domingo, março 23, 2008

PAC é porta de saída do Bolsa Família, diz Dilma. Como é que é?

Adelson Elias Vasconcellos

Dona Dilma anda impossível desde que Lula a indicou para a sua sucessão em 2011. O tal pacote de intenções agora virou pau pra toda obra, já produz milagres começa a multiplicar os pães e os peixes. Õ gente, vamos ter um pouco de bom senso, parem de bancarem os ridículos.

Dilma, talvez embalada pelos eflúvios de seu guru, agora resolveu afirmar que o PAC é a saída do Bolsa Família. Então ta !!!

Vamos fazer um pequeno exercício de memória. É pequenininho, não exige muito esforço não. Quando foi que Lula lançou o Bolsa Família ? Bom, na verdade ele só mudou a maquiagem, porque o programa existe desde FHC. Lula valeu-se do cadastro do Bolsa Escola, com CPF, endereço, número e nome de filhos e renda. Mudou o nome e juntou cinco num só e rebatizou. Tudo bem. Isto foi feito em 2003, certo ? Durante todo o primeiro mandato Lula se indispunha com os críticos do programa que diziam que ele tinha porta de entrada, mas não tinha saída. Era a perenização da pobreza e eternização do paternalismo eleitoreiro.

Vários indicadores que servem como justificativa para a manutenção do programa, e nós aqui várias vezes discorremos sobre isto, simplesmente despencaram: freqüência escolar, trabalho infantil, desnutrição, etc. Insistíamos que o programa precisava, urgentemente, e ainda precisa, encontrar caminhos que façam com que o cidadão beneficiado pelo Bolsa possa deixar o programa em prazo curto.

Lula sempre contestou seus críticos. Sempre disse que o programa era “social” e não “eleitoreiro”, e colocou nos seus críticos a pecha de preconceituosos. É uma falácia, ta certo, mas o discurso lulista soa bonito nos ouvidos do povo.

Respondam rápido: quando foi criado o primeiro PAC? Vamos lá, no início de 2007, entre janeiro e fevereiro. Ou seja, se fosse verdade o que a Dilma afirmou, representa também dizer que, de 2003 à 2007, de fato, o Bolsa Família não tinha porta de saída, e que era mesmo aquilo que a crítica sempre afirmou, um programa eleitoreiro.

Permitam-me, aqui, fazer um parênteses: quando inauguramos o COMENTANDO A NOTÍCIA, num dos primeiros artigos que postamos, tecemos nossa crítica ao programa BOLSA FAMÍLIA. Dissemos que, se o governo quisesse carimba-lo como programa social, poderia torna-lo, incontestavelmente, no maior do mundo. Por exemplo, se o governo desenhasse um projeto de maciços investimentos nas áreas da educação, saneamento e moradia, poderia aproveitar a mão de obra dos beneficiados. De outro lado, poderia desenvolver um programa de planejamento familiar e assistência social junto aquelas famílias. Poderia ainda, dentro do mesmo projeto, criar programas de treinamento profissional para qualificar as pessoas e estas terem melhores condições de se inserir no mercado de trabalho com mais facilidade. Isto, senhores, é um programa social. Porém, na época, a preocupação não era neste sentido, e sim, ampliar o máximo possível o número de beneficiados, e facilitar o mais que se pudessem as obrigações que os beneficiados deveriam atender para se manterem no programa. Os milhares de empregos que seriam gerados seriam ocupados primordialmente pelas pessoas atendidas pelo Bolsa Família e que estivessem desempregadas. Sabem quando foi dito isto ? Em setembro de 2006. Ou seja, nossa crítica ia de encontro as falhas do programa, e concluía que a falta destes cuidados, em alargar os horizontes de cada beneficiado, não apenas para serem inseridos no mercado de consumo, mas para se tornarem cidadãos úteis ao país e a si mesmos, com a dignidade conquistada de serem cidadãos livres e independentes da esmola estatal.

Agora vem a Dilma dizer que o PAC é a porta de saída ? Seria cômico, se antes não fosse trágico. Fica claro, deste modo, que o Bolsa Família continua sendo um programa sem porta de saídas. E tais portas não estão presentes no pac coisíssima nenhuma, porque as obras demandarão outro tipo de mão de obra, e será contratada pelas empreiteiras, estas sim, a se consumar a lista de intenções, como as grandes beneficiárias.

É preciso termos o cuidado para perceber que investimentos em saneamento, educação, moradia SEMPRE foi dever do Estado. Pouco ou muito, tais obras sempre estiveram presentes na maioria dos governos. E os decentes, nunca tiraram proveito político do cumprimento de seu dever como agora se vê. O Senhor Luiz Inácio consumiu cinco longos anos sem projeto algum, interrompeu obras iniciadas em governos anteriores, e só as retomou agora no segundo mandato, mas tendo o cuidado malévolo de chamar para si a paternidade e a maternidade por suas realizações. Uma ova, façam exames de DNA nestes pacotinhos, e vocês descobrirão que existem muitos e mães que não sejam Lula e Dilma, em pelo menos 90% do ali se acha listado.

E, eis o paradoxo: com “tanta” porta de saída, o governo ainda vem e lança o Bolsa Adolescente, para jovens de 15 a 17 anos, todos eleitores de primeira viagem, justo em ano eleitoral ? e, depois, não quer que chamemos o programa de eleitoreiro ? É eleitoreiro sim, tanto quanto os pacs o são. Não se precisa armar um palanque, fazer feriado municipal por onde passa, juntar uma tropa de políticos inúteis, contratar claques com quentinhas e transporte. Isto custa dinheiro e apenas para se assinar protocolo de intenções ! Ou para repassar verbas já previstas em orçamento, algumas destinadas a financiar projetos de iniciativa dos parlamentares da região. Isto é um engodo. É um despropósito. É a própria canalhice eleitoreira dos gigolôs da Nação. Patético e deprimente o governante que vende sua alma ao diabo para se manter no poder !

A reportagem é da Folha online sobre os discursos infames eivados de mentiras, contradições e mistificações, da dupla Dilma/Lula:

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse ontem em Campo Grande (MS) que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é também um mecanismo de distribuição de renda. Segundo a ministra, o programa representa uma "porta de saída" para as famílias que hoje dependem dos repasses do Bolsa Família.

"O programa é, na verdade, o compromisso do governo com um crescimento com distribuição de renda. Isso é fundamental para incorporar os milhões de brasileiros do Bolsa Família. É uma porta de saída porque, ao ocorrer, gera uma quantidade muito significativa de emprego e renda", disse.

Outro reflexo dos investimentos, segundo Dilma, é o incentivo à ampliação do mercado interno. "Neste sentido, ele é também uma vacina contra as crises externas."

As obras do PAC lançadas ontem dizem respeito a um investimento de R$ 99,6 milhões --R$ 81,6 milhões do governo federal-- em projetos de urbanização de favelas e saneamento nas cidades de Campo Grande, Corumbá e Dourados.

Dilma disse que Mato Grosso do Sul deverá receber R$ 5 bilhões por meio do programa até o final do governo Lula. Segundo ela, o importante agora é cumprir os prazos para a entrega das obras. "O povo não pode mais esperar."

O discurso da ministra foi sucedido por palmas e pela intervenção de um militante que, vestindo uma camiseta vermelha da CUT (Central Única dos Trabalhadores), gritou em meio à platéia: "Dilma, é você a nossa nova presidente".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu discurso, disse que o PAC prevê obras para todas as capitais e regiões metropolitanas do país, independentemente da coloração partidária dos governantes.

"Não pense que são só os meus amigos do PT. O [José] Serra [PSDB], lá em São Paulo, que é nosso adversário, está recebendo R$ 8 bilhões. O [governador de Minas] Aécio Neves, do PSDB, está recebendo R$ 4 bilhões", disse Lula.