terça-feira, dezembro 12, 2006

PT evita apurar e punir seus desvios éticos

Fábio Zanini - na Folha de São Paulo
Da Sucursal De Brasília

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A cada vez mais extensa lista de escândalos não investigados e não punidos pelo PT teve dois momentos carregados de simbolismo na semana passada.Na quarta-feira, completaram-se seis meses desde a invasão da Câmara pelo MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra), liderado pelo petista Bruno Maranhão. A prometida sindicância interna do PT está parada. Um dia antes, venceu o prazo da punição aplicada pelo PT aos envolvidos na compra do dossiê, de suspensão da filiação por 60 dias.
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Em ambos casos e vários outros, do mensalão aos sanguessugas, o partido prometeu apuração, mas pouco ou nada fez. Em nada o PT de agora lembra o que, em 2003, rapidamente expulsou parlamentares por terem se oposto a reformas defendidas pelo governo.
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Maranhão chegou a ter o processo disciplinar aberto pela comissão de ética, mas ainda não foi ouvido. Afastado da Executiva, permanece no Diretório Nacional do PT.
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"O processo ficou parado porque ele passou um tempo preso [40 dias] e por causa da eleição. Será retomado", diz o coordenador da comissão de ética do PT, Danilo Camargo.
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No caso dos "aloprados", a Executiva criou a figura da "expulsão política" para Jorge Lorenzetti, Oswaldo Bargas, Hamilton Lacerda, Expedito Veloso. Tal punição não existe no estatuto do partido. Lacerda e Lorenzetti pediram desfiliação voluntariamente, mas Bargas e Veloso continuam no partido.Com base no artigo 228 do estatuto, eles foram suspensos temporariamente por 60 dias, prazo no qual deveria estar concluído o processo de julgamento -que nem começou.
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Em 5 de dezembro, venceu a suspensão. Procurada, a direção do partido diz que a expulsão de fato será "formalizada".
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O caso mais emblemático ainda é o mensalão. O partido já prometeu comissão de ética, sindicância e "debate de procedimentos", mas sempre recuou. O tema foi abafado no 13º Encontro Nacional, em abril. Há uma intenção de tocar nas crises políticas no 3º Congresso do PT, marcado para julho do ano que vem.