quinta-feira, outubro 28, 2010

Uma agressão imerecida à Romeu Tuma e ao Senado Federal.

Comentando a Notícia

Romeu Tuma era um senador da República em pleno exercício de mandato. Seu falecimento mereceria de parte do senhor presidente da República, ao menos, um pouco mais de respeito e consideração. Infelizmente não foi o que se viu. Esta agressão à instituição chamada de Congresso Nacional, é um descaso injustificável. Tanto a instituição da Presidência da República, quando sua casa de representantes, são patrimônios da sociedade brasileira. Não pertencem a partidos nem a ninguém, além do povo brasileiro. O respeito entre ambas deve coexistir, independendo, para tanto, de ideologias. A grandeza de um homem público está em saber a noção exata desta harmonia.

Lula, de pronto, deveria ter decretado luto nacional por três dias. Deveria estar presente ao velório. Deveria ter suspendido toda e qualquer ação, de governo, pessoal ou política,  para honrar e homenagear um homem honrado que dedicou grande parte de sua vida à causa pública, e em favor da sociedade. Não se viu, lamentavelmente, nenhuma destas iniciativas de parte de Lula. Onde estava, ficou. E ainda se valeu de um palanque para agredir, sordidamente, um adversário político, de forma desonesta diga-se de passagem.

Contudo, em meio à discurseira cretina, em Itajaí, ao ser informado do falecimento do ex-presidente Nestor Kirchner, da Argentina, não fez de rogado. Voltou ao mesmo palanque para lamaentar a morte do ex-presidente argentino, ordenou que se Divulgasse nota por meio da assessoria do Palácio do Planalto, afirmando estar consternado com a notícia. Lula ainda decretou luto oficial por três dias, e enviou uma mensagem de condolência a presidente Cristina, mulher do ex-governante. Promete ir ao enterro daquele que, por muito pouco, não enterrou o Mercosul com medidas que muito prejudicaram os parceiros, principalmente, o próprio Brasil. Que fizesse assim com o ex-presidente argentino, nada a recriminar nos gestos e iniciativas. Brasil e Argentina são países irmãos. Contudo, o silêncio e falta de medidas de solidariedade em relação à Romeu Tuma é algo inadmissível e totalmente reprovável para quem ainda verga a faixa presidencial.

Em outros tempos, quando morria um senador da república, o presidente decretava três dias de luto oficial. Ia ao enterro e era um momento em que adversários políticos esqueciam suas diferenças e rendiam homenagem ao ser humano.

O Tuma me prendeu na década de 80 e lembro dele, pois ele me liberou para acompanhar o enterro de minha mãe. Isso não era muito comum na época da ditadura", palavras do próprio Lula. Contudo, não se dignou o excelentíssimo em comparecer ao enterro e velório do próprio Tuma. Especificamente, em relação ao senador, Lula devia agradecer eternamente ao amigo Tuma por ele nunca ter revelado nada sobre a atuação do próprio Lula contra seus inimigos no campo sindical.

Um tapa na cara do Senado. Um péssimo exemplo de solidariedade. Um gesto mesquinho e rasteiro, que mostra bem o caráter do atual presidente.

Homens públicos íntegros e honrados como o senador, o país precisa de muitos. A ausência de um deles, nos faz muita falta. Para Tuma, porém, amigos como Lula, definitivamente, e como se viu ontem no cortejo, nunca fizeram falta. Lula teve muito que aprender com o senador, este, porém, jamais precisou do presidente para exercer seu mandato com brilho próprio e manter altiva sua dignidade. A covardia e vilania presidenciais é um empobrecimento miserável nas relações humanas no campo da política e da cidadania.

Como já disse em outras ocasiões, mais uma vez, Lula se mostrou o eterno grande ausente.