Adelson Elias Vasconcellos
Pois bem, no reino encantado da Esquerdolândia, havia uma perua que adorava se deliciar com as benesses que o poder podia oferecer. Claro, ela nunca se fez de rogada neste quesito, sempre exigiu do melhor, e apenas do melhor.
Antes de se tornar uma executiva na política da Esquerdolândia, a perua aceitava viver de forma mais recatada, mais humilde. Mas isto, claro, era apenas para enganar a torcida, ou eleitores, porque no dia em que sentiu o gostinho do Poder, ah, meu amigo, a perua sentiu-se dona do pedaço.
Sua ambição não teve mais limites, sonhava com os céus, imaginava em seu delírio legiões de fidalgos, vassalos curvando-se e lhe fazendo afagos prestimosos, cheios de mesuras serviçais.
Claro, esqueceu-se a gentil e fina dama da nossa corte que nesse reino a plebe é quem escolhia seus senhores. Acostumada com batalhão de servos, sentiu-se ofendida no dia em que a plebe lhe disse “não”. Isto foi vexatório para esta senhora. Reuniu seus vassalos políticos e convidou-se a subir degraus mais elevados e importantes no reinado, coisa que o rei Lulalau, mesmo que a contragosto, acabou se obrigado em aceitar.
Logo, a senhora Perua exigiu que, à sua volta, fosse instalada toda corte de reverências, e dentro daquele coração imperial, voltou a bater forte um coração.
Porém, sua missão não cuidava de detalhes insignificantes como trabalhar, por exemplo. Para a fina dama era indispensável voar pelos céus do mundo, como também enfrentar a confusão de aeroportos era coisa para a ralé, Não, não e não muitas vezes. Para a nobre dama de estirpe real a “frota aérea” era outra. Serviço “vip”, de primeira classe, sem confusões ou demoras. A plebe que se amontoassem nos balcões, misturando-se em seus cheiros, suores e irritações. Dona Perua, coisa fina de nobre estirpe, precisava relaxar e gozar nas delícias que o poder lhe pudesse proporcionar.
Porém, chegou o dia em que a plebe provocou um levante e disse “chega de frescuras, dona Perua”. Neste dia, a nobre precisou respirar o ar comum de todos os mortais. Por sorte, o nosso libertador, não trabalha em nenhuma companhia de aviação brasileira, porque, do contrário, a dona Perua exigiria, em nome de sua indecência e falta de respeito, sua demissão sumária. Como é bom saber que ainda há pessoas de bem neste reinado do Lulalau, capazes de enquadrarem no seu devido lugar “certas autoridades” que se colocam em pedestais de arrogância.
Dona Marta, a lei é igual pra todos, e tanto você não é melhor do que ninguém, tampouco tem rei (ou rainha) na barriga. Vê se aprende tá ?
A notícia é do Lauro Jardim, no Radar da Revista Veja:
Marta "relaxou" no vôo 455 para Paris
Não foi exatamente tranqüilo o início do vôo 455 da Air France que na terça-feira passada decolou de São Paulo para Paris. A responsável pela trepidação foi Marta Suplicy, que ia para a China, com escala em Paris. Ao embarcar, o casal Marta e Luis Favre relaxou e decidiu não passar pela revista de bagagem de mão feita por raios X. Os Favre furaram a fila da Polícia Federal. Vários passageiros se revoltaram. Marta respondeu que, no Brasil, para as autoridades não valem as exigências que recaem sobre os brasileiros comuns. Os passageiros não relaxaram com a explicação. Continuaram a reclamar, mesmo com todos já embarcados. Deu-se, então, o inusitado: o comandante do Boeing 777 saiu do avião, chamou a segurança e disse que não decolaria até que todos os passageiros passassem suas bagagens de mão pelo raio X. Marta Suplicy deixou seu assento na primeira classe (Favre estava na executiva) e dignou-se fazer o que o comandante pediu. Nesse instante, os passageiros "relaxaram e gozaram".
Pois bem, no reino encantado da Esquerdolândia, havia uma perua que adorava se deliciar com as benesses que o poder podia oferecer. Claro, ela nunca se fez de rogada neste quesito, sempre exigiu do melhor, e apenas do melhor.
Antes de se tornar uma executiva na política da Esquerdolândia, a perua aceitava viver de forma mais recatada, mais humilde. Mas isto, claro, era apenas para enganar a torcida, ou eleitores, porque no dia em que sentiu o gostinho do Poder, ah, meu amigo, a perua sentiu-se dona do pedaço.
Sua ambição não teve mais limites, sonhava com os céus, imaginava em seu delírio legiões de fidalgos, vassalos curvando-se e lhe fazendo afagos prestimosos, cheios de mesuras serviçais.
Claro, esqueceu-se a gentil e fina dama da nossa corte que nesse reino a plebe é quem escolhia seus senhores. Acostumada com batalhão de servos, sentiu-se ofendida no dia em que a plebe lhe disse “não”. Isto foi vexatório para esta senhora. Reuniu seus vassalos políticos e convidou-se a subir degraus mais elevados e importantes no reinado, coisa que o rei Lulalau, mesmo que a contragosto, acabou se obrigado em aceitar.
Logo, a senhora Perua exigiu que, à sua volta, fosse instalada toda corte de reverências, e dentro daquele coração imperial, voltou a bater forte um coração.
Porém, sua missão não cuidava de detalhes insignificantes como trabalhar, por exemplo. Para a fina dama era indispensável voar pelos céus do mundo, como também enfrentar a confusão de aeroportos era coisa para a ralé, Não, não e não muitas vezes. Para a nobre dama de estirpe real a “frota aérea” era outra. Serviço “vip”, de primeira classe, sem confusões ou demoras. A plebe que se amontoassem nos balcões, misturando-se em seus cheiros, suores e irritações. Dona Perua, coisa fina de nobre estirpe, precisava relaxar e gozar nas delícias que o poder lhe pudesse proporcionar.
Porém, chegou o dia em que a plebe provocou um levante e disse “chega de frescuras, dona Perua”. Neste dia, a nobre precisou respirar o ar comum de todos os mortais. Por sorte, o nosso libertador, não trabalha em nenhuma companhia de aviação brasileira, porque, do contrário, a dona Perua exigiria, em nome de sua indecência e falta de respeito, sua demissão sumária. Como é bom saber que ainda há pessoas de bem neste reinado do Lulalau, capazes de enquadrarem no seu devido lugar “certas autoridades” que se colocam em pedestais de arrogância.
Dona Marta, a lei é igual pra todos, e tanto você não é melhor do que ninguém, tampouco tem rei (ou rainha) na barriga. Vê se aprende tá ?
A notícia é do Lauro Jardim, no Radar da Revista Veja:
Marta "relaxou" no vôo 455 para Paris
Não foi exatamente tranqüilo o início do vôo 455 da Air France que na terça-feira passada decolou de São Paulo para Paris. A responsável pela trepidação foi Marta Suplicy, que ia para a China, com escala em Paris. Ao embarcar, o casal Marta e Luis Favre relaxou e decidiu não passar pela revista de bagagem de mão feita por raios X. Os Favre furaram a fila da Polícia Federal. Vários passageiros se revoltaram. Marta respondeu que, no Brasil, para as autoridades não valem as exigências que recaem sobre os brasileiros comuns. Os passageiros não relaxaram com a explicação. Continuaram a reclamar, mesmo com todos já embarcados. Deu-se, então, o inusitado: o comandante do Boeing 777 saiu do avião, chamou a segurança e disse que não decolaria até que todos os passageiros passassem suas bagagens de mão pelo raio X. Marta Suplicy deixou seu assento na primeira classe (Favre estava na executiva) e dignou-se fazer o que o comandante pediu. Nesse instante, os passageiros "relaxaram e gozaram".