Adelson Elias Vasocncellos
Seria estranho se ministros e assessores do Planalto não fizessem alguma espécie de defesa à ministra Dilma no episódio da VARIG, afinal, queiram ou não, remam no mesmo barco. A defesa, portanto, neste caso, é absolutamente normal e natural.
Qual, então, o problema, se é que possa haver um? É a forma como esta defesa se manifesta. Declarações de Jobim, Tarso Genro, até de Gilberto Carvalho soam com o ranço típico dos imorais. Até a própria Dilma parece querer ver chifre em cabeça de cavalo.
Sempre é bom lembrar que, todos os grandes escândalos que pipocaram neste governo, e foram muitos e tantos que a gente até se esquece de alguns, invariavelmente sua descoberta e aparição pública se deu por obra e graça de alguém da própria base governista. Em nenhum deles vocês encontrarão digitais de alguém da oposição, por exemplo. E os poucos que escaparam, justiça se faça, nasceram frutos de ações protagonizadas pela Polícia Federal. Como se pode ver pelo episódio do BNDES, onde o envolvido da vez é o deputado Paulo Silva, Paulinho da Força Sindical. Muito embora este diga que se trata de perseguição e armação política contra si e sua atuação como deputado, o fato é que todas as provas, documentos e gravações, foram divulgadas pela Polícia Federal.
Assim, se desfaz o engodo que se tenta aplicar de que se trata de uma “trama” da oposição que, coitada, mal dá conta de si mesma, quanto de fazer uma oposição de fato digna do nome em relação ao governo organizado para o crime.
Seria estranho se ministros e assessores do Planalto não fizessem alguma espécie de defesa à ministra Dilma no episódio da VARIG, afinal, queiram ou não, remam no mesmo barco. A defesa, portanto, neste caso, é absolutamente normal e natural.
Qual, então, o problema, se é que possa haver um? É a forma como esta defesa se manifesta. Declarações de Jobim, Tarso Genro, até de Gilberto Carvalho soam com o ranço típico dos imorais. Até a própria Dilma parece querer ver chifre em cabeça de cavalo.
Sempre é bom lembrar que, todos os grandes escândalos que pipocaram neste governo, e foram muitos e tantos que a gente até se esquece de alguns, invariavelmente sua descoberta e aparição pública se deu por obra e graça de alguém da própria base governista. Em nenhum deles vocês encontrarão digitais de alguém da oposição, por exemplo. E os poucos que escaparam, justiça se faça, nasceram frutos de ações protagonizadas pela Polícia Federal. Como se pode ver pelo episódio do BNDES, onde o envolvido da vez é o deputado Paulo Silva, Paulinho da Força Sindical. Muito embora este diga que se trata de perseguição e armação política contra si e sua atuação como deputado, o fato é que todas as provas, documentos e gravações, foram divulgadas pela Polícia Federal.
Assim, se desfaz o engodo que se tenta aplicar de que se trata de uma “trama” da oposição que, coitada, mal dá conta de si mesma, quanto de fazer uma oposição de fato digna do nome em relação ao governo organizado para o crime.
A ministra chega ao cúmulo de apontar no caso da VARIG, ao “fogo inimigo” as denúncias feitas por Denise Abreu. Santo Deus ! Por acaso até bem pouco tempo atrás Denise trabalhava para qual governo? E por acaso antes de ir para a ANAC, agência criada NESTE GOVERNO, dona Denise não servia à Casa Civil do governo Lula? Portanto, onde o fogo inimigo?
Então, façam o favor, gente: vamos parar com este papo furado de que as malvadezas cometidas pelo governo Lula e que tem sido descobertas e divulgadas, sejam fruto de uma ação dos oposicionistas. Aqui, neste ponto, os oposicionistas tem sido mais inocentes do que os próprios governistas.
Só para se ter uma idéia da alucinação deste pessoal, coletei algumas manchetes das declarações feitas nos últimos dias por ministros e assessores:
No Globo Online: “VarigLog: Gilberto Carvalho acusa oposição pelas denúncias contra Dilma Rousseff”;
Na Folha Online: “Múcio diz que "ressentimento" de Denise Abreu pode estar por trás de denúncias”
Ainda na Folha Online, declaração do ministro Tarso Genro: “Ministro diz que Dilma é "alvo político" por coordenar obras do PAC”
Mas dentre estes, ao menos uma me pareceu equilibrada e no tom certo, que foi a do ministro Paulo Bernardo, do Planejamento: "Bernardo defende Dilma, mas apóia investigação no caso VarigLog”
Perfeita e no tom certo. É assim que qualquer pessoa equilibrada deve se portar quando investida de cargo público. Ou seja, apóia, defende colegas mas não pratica um nefando corporativismo de boteco. Apesar do apoio e da defesa, quer que tudo seja investigado e esclarecido. Claro que Bernardo, por trás das cortinas que escondem o palco do submundo pelo qual flana o atual governo, pode participar das ações de encobrimento dos fatos, assim como sabemos que foi sua atuação no dossiê anti-FHC. Porém, não pode é publicamente tentar mistificar os fatos, sonegar a verdade e incentivar que nada apurado.
A entrevista de Denise Abreu, pelo seu conteúdo, está apoiada não apenas no testemunho de outras pessoas mas também em documentos que dão sustentação ao que ela afirmou. Portanto, o melhor que se faria, no caso, seria alimentar investigação e apuração, e não tentar investir primeiro, pela desqualificação da denunciante que, por mais que tenha errado na vida, ainda assim o que informa merece ser investigado.
O caso da VARIG representa bem a cultura que se instalou na presidência da república. Claro que alguém virá correndo gritar que “sempre foi assim”, que acaba sendo exatamente o tom do que disse Lula na entrevista que deu na França, ainda sob os holofotes do mensalão. “Fizemos o que todos fazem”. Ali ficou claro, pelo menos para mim, que o PT, precisamente Luiz Inácio, havia cometido uma espécie de estelionato eleitoral, porque foi justamente sob a bandeira da moral e ética da prática publica que ele se elegeu. Durante todos os anos em que militou na oposição, tanto Lula quanto seus companheiros de partidos, a lembrar alguns como José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, dentre tantos, sempre desfraldaram a bandeira da moral. Nunca consentiram com um milésimo de suspeita contra quem quer que fosse. Contudo, no poder, abandonaram o discurso da ética e adotaram o do “fizemos o que todos sempre fizeram”. Assim, o principal brilho das campanhas petistas e lulistas, foi enterrado a partir do instante em que se tornaram governo. Otário foi quem votou neles achando que seria diferente, porque, além da propaganda enganosa, acabou comprando gato por lebre.
Assim, a seguir-se pelas declarações dos ministros e assessores do Planalto, bem como pela ação de cerceamento às investigações que a base governista atua no sentido de impedir abrir-se a caixa preta em que se esconde Lula da Silva e toda a sujeira fétida que exala de seu governo de mentiras e mistificações, é de se esperar que se estejam urdindo nos submundos palacianos mais uma daquelas estratégias prontas a manter impunes as ratasanas do poder.
Até pode não dar em nada. Não importa. Contudo, por mais popularidade que Lula tenha, seu governo irremediavelmente estará marcado na história como o mais corrupto de toda a história republicana brasileira. E demore o tempo que demorar para o petê sair do Planalto. Mas isto um dia acontecerá e muita água suja, represada por tanto tempo, acabará escorrendo. E aí não haverá marketing político capaz de impedir que conheçamos a verdade do que foi o seu desgoverno.
Não apenas a VARIG deixa transparecer o tipo de governo que preside o país. A armação de compra da Brasil Telecom pela Oi/Telemar, por intermédio de violências administrativas do governo Lula contra lei em vigor -para não falar da imensa imoralidade implícita na junção de ilegalidade e favorecimento. É improvável que se encontre, na histórica improbidade administrativa brasileira, articulação mais cínica entre governo como instrumento e negócios privados.
Os dois casos expõem a prepotência com que o governo a tudo atropela, sob a indiferença generalizada dos que poderiam reagir em defesa da sociedade.
Apesar da proibição legal de compra de uma das telefônicas por outra, a Oi/Telemar decide comprar a Brasil Telecom, para ficar, na prática, com o monopólio da telefonia fixa e outros balangandãs de alto lucro. E a lei proibitiva? Fácil: a própria Presidência da República entra na jogada com o favorecimento da mudança da lei por ordem ou ato de Lula. O ministro das Comunicações era contra o negócio, deixa de sê-lo. Dinheiro? Lula quer o BNDES, por meio do Banespar, dando o suporte para a compra. Feita por cerca de R$ 5,5 bilhões. Mas como um dos sócios compradores é sócio também de um Lula-filho, o envolvimento direto do Lula-pai pode dar em bode público. O presidente da Anatel, a agência agora desreguladora da telefonia, Ronaldo Sardenberg, se incumbe de entrar na transa com uma cobertura para Lula-pai: um pedido de mudança da lei.
Lula tem uma explicação para o novo produto da promiscuidade: "O Brasil precisa de uma grande empresa para entrar na telefonia em outros países do mundo". Beleza, mas por que tudo precisa seguir o método do mundo cão, aquele que se faz de modo sorrateiro, burlando as leis vigentes, favorecendo uns e prejudicando outros quando deveriam todos e não apenas alguns serem beneficiados, por que não é possível se fazer negócios de acordo com as leis como é praxe e rotineiro em países civilizados? Esta cultura de boteco perfura a legalidade do país, e neste atropelo, se incentiva a prática indiscriminada da violência sob as benções de um poder não menos criminosos, mas sempre impune. Sem esta de que os fins justificam os meios, porque os “fins” neste caso são apenas concessões privilegiados daqueles que labutam na lama da imundície moral.
Muita porcaria hoje já é perceptível e só não se volta contra o próprio Lula porque o país ainda está entorpecido pelas mentiras vendidas na propaganda oficial. Mas não se enganem: este palanque feito de lama tem uma estrutura muito frágil que, cedo ou tarde, o fará ruir. Quem viver, verá.