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O ex-deputado federal, ex-presidente do STF e ilustre advogado, senhor Nelson Jobim, acaba de protagonizar, na ribalta do tabuleiro político nacional, o papel de bobo da corte. Mereceu. Didi, o único sobrevivente dos quatro humoristas que faziam a alegria da criançada nas manhãs televisivas de domingo com seu humor sem graça, ganhou um concorrente à altura.
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Enquanto desempenhou sua carreira parlamentar, o senhor Nelson Jobim gozava de uma reputação sólida de seriedade e competência perante a opinião pública gaúcha. Pelo menos era essa a imagem que sempre se teve dele por aqui. Quando o ex-presidente FHC nomeou-o ministro da Justiça, Jobim parecia fazer jus à reputação.
Enquanto desempenhou sua carreira parlamentar, o senhor Nelson Jobim gozava de uma reputação sólida de seriedade e competência perante a opinião pública gaúcha. Pelo menos era essa a imagem que sempre se teve dele por aqui. Quando o ex-presidente FHC nomeou-o ministro da Justiça, Jobim parecia fazer jus à reputação.
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Mas, seus “problemas” começaram quando Fernando Henrique Cardoso indicou-o para substituir Maurício Correa na presidência do STF. Não demorou muito para que o então integrante das instâncias superiores de uma das mais importantes instituições republicanas, que, dentre outras coisas, deveria primar pela atuação orientada pelo interesse público - portanto, isento da contaminação provocada pela influência do jogo político menor -, receber a alcunha de “líder do governo” no STF.
Mas, seus “problemas” começaram quando Fernando Henrique Cardoso indicou-o para substituir Maurício Correa na presidência do STF. Não demorou muito para que o então integrante das instâncias superiores de uma das mais importantes instituições republicanas, que, dentre outras coisas, deveria primar pela atuação orientada pelo interesse público - portanto, isento da contaminação provocada pela influência do jogo político menor -, receber a alcunha de “líder do governo” no STF.
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Ali, senhoras e senhores, em pleno governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e não apenas agora, no governo petista de Lula, teve início a prática nefasta da ingerência do Poder Executivo nos poderes Legislativo e Judiciário, e de politização, no sentido menor da palavra, das instituições republicanas. Faltam-me a memória e o tempo para pesquisa jornalística sobre fatos pregressos, mas o exercício da influência do governo, impondo seus interesses às decisões dos outros poderes republicanos, mais uma das “políticas públicas” que o governo Lula clonou e “aperfeiçoou” do governo tucano-pefelista que o antecedeu, certamente teve, na atuação e nas decisões do então ministro Jobim, uma marca inolvidável.
Ali, senhoras e senhores, em pleno governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e não apenas agora, no governo petista de Lula, teve início a prática nefasta da ingerência do Poder Executivo nos poderes Legislativo e Judiciário, e de politização, no sentido menor da palavra, das instituições republicanas. Faltam-me a memória e o tempo para pesquisa jornalística sobre fatos pregressos, mas o exercício da influência do governo, impondo seus interesses às decisões dos outros poderes republicanos, mais uma das “políticas públicas” que o governo Lula clonou e “aperfeiçoou” do governo tucano-pefelista que o antecedeu, certamente teve, na atuação e nas decisões do então ministro Jobim, uma marca inolvidável.
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Ao prosseguir no cargo com a transição de mandato entre o anterior e o atual presidente da República, o senhor Nelson Jobim só fez ampliar a forte e difundida suspeita de que julgava pautado pelo interesse de voltar à ribalta da política em posição de destaque, após sua controvertida passagem pelo Judiciário.Essa prática de transitar da política partidária para as instituições do Judiciário, e vice e versa, deveria ser vedada pela Constituição, em nome da ética republicana. Não sendo, por orientação pessoal de gente com formação acadêmica nas lides jurídicas, cidadãos que transitassem na zona cinzenta que marca a mudança de cargo entre os três diferentes poderes republicanos, deveriam, pelo menos, guardar voluntária quarentena.
Ao prosseguir no cargo com a transição de mandato entre o anterior e o atual presidente da República, o senhor Nelson Jobim só fez ampliar a forte e difundida suspeita de que julgava pautado pelo interesse de voltar à ribalta da política em posição de destaque, após sua controvertida passagem pelo Judiciário.Essa prática de transitar da política partidária para as instituições do Judiciário, e vice e versa, deveria ser vedada pela Constituição, em nome da ética republicana. Não sendo, por orientação pessoal de gente com formação acadêmica nas lides jurídicas, cidadãos que transitassem na zona cinzenta que marca a mudança de cargo entre os três diferentes poderes republicanos, deveriam, pelo menos, guardar voluntária quarentena.
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Não foi o que fez o senhor Nelson Jobim. Pelo contrário, não bastasse sua controvertida passagem pela presidência, cujo período final foi marcado por especulações de que almejava ser candidato à vice-presidente da República na chapa do senhor Luis Inácio Lula da Silva, ao deixar o Poder Judiciário, imediatamente filiou-se novamente ao PMDB.
Não foi o que fez o senhor Nelson Jobim. Pelo contrário, não bastasse sua controvertida passagem pela presidência, cujo período final foi marcado por especulações de que almejava ser candidato à vice-presidente da República na chapa do senhor Luis Inácio Lula da Silva, ao deixar o Poder Judiciário, imediatamente filiou-se novamente ao PMDB.
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Sem ter almejado o objetivo que orientou sua rápida volta à vida partidária, o senhor Nelson Jobim atirou-se à disputa pela presidência de seu partido, recebendo, rapidamente, a alcunha de candidato de presidente Lula, imbuído da missão de submeter totalmente, o maior partido brasileiro, aos interesses do governo federal.
Sem ter almejado o objetivo que orientou sua rápida volta à vida partidária, o senhor Nelson Jobim atirou-se à disputa pela presidência de seu partido, recebendo, rapidamente, a alcunha de candidato de presidente Lula, imbuído da missão de submeter totalmente, o maior partido brasileiro, aos interesses do governo federal.
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Tal como peru de Natal, a candidatura Jobim morreu na véspera. Não sem antes sair atirando contra o presidente Lula, acusando-o de tê-lo abandonado em favor da candidatura vitoriosa - por W.O. - do deputado federal Michel Temer. Não obstante o procedimento eticamente questionável, Jobim deve ter razão na acusação de que foi vítima de cristianização.
Tal como peru de Natal, a candidatura Jobim morreu na véspera. Não sem antes sair atirando contra o presidente Lula, acusando-o de tê-lo abandonado em favor da candidatura vitoriosa - por W.O. - do deputado federal Michel Temer. Não obstante o procedimento eticamente questionável, Jobim deve ter razão na acusação de que foi vítima de cristianização.
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No entanto, carece de fundamento na verdade completa a acusação de que perdeu por ter sido abandonado. Na realidade, Jobim foi abandonado por Lula porque já era visível, na véspera, sua iminente derrota. Michel Temer aplicou-lhe um autêntico cheque mate ao dar-lhe um ultimato para corrigir, em prazo exíguo, a saraivada de irregularidades que marcava e inscrição de sua chapa à presidência do partido.
No entanto, carece de fundamento na verdade completa a acusação de que perdeu por ter sido abandonado. Na realidade, Jobim foi abandonado por Lula porque já era visível, na véspera, sua iminente derrota. Michel Temer aplicou-lhe um autêntico cheque mate ao dar-lhe um ultimato para corrigir, em prazo exíguo, a saraivada de irregularidades que marcava e inscrição de sua chapa à presidência do partido.
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Mas, não é somente Jobim que sai arranhado desse episódio. Outras eminentes figuras, como o senador Renan Calheiros, que ocupa estratégica posição na presidência do Senado Federal, empenharam o prestígio no apoio à candidatura do protagonista de tamanhas trapalhadas, e também ficaram muito mal na foto. Isso sem falar na seção gaúcha do PMDB e numa longa lista de seus apoiadores em outros estados, que chegaram a ensaiar o anúncio de boicote à convenção partidária, e logo tiveram que recuar ante o adesista desenfreado de governadores e outros ilustres próceres peemedebistas, à chapa neogovernista do deputado Michel Temer. Como se vê, não é só Nelson Jobim que patrocina trapalhadas no PMDB.
Mas, não é somente Jobim que sai arranhado desse episódio. Outras eminentes figuras, como o senador Renan Calheiros, que ocupa estratégica posição na presidência do Senado Federal, empenharam o prestígio no apoio à candidatura do protagonista de tamanhas trapalhadas, e também ficaram muito mal na foto. Isso sem falar na seção gaúcha do PMDB e numa longa lista de seus apoiadores em outros estados, que chegaram a ensaiar o anúncio de boicote à convenção partidária, e logo tiveram que recuar ante o adesista desenfreado de governadores e outros ilustres próceres peemedebistas, à chapa neogovernista do deputado Michel Temer. Como se vê, não é só Nelson Jobim que patrocina trapalhadas no PMDB.
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Enfim, apesar de o senhor Nelson Jobim ser a principal vítima dessa seqüência incrível de atentados, auto-impingidos, à sua outrora brilhante reputação, o fato é que a eleição para a presidência nacional do PMDB teve somente um grande vencedor: o petista Luis Inácio Lula da Silva, que conseguiu transformar a eleição interna do maior partido brasileiro, antes divido entre governistas e não-governistas, numa corrida desabalada pela adesão ao seu governo.
Enfim, apesar de o senhor Nelson Jobim ser a principal vítima dessa seqüência incrível de atentados, auto-impingidos, à sua outrora brilhante reputação, o fato é que a eleição para a presidência nacional do PMDB teve somente um grande vencedor: o petista Luis Inácio Lula da Silva, que conseguiu transformar a eleição interna do maior partido brasileiro, antes divido entre governistas e não-governistas, numa corrida desabalada pela adesão ao seu governo.
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Seria cômico, não fosse trágico, constatar que o ingresso, inédito porque quase unânime, do PMDB no governo petista, está sendo comandada pelo mais ilustre dos ex-líderes da ala tucana do partido.