam às bancas neste final de semana, o assunto VARIG predomina. Ou melhor dizendo, a venda criminosa da VARIG tornou-se o centro de atenções.

E, sem falso orgulho, podemos dizer que a forma como o governo Lula se comportou em relação ao modo como tratou “matou” a mais importante companhia aérea do país e, posteriormente, como ultrapassando todas as fronteiras da decência, acabou armando uma negociata de que não se tem notícia sequer parecida, dada a coleção de crimes que ali se viram praticados, sempre encontrou neste espaço um dos mais ferrenhos críticos. Mesmo depois de passado o ponto mais crítico da crise aérea que assolou o país por mais de 10 meses, com um passivo doloroso de mais de 300 cadáveres que foi o saldo dos dois maiores acidentes da história da aviação comercial brasileira, sempre que a oportunidade se oferecia batíamos na mesma tecla: era preciso abrir este baú e de lá deixar vir a público toda a verdade que cuidadosamente e vigilantemente o governo Lula tentou ocultar da sociedade.

Não foi apenas um empresa privada, a VARIG representou e, de certo modo, ainda representa um marco histórico do Brasil na conquista de seu espaço de respeito no restante do mundo. Podíamos ser considerado um país pouco sério nas suas relações comerciais, contudo, a VARIG era sempre vista como uma exceção. E há que se registrar: nunca precisou contar com um centavo de “favores” federais. Seu crescimento e seu sucesso se fizeram fruto de seus profissionais, todos de excepcional qualificação e que ao longo dos anos construíram uma marca símbolo de excelência na aviação comercial mundial.

De quando em quando afirmava: um dia ainda saberemos dos reais motivos pelos quais o governo Lula premeditadamente sufocou a VARIG, não lhe estendeu um mísero socorro que fosse e tudo fez para enterrar a companhia e, junto com ela, sua história. A matéria que surge na imprensa nacional agora, acreditem, é apenas um pedacinho deste meandro de malvadezas. Há muito mais ainda para ser divulgado. Quem sabe, depois do escândalo aflorado por Denise Abreu, não apareçam outras “Denises” com a coragem suficiente para peitar os vigaristas do Planalto e colocar para fora toda a imundície que ainda desconhecemos.

Nós do COMENTANDO A NOTÍCIA precisamos cumprimentar um jornalista que, durante todo este tempo, sempre veio a público para clamar justiça, fosse pela empresa assassinada pelo governo Lula, fosse pelos milhares de profissionais sobre os quais o sindicalismo-pelego acumpliciado ao esquema organizado para o crime assentado na presidência da república dos delinqüentes, cuspiu de forma odiosa. Foi incansável a pena do jornalista PEDRO PORFÍRIO, da Tribuna da Imprensa, para cobrar e clamar por justiça no caso da VARIG. E aqui este espaço sempre se dispôs, por partilhar das mesmas opiniões, a se colocar à disposição do Pedro para reproduzir seus artigos críticos e sinceros sobre a maneira criminosa, sórdida e odiosa como o governo Lula, por sua cúpula e seus agentes amestrados, se comportou.

De nada vale a defesa da ministra Dilma em tentar se defender acusando um “fogo inimigo” contra a sua pessoa. Se algum fogo aqui a atinge é em vista de seus atos e as conseqüências que deles se derivaram. No casso do dossiê que os moleques governistas impediram que a investigação prosperasse, além de cercearem em tempo integral que a própria comissão apurasse os inúmeros crimes de desvios de recursos públicos praticados com cartões corporativos, Dilma pode contar com um batalhão de famigerados soldadinhos de chumbo, prontos a defendê-la e dela afastar os “perigos iminentes”.
Porém, era um caso circunscrito a poucos agentes do crime. Diferentemente, o CASO VARIG se apóia em inúmeras chaves testemunhas chaves que apóiam as denúncias levantadas por Denise Abreu, afora os sem números de documentos autênticos que comprovam que a senhora Dilma que adorava mentir na ditadura, continua mentindo na democracia. Se antes mentia para defender-se de torturas, agora mente desbragadamente para ocultar seu jeito criminoso de ser.

Lula pode adorar-lhe a lealdade, porém, pouco entende do ser humano quando acha que para sucedê-lo é preciso investir um perfil de truculência, grosseria, estupidez e má educação explícita. Para administrar qualquer coisa é preciso competência forjada na relação civilizada entre as pessoas. Dilma, ao contrário, acha que para o governo funcionar precisa apelar para a deselegância. Talvez no clubinho de terroristas e guerrilheiros em que forjou sua personalidade, a tática talvez funcionasse, mas na administração pública é preciso um “algo mais” de que se acha muito distante de ter.

E este perfil fica latente na descrição de suas manobras espúrias para lograr êxito da estratégia de sepultar-se a VARIG, através de negociatas de sub-mundo. Assim, não se trata de “fogo inimigo”. Se trata, isto sim, de fogo da verdade, coisa que tanto ela quanto seu chefe parecem não estarem muito habituados. No Brasil existem leis, e muito embora no meio político vigora a selvageria da pilantragem e da corrupção, isto não concede aos governantes direitos de delinqüirem, de se sobreporem às leis e, principalmente, não excederem os limites da decência, da moralidade e da ética. Se alguém em todo o episódio uso de fogo inimigo foi a própria Dilma, que não se furtou em momento algum a adotar práticas que excederam aos limites legais e morais. O fogo inimigo de Dilma patrocinou e protagonizou em seus porões a mais nefasta ação comercial contra milhares de brasileiros porque, além dos milhares de funcionários com que prestava seus serviços, a VARIG era amada por milhões de brasileiros ao longo de sua história. E este sentimento de carinho e de respeito, a senhora Dilma parece sentir inveja porque, por mais que faça, o máximo que consegue com sua atuação bizarra, é desprezo. Respeito é algo que conquista com carinho, trabalho e educação, e não pela ação viciosa, truculenta e imoral.

Talvez a CASO VARIG possa sinalizar um final de tempos, aqueles em que políticos e governantes imbecis acham que basta um bom plano de marketing para lograrem simpatia e aplausos. Talvez possa sinalizar o início da desmistificação de certos ídolos que continuam cumprimento a todos com o chapéu alheio. Talvez sinaliza o caminho verdadeiro que o país deva buscar para sair desta turbulência em que o povo esteve inebriado e entorpecido e se dê conta de somos um país porque somos um só povo. Precisamos acreditar e apostar que não é pela divisão de classes em conflito constante que construiremos um país forte e civilizado. Somos pacíficos por natureza, contudo, precisaremos retomar o destino deste país em nossas mãos antes que este povo se fragmente em dezenas de “pequenas nações” se odiando mutuamente.

E, especificamente neste caso, somente acreditarei que os propósitos são honestos e sadios de parte do governo Lula se ele ordenar que se desfaça todo o crime cometido, e ainda, sem recorrer a truques cretinos, ordenar que a VARIG receba do governo a indenização a que tem direito, devidamente reconhecida pela Justiça.

Está na hora do Brasil voltar a ser Brasil. A VARIG era um símbolo que o senhor Lula tinha o dever de preservar, assim como a integridade territorial que açodadamente ele e seus capangas canastrões tentam destruir. Talvez Denise, de tão má memória por sua passagem desastrosa pela ANAC tenha, de fato, se redimido de seus erros e de sua omissão no testemunho dos atos rasteiros e criminosos que assistiu e silenciou. Sua fala, se não a livra do mal praticado, pelo menos sinaliza que ainda temos saídas, e estas não precisam ser a de embarcar no próximo aeroporto, a bordo do primeiro vôo pilotado por energúmenos e medíocres.