terça-feira, dezembro 12, 2006

TOQUEDEPRIMA...

Chávez vê terremoto político na AL
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BRASÍLIA - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou ontem, após se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a América Latina está passando por mudanças equivalentes a "um terremoto político". Chávez comentou as vitórias de candidatos de esquerda no continente, atacou o governo "decadente" dos Estados Unidos e pediu a Deus para ajudar o ditador de Cuba, Fidel Castro, que está doente e afastado do cargo. "Como disse o presidente Correa", começou, referindo-se ao presidente eleito do Equador, Rafael Correa, "a América Latina está vivendo não uma época de mudanças, mas uma mudança de época". "É como um terremoto político."
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Chávez afirmou que recebe "com interesse positivo" a recente declaração do subsecretário de Estado dos Estados Unidos para a América Latina, Thomas Shannon, de que na Venezuela há uma democracia. Segundo o presidente reeleito da Venezuela, isso é "coisa que o mundo sabe, mas que, enfim, Washington reconhece".
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Chávez reafirmou que o governo do presidente George W. Bush está "em decadência". "Nós achamos que é um governo imperialista que atropela, que lança sinais, os quais nós acolhemos, mas sem muitas esperanças de que haja uma relação de respeito", disse. "Aspiramos ter uma relação de respeito e boas relações políticas com qualquer governo dos Estados Unidos."
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No encontro de Lula e o presidente venezuelano, foram discutidos temas relacionados à produção de energia. Também participaram da reunião os ministros brasileiros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e de Minas e Energia, Silas Rondeau, e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Do lado da Venezuela, estavam, entre outros, o ministro de Minas e Energia e presidente da Petróleos Venezuelanos S.A. (PDVSA), Rafael Ramírez.
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Fidel
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Chávez afirmou que o presidente Lula lhe disse que deseja visitar o ditador de Cuba, Fidel Castro, em Havana. Chávez afirmou que Fidel, embora ateu, fala em Deus. "Estamos preocupados com a saúde de Fidel", afirmou, relatando que recebeu correspondência em que ele o felicita pela reeleição, conquistada no domingo.
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"As informações que tenho de Cuba são de que a recuperação de Fidel continua, mas é muito lenta. Fidel não crê em Deus, mas tem uma frase. Como sabe que sou cristão e creio em Deus, diz: 'Deus ajude Chávez e seus amigos. Peço a Deus que ajude esse grande amigo'."
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A visita de Lula ao ditador de Cuba pode ocorrer em janeiro, quando o petista viajará para a América Central, onde assistirá no dia 10 à posse do presidente eleito da Nicarágua, Daniel Ortega.
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Febraban defende mudança na poupança, mas nega lobby
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SÃO PAULO - A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) reconheceu ontem que defende mudanças no cálculo da remuneração da caderneta de poupança, mas negou o envio de qualquer proposta ao governo federal nesse sentido. "O que fizemos foi mostrar a nossa preocupação com a fórmula que define a TR, mas achamos que o próprio governo é quem deve fazer qualquer alteração", afirmou o diretor de crédito imobiliário da entidade, Natalino Gazonato.
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Segundo ele, a preocupação se refere especificamente a fórmula que define a TR, que pelos critérios atuais não acompanha as reduções na taxa básica de juros (Selic). Gazonato ressaltou que "a TR não é spread", ou seja, os bancos não obtêm lucro com o fator de correção. "O banco paga a taxa ao poupador de um lado e do outro recebe do mutuário. O retorno vem do juro cobrado", disse.
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Conforme o diretor, houve uma "interpretação errada" de que os bancos estariam defendendo as próprias margens de lucro ao pedir a revisão do cálculo da poupança. "Nossa verdadeira preocupação é com quem toma os financiamentos, que são corrigidos pela TR", assegurou. Na análise do executivo da Febraban, em última instância, a manutenção da taxa referencial pode inviabilizar a própria continuidade da queda dos juros no País.
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Preocupação
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Gazonato também negou a preocupação dos bancos com uma migração em massa de recursos dos fundos de investimento para a poupança. A aplicação vem ganhando atratividade com a redução da taxa básica de juros (Selic) e, atualmente, já apresenta remuneração superior à de alguns fundos. Ele avaliou a captação da caderneta - que em novembro foi de R$ 2,6 bilhões, a maior desde dezembro do ano passado - como "absolutamente normal" e decorrente do pagamento do 13º salário.
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"Os números da indústria de fundos de investimento mostram que esse movimento de transferência não aconteceu." Em novembro, os fundos apresentaram entrada positiva de R$ 2,121 bilhões, segundo dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). Por outro lado, ele reconheceu a apreensão com um descasamento dos prazos de captação e aplicação, caso realmente haja no futuro uma entrada de recursos muito forte na caderneta.
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O tema, inclusive, foi assunto de comunicado enviado ontem pela Febraban. Pelas regras em vigor, os bancos são obrigados a destinar 65% da poupança a financiamentos imobiliários. O receio é de uma reversão no cenário, ou seja, que a poupança volte a se tornar pouco rentável, o que levaria a uma fuga de aplicações. Desta forma, as instituições ficariam com uma proporção muito elevada de recursos aplicados no longo prazo, segundo o diretor.
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"A poupança não pode ter movimentos bruscos de entrada ou de saída", defendeu.
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Indústria da construção espera investimentos de R$ 206 bi
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BRASÍLIA - A indústria da construção acredita que é possível investir R$ 206 bilhões em habitação e infra-estrutura nos próximos quatro anos, a maior parte proveniente do setor privado. Para isso, o governo precisaria modificar a legislação que restringe os empréstimos concedidos pela Caixa Econômica Federal, aprovar no Congresso a lei que regula o saneamento no País e utilizar os recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).
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Esse tributo, cobrado na gasolina, deveria ser gasto em restauração de rodovias, mas acaba retido no caixa do Tesouro Nacional para fazer superávit primário (a economia de recursos para pagar a dívida pública). O plano será apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima terça-feira. "É um projeto para o presidente começar o dia 2 de janeiro já fazendo a máquina funcionar", disse o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão.
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Ele explicou que, para "destravar" a economia e levar o País a um crescimento econômico da ordem de 5%, como quer Lula, será necessário cumprir uma agenda mais complexa, que passa por reformas econômicas. O que a CBIC e a União Nacional da Construção (UNC) estão propondo são medidas mais imediatas. O plano prevê que, dos R$ 206 bilhões a serem investidos no segundo governo Lula, R$ 46 bilhões são recursos do Orçamento.
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Os restantes R$ 160 bilhões seriam do setor privado e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Segundo Simão, o setor privado investirá fortemente se, por exemplo, for aprovada a lei que regula o saneamento básico no País. Outra sugestão é que as obras de saneamento a cargo de Estados e municípios não sejam mais contabilizadas como dívida, ainda que os recursos sejam originários de empréstimos da Caixa.
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Atualmente, há dinheiro para aplicar em saneamento, mas governos estaduais e prefeituras não conseguem utilizá-lo porque estão no seu limite de endividamento. A previsão é que o setor atraia R$ 24 bilhões em investimentos nos próximos quatro anos. Além do saneamento, as habitações populares prometem puxar os investimentos, com R$ 40,8 bilhões.