Vitor Hugo Soares, Blog do Noblat
Um suspiro de alívio sobe da arena onde até o começo da semana leões famintos mantinham encarniçada disputa para apontar culpados pela tragédia em Congonhas. Quinta-feira, o Jornal Nacional já falava de calmaria nos aeroportos. Nada se resolveu efetivamente: foi mais fácil um pacto de consenso sobre quem é a Geni desta história nebulosa: o baiano Waldir Pires, demitido e logo substituído pelo peemedebista Nelson Jobim. A fritura do ex-ministro culminou na reunião do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), a ser lembrada como um dos momentos mais perversos do poder na história da República.
Foi reforçado o azeite fabricado na panela da Casa Civil da ministra Dilma Rousseff para fritar o “companheiro” da Bahia, um dos mais honrados políticos brasileiros, como acentuou Lula em um de seus mais desastrados discursos. Bem mais cáustico que o utilizado para torrar o pernambucano Cristóvam Buarque, da Educação. Buarque foi expulso do ninho pelo telefone quando estava em Lisboa. Waldir teve de suportar em Brasília horas de massacre torturante, na reunião do Conac, antes de ser mandado “descansar” em casa.
Vida que segue, marcas que ficam, muitas ainda escondidas. Alguns atos dos bastidores, porém, começam a aflorar. Expõem a receita de humilhação aplicada antes do afastamento de Waldir, ex-consultor-geral da República do governo de João Goulart e desde o dia da posse tratado como estranho na Defesa. Apesar de não ser ele a autoridade aeronáutica de acordo com a Lei Complementar 97, que trata do Ministério da Defesa, quase todos tinham na boca ou nas mãos um impropério ou uma pedra para jogar em Waldir, que chegava ao novo posto vindo da Corregedoria-Geral da República, uma das áreas mais bem-sucedidas do governo petista.
A Aeronáutica, formalmente “subordinada” à Defesa, tem plena autonomia de gestão administrativa e financeira. Desse fato decorre a pergunta que não quer calar: como um órgão com tamanha autonomia pode estar subordinado a outro, principalmente em se tratando de assunto de caserna? É coisa para inglês ver, mas mexer aí é outra história. “Quem há-de?”, perguntaria o saudoso cronista baiano Sylvio Lamenha. Mais fácil mesmo é triturar o civil Waldir . Nisso as partes em confronto entraram logo em acordo. Sexta-feira da semana passada, na reunião do Conac, acuado com dedo em riste pela ministra Dilma Roussef, Waldir Pires foi jogado na panela fervente. Antes, enfrentou chacotas e risos a cada intervenção. De Dilama, do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e da arrogante advogada Denise Abreu – aquela do charuto na festa de casamento do filho de Leur Lomanto (diretor da Agência Nacional da Aviação Civil – Anac) em Salvador –, que o ex-ministro José Dirceu deixou como diretora jurídica da Agência. Presentes na sala, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, o comandante da Aeronáutica e convidados como o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, da Infraero, brigadeiro J. Carlos, entre outros.
Foi sessão de massacre e escárnio. Em confabulações jocosas com Denise Abreu, a chefe da Casa Civil – segundo olhos perplexos – parecia ávida em constranger ao máximo o seu colega em desgraça e companheiro de partido, provavelmente à espera de um pedido de demissão que não veio. Há quem tenha visto nos gritos de Dilma, um ritual de vingança também pela atitude de reprovação adotada por Waldir quando do passeio da ministra em companhia do governador Jaques Wagner no barco de Zuleido Veras, da empreiteira Gautama, pela Baía de Todos os Santos.
Na reunião para aprovar resolução já decidida antes dentro da Casa Civil com a participação dos mesmos ministros, foi deixada de lado a discussão do principal: de quem é a responsabilidade pela liberação do aeroporto de Congonhas? Pelos problemas das companhias aéreas, overbooking, passagens aéreas distribuídas entre a diretoria e tudo o mais que cabe à Anac e à Infraero cuidar, mas lavam as mãos nessa etapa crítica da aviação brasileira?
Sai o “legalista” e vem Jobim, gauchão valente, que, com floreios de retórica pampeira e uma visita a Congonhas, já deu um jeito nas coisas. Será? O novo ministro precisa domar o ego para não virar mais um daqueles gaúchos da poesia do pernambucano Ascenso Ferreira: “Riscando os cavalos!/ Tinindo as esporas/ Través das cochilhas!/ Saí dos meus pagos em louca arrancada./ Para quê?/ Pra nada.”
Um suspiro de alívio sobe da arena onde até o começo da semana leões famintos mantinham encarniçada disputa para apontar culpados pela tragédia em Congonhas. Quinta-feira, o Jornal Nacional já falava de calmaria nos aeroportos. Nada se resolveu efetivamente: foi mais fácil um pacto de consenso sobre quem é a Geni desta história nebulosa: o baiano Waldir Pires, demitido e logo substituído pelo peemedebista Nelson Jobim. A fritura do ex-ministro culminou na reunião do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), a ser lembrada como um dos momentos mais perversos do poder na história da República.
Foi reforçado o azeite fabricado na panela da Casa Civil da ministra Dilma Rousseff para fritar o “companheiro” da Bahia, um dos mais honrados políticos brasileiros, como acentuou Lula em um de seus mais desastrados discursos. Bem mais cáustico que o utilizado para torrar o pernambucano Cristóvam Buarque, da Educação. Buarque foi expulso do ninho pelo telefone quando estava em Lisboa. Waldir teve de suportar em Brasília horas de massacre torturante, na reunião do Conac, antes de ser mandado “descansar” em casa.
Vida que segue, marcas que ficam, muitas ainda escondidas. Alguns atos dos bastidores, porém, começam a aflorar. Expõem a receita de humilhação aplicada antes do afastamento de Waldir, ex-consultor-geral da República do governo de João Goulart e desde o dia da posse tratado como estranho na Defesa. Apesar de não ser ele a autoridade aeronáutica de acordo com a Lei Complementar 97, que trata do Ministério da Defesa, quase todos tinham na boca ou nas mãos um impropério ou uma pedra para jogar em Waldir, que chegava ao novo posto vindo da Corregedoria-Geral da República, uma das áreas mais bem-sucedidas do governo petista.
A Aeronáutica, formalmente “subordinada” à Defesa, tem plena autonomia de gestão administrativa e financeira. Desse fato decorre a pergunta que não quer calar: como um órgão com tamanha autonomia pode estar subordinado a outro, principalmente em se tratando de assunto de caserna? É coisa para inglês ver, mas mexer aí é outra história. “Quem há-de?”, perguntaria o saudoso cronista baiano Sylvio Lamenha. Mais fácil mesmo é triturar o civil Waldir . Nisso as partes em confronto entraram logo em acordo. Sexta-feira da semana passada, na reunião do Conac, acuado com dedo em riste pela ministra Dilma Roussef, Waldir Pires foi jogado na panela fervente. Antes, enfrentou chacotas e risos a cada intervenção. De Dilama, do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e da arrogante advogada Denise Abreu – aquela do charuto na festa de casamento do filho de Leur Lomanto (diretor da Agência Nacional da Aviação Civil – Anac) em Salvador –, que o ex-ministro José Dirceu deixou como diretora jurídica da Agência. Presentes na sala, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, o comandante da Aeronáutica e convidados como o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, da Infraero, brigadeiro J. Carlos, entre outros.
Foi sessão de massacre e escárnio. Em confabulações jocosas com Denise Abreu, a chefe da Casa Civil – segundo olhos perplexos – parecia ávida em constranger ao máximo o seu colega em desgraça e companheiro de partido, provavelmente à espera de um pedido de demissão que não veio. Há quem tenha visto nos gritos de Dilma, um ritual de vingança também pela atitude de reprovação adotada por Waldir quando do passeio da ministra em companhia do governador Jaques Wagner no barco de Zuleido Veras, da empreiteira Gautama, pela Baía de Todos os Santos.
Na reunião para aprovar resolução já decidida antes dentro da Casa Civil com a participação dos mesmos ministros, foi deixada de lado a discussão do principal: de quem é a responsabilidade pela liberação do aeroporto de Congonhas? Pelos problemas das companhias aéreas, overbooking, passagens aéreas distribuídas entre a diretoria e tudo o mais que cabe à Anac e à Infraero cuidar, mas lavam as mãos nessa etapa crítica da aviação brasileira?
Sai o “legalista” e vem Jobim, gauchão valente, que, com floreios de retórica pampeira e uma visita a Congonhas, já deu um jeito nas coisas. Será? O novo ministro precisa domar o ego para não virar mais um daqueles gaúchos da poesia do pernambucano Ascenso Ferreira: “Riscando os cavalos!/ Tinindo as esporas/ Través das cochilhas!/ Saí dos meus pagos em louca arrancada./ Para quê?/ Pra nada.”