Um dia depois de enfrentar a ira da oposição em plenário, ao fazer um contundente discurso em defesa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) esteve ontem na Vila do Pan acompanhado da mulher e filhos. Aparentando tranqüilidade, a despeito do ambiente carregado entre os senadores, o comunista não se furtou a voltar a discorrer sobre a crise em que está mergulhada a Casa. Na avaliação do comunista, a batalha está entranhada de sentimento político.
- Estão fazendo o linchamento de Renan. Ninguém está olhando se há provas contra ele. Querem transformar a questão numa disputa política entre governo e oposição. Se for isso, não é o caso de levar essa discussão para o Conselho de Ética. O colegiado foi feito para se discutir ética e decoro parlamentar.
- Por que, na opinião do senhor, a oposição quer transformar a crise do Senado numa trincheira de luta política?
- A oposição está enxergando na crise uma oportunidade de substituir Renan. Trata-se de uma posição-chave para atingir o governo Lula. O alvo é o presidente Lula.
- Então, a questão é o governo Lula?
- Claro. Querem fazer agora o que não conseguiram fazer no primeiro mandato. O temor de parte da oposição é de que Lula chegue em 2010 à mesma situação de hoje. Ou seja, navegando em céu de brigadeiro e , com isso, tenha total condições de eleger o sucessor.
- Por que a Globo bate tanto em Renan ?
- Isso está mal explicado. O interesse da empresa em derrubar o veto à emenda 3 não justificaria tanto ódio.
Avisa que eu vou
O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União, estará no Rio segunda-feira pela manhã para inspecionar a Ponte Rio-Niterói. Para apurar denúncias de irregularidades encaminhadas ao TCU pela Procuradoria Regional da República do Rio. Entre as irregularidades apontadas estão a circulação de veículos pesados na ponte em horário de grande fluxo de trânsito, possível deficiência na fiscalização integrada entre a concessionária que administra a ponte e a Polícia Rodoviária Federal, falhas na emissão de nota fiscal no pagamento do pedágio e ainda a utilização indevida de espaços públicos ao longo da ponte. Antes, mandou colocar este aviso no site do TCU. Parece que não quer surpreender os infratores...
Lobby dos EUA
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, andou de porta em porta na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, esta semana. Até quando esteve com o presidente Lula, sempre que encontrava a imprensa, dizia que discutira formas de retomar as negociações de liberalização do comércio internacional da chamada Rodada Doha. Não era mentira. Mas o que ele veio fazer mesmo foi lobby. Defender junto à área econômica do governo e ao Palácio do Planalto a abertura das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para empresas americanas.
Fundo Robin Hood
Tem idéia de quanto o Brasil já conseguiu repatriar nos últimos 10 anos? Dinheiro que havia sido colocado lá fora como resultado de operações fraudulentas, roubalheiras do tipo dos desvios com a construção do prédio do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo, caso Banestado, Silveirinha e Paulo Maluf? Em valores atualizados, já dá uns R$ 100 bilhões. O governo está estudando a possibilidade de reunir essa grana - às vezes depósitos judiciais - num único fundo de investimentos a ser administrado por um banco oficial. Para financiar pequenos e médios empreendedores.
Tensão em Roraima
Aumenta a tensão em Roraima, na região de Raposa Serra do Sol. Índios ligados ao Conselho Indígena de Roraima concentraram-se esta semana na histórica Vila Surumu, local de litígio devido à proximidade com as maiores lavouras de arroz irrigado da região. Dois índios que por lá moram foram flechados, por serem contrários à retirada dos brancos. A Abin acusa o Conselho Indígena de estar sendo manobrado por países e firmas estrangeiras que querem o minério da região.
Governo cedeu
A aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) pelo Congresso não se deveu ao simples fato de o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ter presidido ou ter deixado de presidir a sessão. Foi necessário o governo retirar do projeto o artigo que permitia a aplicação do Orçamento previsto para 2008 em duodécimos, inclusive para investimentos, caso o Congresso não aprovasse o Orçamento até 31 de dezembro de 2007. "A retirada era crucial, pois este artigo representava a castração da prerrogativa mais fundamental do parlamento: a de legislar sobre Orçamento", afirma o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
Gastos do racha
O DEM e o PSDB tiveram, há pouco, um bom exemplo de como os dois partidos só perdem com um racha na oposição. Sem que um soubesse do outro, ambos contrataram o marqueteiro Antônio Lavareda para fazer pesquisas com avaliação sobre o governo Lula. Só depois que viram o resultado é que notaram que podiam ter feito o levantamento juntos. Gastariam a metade.
Luta por cargos
Guerra dos deputados federais catarinenses do PMDB com o governador Luiz Henrique. Sua aliança com o PSDB e o DEM obrigou o partido a reduzir de 70% para 40 % os cargos no Executivo estadual a fim de dividir a boquinha com os aliados. Luiz Henrique bate o pé. Afirma que tanto a aliança como a divisão do poder foram aprovadas em convenção regional do PMDB.