Villas-Bôas Corrêa
Pela segunda e, provavelmente, última vez na minha longa vida, não votarei no segundo turno das eleições presidenciais do próximo domingo. E com mesmo desconforto de velho repórter, que sempre defendeu o óbvio compromisso democrático, o dever da cidadania de participar da escolha dos parlamentares, em todos os níveis, do vereador, do deputado estadual e federal, dos senadores e dos que administram o país, do presidente e vice- presidente, aos governadores e prefeitos.
Mas, é a única portinhola de saída, para escapar do remorso, tão certo como as contas do tratamento. Não votar é a omissão que azeda a alma. Pior só a decepção, absolutamente inevitável como alertaram as campanhas de Dilma Rousseff e do tucano José e que parecem cópias borradas da mesma omissão.
Da crise ética e moral do pior Congresso de toda a nossa história, os candidatos tiveram a malandrice de escapar nos debates das denúncias que preenchiam o oco entre um e outro debate, no modelito que foi da berzundela ( repeteco atendendo a pedido) do controle do tempo até os segundos à pauta da tagarelice.
A contribuição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai exigir longas pesquisas dos escritores e candidatos a concurso escolares para a listagem das contradições, do uso da máquina do estado para as inaugurações das obras do PAC e de cada uma das suas etapas. E este é um compromisso republicano de separar governo da caça ao eleitor.
E, abrindo o catálogo dos desafios insolúveis, a bagunça de Brasília, a capital que o presidente Juscelino Kubitschek, no delírio da campanha prometeu construir na lonjura do cerrado e que inaugurou em 21 de 1960, antes de estar pronta, pagando o preço das vantagens, das dobradinhas, das mutretas da semana parlamentar de dois dias uteis por semana, com as passagens aéreas pagas pela Viúva para fim de semana nos lençóis domésticos. O Senado e a Câmara ainda aguentaram até o fim do mandato, o nível do brilho oratório das bancadas do governo e da oposição e que lotavam a as galeria o espetáculo dos grandes debates. O Senado era mais tranquilo, com a maturidade de senhores de cabelos brancos ou da calvície da sabedoria.
É indesculpável a desatenção de JK e dos parlamentares em não aprovarem uma emenda constitucional definindo Brasília como o distrito federal, a sede dos três poderes e dos órgãos auxiliares. O que manteria a Brasília das curvas de Oscar Niemayer.
E os candidatos do governo e da oposição não tiveram coragem de prometer a salvação de Brasília das favelas do Roriz.